26.4.13

Pergunta

Por que raio de carga de água pessoas que se declaram - e são - ateias se preocupam tanto com o que padres dizem? Com os muçulmanos ainda se pode perceber, eles costumam bombardear, queimar, lapidar ou chicotear quem não concorda com eles. Mas padres, bispos ou papas católicos?

25.4.13

Melancolia, tristeza, ressentimento

Seria preciso imaginar uma relação a três entre a tristeza, o ressentimento e a melancolia. Esta seria o cabeça de casal, a tristeza o outro e o ressentimento a puta que os mantém juntos. No dia em que se for embora o casamento desmorona-se.

Cair, deitar

Fim do dia; o vento cai e a luz deita-se.

22.4.13

Dissonâncias...

...conitivas. A pila num corpo, a cabeça noutro.

...cogitivas. Os olhos no futuro, a cabeça no passado.

Retratos improváveis

Era um sádico inseguro, e muito aplogético. Pedia desculpa a toda a gente. 

Enfim, na realidade pedia desculpa a si próprio, não a quem cruzava; e não era pelo sadismo, mas pela insegurança.

8.4.13

Um homem, mudança

Um homem muda; descobre coisas novas em si. Algumas dúvidas que tinha desaparecem, outras tomam-lhes o lugar, ideias erradas vão, melhores vêm. Um homem muda, e tudo o que lhe resta é regozijar-se por estar vivo, por ser capaz de mudar, por ser capaz de aprender. Um homem muda e o mundo muda; a vida, o passado, o presente. O futuro continua o mesmo, porém: o futuro são as mudanças todas por que passou, empilhadas em equilíbrio instável.  

7.4.13

Mer, visage


"Il n'y a jamais assez de mer pour les visages aigus des bateaux."

Le Clézio

Vida, tempestade

Vou para o mar com um aviso de tempestade em curso. A vida nova vai chegar depressa.

Doce

Doce é a maldade, quando dela beneficiamos.

Guerra civil, II

Está frio, calor, frio. São Francisco é uma guerra civil meteorológica.

Dor, felicidade

A felicidade é um mau guia. Só a dor nos mostra o que somos, quem somos, e para onde vamos.

Ou devemos ir.

Mar, idade

A idade ensina-nos que não somos omnipotentes, mas de uma forma violenta, quase malsã. O mar diz-nos a mesma coisa mais suavemente. Como as evidências devem ser ditas, ou dadas a ver.

Maldade, bondade

A bondade conhece-se num ápice; a maldade é inesgotável.

6.4.13

"Todo o homem é uma guerra civil"*

É espantoso como a maldade e a bondade podem coabitar nas pessoas; ou o amor e o ódio, a tristeza e a alegria, o alívio e a frustração, a esperança e o desespero.

(* - Título de um livro de Jean Lartéguy "Tout homme est une guerre civile")


5.4.13

Lagos

Pode gostar-se muito de lagos, mas é preciso ver-lhes o fundo para os conhecer verdadeiramente.

4.4.13

Desprezo, amor

Pode amar-se e odiar-se alguém simultaneamente. É frequente, de resto. Mas não se pode amar e desprezar a mesma pessoa ao mesmo tempo. O amor - como o ódio - confere uma existência, um ser, a quem desprezamos; a quem, aos nossos olhos não é.

3.4.13

País

Tu és o meu país. Sem ti todo o mundo é estrangeiro.

2.4.13