31.12.12

Paráfrase

Que Deus me proteja dos bons, que dos maldosos trato eu.

30.12.12

Rater

Il avait tout raté, sauf sa vie. Impossible de l'admettre à l'Académie des Vrais Ratés.

17.12.12

Ontem

Ontem foi o último dia dos restos da tua vida.

16.12.12

Onde está Keynes quando precisamos dele?

"Os políticos amam (...) Keynes porque ele trouxe respeitabilidade intelectual àquilo que eles mais gostam de fazer: gastar o dinheiro dos outros. Keynes era também inimigo de aumentar os impostos quando as economias estavam fracas, mas os seus supostos herdeiros estão a esmagar consumidores e negócios com taxas cada vez mais pesadas..." (A tradução é minha, e não é literal).

Steve Forbes, no editorial da Forbes Magazine desta semana.

Vingativa, generosa

É vingativa, a vida? Sem dúvida. Mas também sabe ser generosa. Mais vale não pensar muito nela e viver, simplesmente. Com ou sem vírgula.

4.12.12

Vinganças

Vingativa é a vida, que nos devolve dobrado aquilo que lhe fizemos singelo. É preciso desprezá-la, a vida; ignorá-la, marimbar nela e continuar fazendo aquilo que queremos, ser aquilo que somos. 

Não se pactua nem se cede a vingadores.

2.12.12

Acorda

Quando acabares de ler esta frase o teu futuro começou.

1.12.12

A picareta falante diz, tardia mas finalmente, qualquer coisa de jeito

Pense-se o que se quiser do senhor - e eu penso muito mal - a assumpção de responsabilidade por Guterres não deve ser minimizada nem ridicularizada. 

Ah, la Fraaaaaance, la Fraaaaaance

O Governo francês chegou a um acordo com o grupo ArcelorMittal. Basicamente o grupo faz o que queria fazer (fechar dois fornos); em troca compromete-se a investir 180 milhões de euros em cinco anos naquelas instalações (até aqui investia 30 por ano; aposto que não vai mudar muito) e a não despedir os quase 700 funcionários que trabalhavam nos fornos.

Até aqui nada de especial - enfim para França, claro. Eu pergunto-me o que fará uma empresa investir na Gália sabendo que as suas decisões de gestão podem ser contestadas pelo governo, por exemplo.

Realmente engraçado é a formulação do acordo: "perenizar e reforçar as actividades ligadas ao sector frio" (a tradução é minha); ou "o grupo garante a sua permanência [ancrage] em Dunkerque e em Fos-sur-Mer".

O que não é mau, se pensarmos que um palhaço chamado Arnaud Montebourg, ministro da Renovação Industrial (gosto deste ministério e tento sempre pensar nele quando preciso de rir e não encontro melhores motivos) - um senhor que acha, entre muitas outras coisas (é um senhor muito achista) que "desmundializar" é o melhor caminho - queria expulsar a ArcelorMittal de França.

Venturas

Não concordo com o a de aventura: aventura é um excesso de ventura, não uma carência.

Liberdade, nunca é de mais recordá-la

Um grande post.

Claro que se pode lamentar ter sido necessário escrevê-lo, ou lê-lo (acrescento "em 2011", fica sempre bem). A verdade é que se o homem não mudar muito - e nada indica que vai mudar muito, e ainda menos depressa - daqui a mil anos ainda será necessário escrevê-lo. E haverá meia dúzia de bloggers de então a aconselhar-lhe a leitura.

Os grandes desastres da humanidade nascem quando alguém quer impor "a verdade", seja ela científica, em nome de uma humanidade melhor, ou seja do que for que uns sabem e acham que os outros devem saber também.

"O seu filho não tem os olhos fechados, senhor. O seu filho é japonês."

O OE2013 tem bastantes defeitos e uma qualidade; mas é uma qualidade tão grande, tão inesperada, tão bem vinda que eu não sei se só por isso não devíamos felicitar o governo: já não me lembro da última vez que ouvi falar no "modelo sueco"; nunca vi tantos socialistas a reclamar tanto contra os impostos. Obrigado, Vítor Gaspar. 

Bordéus e a televisão

Mais uma da televisão francesa (enfim, esta de um viticultor francês, "originário da região [Bordelais]): "eles [os investidores estrangeiros] são um problema porque fazem subir o preço dos terrenos artificalmente".

Isto suscitaria várias questões, claro: o preço dos terrenos na região de Bordéus só subiu quando os estrangeiros começaram a comprar lá quintas? (Na realidade os estrangeiros compram terrenos em Bordéus desde pelo menos o século XVIII, mas isso é outra história.) O preço dos vinhos de Bordéus é estratosférico por causa dos compradores estrangeiros; também se queixam? Por cada estrangeiro que compra a preços elevados não haverá um francês que vende a preços elevados?

O jornalista esqueceu-se de fazer estas perguntas, e eu regressei à minha resposta habitual: desliguei a televisão. É preciso provar-se regularmente aquilo de que não se gosta, para confirmar que se continua a não gostar.

A revolução industrial foi ontem

Há pouco ouvi na televisão francesa esta frase magnífica: "será ele [Lakshmi Mittal] um industrial, um empreendedor [o termo utilizado pelo locutor foi bâtisseur, literalmente construtor] ou não passa de um financeiro?"