31.7.12

Idiotas de todo o mundo, uni-vos

Um deputado conservador diz que a cerimónia de abertura dos jogos foi "lixo esquerdista"; o Primeiro-Ministro chama-lhe idiota. Alguém consegue imaginar os píncaros de êxtase para os quais uma cena destas enviaria a nossa imprensa, os nossos zorrinhos e os indignados do costume?

29.7.12

Civilização

Civilização é bom, mas quando é de mais enjoa.
 
(Não é o caso do Reino Unido, que tem a mistura correcta de civilização e - como dizer: liberdade? Não: anarquia.)

27.7.12

Ou seja (actualização)

Talvez os portugueses não tenham andado a viver acima das suas possibilidades; mas têm de certeza votado acima delas.

A ler: A crise é fundamentalmente cultural

É mais ou menos óbvio que a questão não é Portugal "ter safa" ou não ter. Os "interesses instalados ... lóbis, ... sindicatos, ... todos aqueles que conseguem condicionar e influenciar as políticas públicas... os pensionistas das políticas ..." estarão sempre "safos", e é isso que conta.

26.7.12

Jantares (Hamburgueres de borrego)

Os trabalhos no D.H. continuam, sempre à volta das mesmas coisas: o circuito de água doce e a corrente de terra (também colei um paneiro e umas guias para os panéis da escotilha, mas isso são bricoles).

Jacques Brel canta sobre uma Isabelle que dorme, o cheiro do verniz invade o salão - envernizei a chapa de contaplacado onde vou pôr a tomada da corrente (e a lata onde tinha o verniz entornou-se. Felizmente era pouco e estava muito diluído), penso no quanto gosto deste barco e no jantar de ontem.

Hamburgueres de borrego
Mistura-se carne de borrego picada com queijo feta, azeitonas picadas (kalamata de preferência, mas isso é para quem é funcionário público e tem emprego garantido) um ovo, azeite, sumo de limão, salsa, coentros, cominhos moídos, sal e pimenta.

Põe-se a mistura uma meia hora no frigorífico e frita-se.

Da próxima vez farei um molho de iogurte (iogurte, alho, sumo de limão, sal e pimenta).

25.7.12

Para que servem os blogues?

Deputados, coisas

Tome-se uma pessoa, um homem, "feito de nada como nós". Retire-se-lhe aquilo que faz de uma pessoa pessoa e de um homem homem: a coluna vertebral, os tomates. Que fica? Um deputado à Assembleia da República Portuguesa.

Seria injusto (apesar de nalguns justificado) dar-lhe um nome: talvez não sejam todos, mas quase todos são assim. 

Jornalistas, qualidade

Os nossos jornalistas estão demasiado ocupados a gozar com o Álvaro e com o Relvas e estas coisas, coitados, escapam-lhes.

24.7.12

Infelizmente é verdade

Resta-nos esperar que deixe de o ser.

RTPqueosP

Estes também são contra a privatização da RTP.

(Uma pequena nota: não tenho nada contra os salários elevados, antes bem pelo contrário. Mas eles não deviam sair dos impostos das pessoas e sim dos bolsos dos accionistas.)

Viver acima das possibilidades

Começa a circular por aí a ideia de que os portugueses afinal não viviam acima das possibilidades; quem vivia era a política portuguesa. Não é bem verdade: pelo menos desde 1975 que os portugueses votam nos políticos, e consequentemente nas políticas. Desde Cavaco Silva, que inventou o "monstro" (cheio de boas intenções: pensava que assim atraíria os melhores para a função pública. Infelizmente esqueceu-se da segunda parte, a possibilidade de pôr os piores na rua), e começou a cobrir o país de auto-estradas em vez de reformar seriamente a legislação (pensou que a Europa se ocuparia disso. Ocupou realmente - mas um pouco tarde e com os efeitos que se estão a ver) a Sócrates, cujos múltiplos desvarios não o impediram de também ser reeleito, que os portugueses votam em quem os faz viver acima das suas possibilidades. Apesar de continuarem tesos e de terem que emigrar se querem ganhar a sua vida.

Esganiços

Português, pequenez

Não sou historiador, nem economista e ficaria extremamente grato a quem me pudesse explicar o que é que mudou desde os séculos XV e XVI para que ser e pensar pequeno se tenham tornado nas condições distintivas do ser português; condições sine qua non, englobantes, inescapáveis.

Portugueses, apostasia

Coomo todos os povos que conheço na Europa (com a possível excepção dos franceses e dos espanhóis; e dos alemães, talvez) os portugueses não gostam de si próprios. Tal como os ingleses passam a vida a dizer mal dos "ingleses" e os suíços do "suíços" os portugueses acham que os "portugueses" são do piorio.

Claro que todos têm razão: todos os povos, como toda a gente tem os seus defeitos; e é natural que cada um se aperceba melhor - e sofra mais - com os defeitos do seu povo do que com os dos outros.

Claro que a categoria "portugueses" (para nos restringir ao que interessa) não nos inclui a nós nem aos nossos amigos; inclui um monte de pessoas, mas nós e os nossos amigos não somos "portugueses". Quando muito somos portugueses, o que é completamente diferente.

Só se compreende a aversão mortal (literalmente) que os muçulmanos têm pela apostasia quando se descobre que uma pessoa que considerávamos nossa amiga  e portanto pessoa decente se revela, afinal, "português".

23.7.12

A ver

Nunca pensei que um dia viria a citar um post de Luis M. Jorge, mas aqui fica.

(O que acho estranho é que há pessoas que se escandalizam quando alguém aconselha os portugueses a emigrar. Pelo menos os que não pertencem àqueles grupos).

19.7.12

Solidão, solitários

- Pode ser-se um solitário e sentir-se só?
- Claro. Muito mais facilmente do que ser-se um solitário e sentir-se acompanhado.

Força, feminilidade

Tome-se uma mulher forte, muito forte; arranhe-se-lhe a superfície, um bocadinho; não é preciso muito. Encontrar-se-á a mais feminina das mulheres.

18.7.12

Antes, depois

A melhor idade numa mulher é a que vai dos trinta aos quarenta e cinco anos; antes tem muito que aprender, depois muito a esquecer.

17.7.12

Credibilidade

Este senhor acredita (ou diz-nos que acredita) nas coisas mais abracadabrantes: é possível conceber e ter um filho sendo virgem, há vida depois de morte, existe um céu para alguns, um inferno para outros e um purgatório para os entre dois, deus são três pessoas ao mesmo tempo, uma das quais ressuscitou três dias depois de morrer... enfim, uma quantidade de tretas (ou mitos, para quem preferir). Sinceramente, não me parece muito credível para falar de outras coisas se não aquelas que estudou e tenta impingir a quem o quer ouvir.

13.7.12

Definições

A imaginação é uma espécie de mar no qual nasce tudo o que faz de um homem homem: o mar, o vento, o desejo e o prazer do desejo, a liberdade, a loucura, o amor, um bom vinho, um peixe acabado de pescar, alguns pôr-do-sol, tu, uma noite limpa no mar.

A imaginação é um gozo que dá sentido a tudo o que faz da vida vida.

12.7.12

Morrer, matar

De que serve fazer amor, se não se morrer de cada vez? De que serve um debate, se cada argumento não matar o outro?

11.7.12

Sísifo

"Il faut imaginer Sisyphe libre et heureux", diz Camus no seu Mito de Sísifo (cito de memória). Eu sou livre e feliz; preciso de imaginar-me Sísifo.

6.7.12

O silêncio do amorosos

Era uma santa relação: fazíamos amor até ficarmos sem voz; só depois conversávamos.