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26.11.20

Via Dolorosa

Podia começar por dizer. «hoje bebi o melhor Pisco sour da minha vida.» Seria absolutamente verdade, mas insuficiente: também bebi o melhor pisco da minha vida e - sobretudo - comi o melhor ceviche da minha vida. Três vidas, um restaurante: chama-se Qosco, fica em Lisboa na Rua dos Bacalhoeiros e, por Viracocha*, acorram, depressa, urgentemente. O tarifário é acessível - até para um marinheiro longe de casa e em maré baixa - e não exagero: o ceviche era bastante melhor do que o meu. Reconheço-o com orgulho. É como ser batido pelo Mike Tyson num combate de boxe: não é vergonha nenhuma. 

Os meus amigos brasileiros, sobretudo os baianos, que me perdoem mas a comida peruana é indubitavelmente a melhor da América do Sul. O Qosco é a prova disso.

*Viracocha, acabo de aprender, é o deus inca que criou o «o céu, a terra, o oceano, o sol, a lua e a primeira raça que habitou o lago Titicaca». Mama Kilya, a sua companheira deusa da Lua, também merece ser invocada: o nome bonito é sedutor para um selenita como eu.  

23.6.16

Oiça um bom conselho

Continuo a não seguir a sábia injunção do Ricardo A.: falar apenas dos maus restaurantes. Tenho atenuantes: em primeiro lugar ninguém com juízo lê o que escrevo; em segundo, o sítio já está sempre cheio, dispensa-me bem.

Chama-se Menina do Rio, fica em Alvalade (à frente do mercado, do outro lado da rua), é minusculo em tamanho e nos preços e maiúsculo em qualidade, quantidade e simpatia. Hoje comi lá um pernil no forno que "mais [parecia] um presunto", como disse a minha vizinha de mesa. Delicioso, acrescento eu já que disso não podia a senhora falar, coitada. Não o provou.

Eu provei e mais: devorei-o todo, deliciei-me inteiro.

Que viva a Menina do Rio e não se metamorfoseie nunca em senhora.

31.5.14

Serendipity, Lisboa

Não há um equivalente português para serendipity.

Talvez haja: Lisboa.

(Isto precisa de um desenvolvimento.

Talvez haja: ir almoçar ao restaurante Águas Livres umas sublimes pataniscas de bacalhau com arroz de feijão não menos sublime; descobrir o Quinta do Grifo Reserva 2008, um vinho pelo qual regressarei a Portugal esteja onde estiver, Lua incluída; acabar o almoço com um Marc de Champagne que ajuda a perceber que os franceses fazem certas e determinadas coisas melhores do que nós, e entre essas coisas estão a manteiga, a aguardente e duas ou três outras que eu conheço); sair do restaurante e dar de caras com o atelier do Tiago Taron, um dos meus pintores favoritos toutes catégories confondues. Só lhe conhecia as obras de uma exposição na Ler Devagar há muitos anos e vê-las no atelier dá-lhes outra vida, outro contexto e outra dimensão).

Restaurante Águas Livres
Calçada Bento Rocha Cabral, 18
Lisboa (ao Largo do Rato)
Tel.:  213 878 365
rest.aguaslivres@gmail.com

11.7.11

Serviço público - Restaurantes Lisboa (Café Tati)

Antes de José Quitério e da Time Out - que espero cheguem depressa - este blog anuncia em primeiro lugar o nascimento de uma estrela no, como é que se diz?, firmamento da restauração de Lisboa. Chama-se Café Tati, fica no Cais do Sodré e tem para já o melhor gaspacho do universo.

Tem também uma óptima decoração (daquele tipo amigos que se juntam e vão aos sótãos das avós buscar os móveis) e a música é muito variada - o que se ouve, do jazz ao pop passando por música brasileira e espanhola só tem uma coisa em comum: é muito bom.

Por agora ainda só se pode petiscar - experimentem a tortilha com salada ou os rolinhos de borrego - mas em breve (basta que a companhia que liga o gás ligue o gás) haverá também pratos mais elaborados.

Por último, mas não em último, a simpatia da Susana, da Laura, da Xana, do Ramón e do Lenny: fazem-nos realmente sentir em casa de amigos. Já por aqui devo ter falado daquela estranha expressão "restaurante simpático". O Café Tati é-o, e não é nada estranho, muito antes pelo contrário. É imediatamente familiar.

Que viva.

R. da Ribeira Nova 36
213 461 279
Fecha à Segunda-feira.

Adenda: o Tati tem um blog.

18.8.10

Serviço Público - Restaurantes, Zé Varunca

Hoje fui jantar com a família ao Zé Varunca da Rua de S. José. Fomos todos: o diabético, o teso, o pedante, o gastrónomo e o extrovertido. Ficaram satisfeitos, mais ou menos. Já lá tínhamos ido, mas o diabético achara a comida pouco sã; o extrovertido as empregadas lúgubres; o teso caro; o gastrónomo assim assim e o pedante declarara, alto e bom som, que a gastronomia alentejana não valia a da Mongólia do Sul.

Desta vez não houve nada disto: o teso declarou "mais ou menos"; o gourmet anunciou um "correcto", o que para os outros equivale a um bom mais; o diabético disse que calava o amigo dele médico com uma salada de pimentos (o teso achou aquilo uma bestialidade, a 2,75 euros; mas o outro respondeu-lhe que a saúde não tem preço); o pedante viu o restaurante bem frequentado (estava cheio de maricas estrangeiros, e para ele isso é sinónimo de qualidade); e o extrovertido disse que as empregadas eram de uma simpatia contagiante e não tinham bigode (o gourmet retorquiu que eram baixas "de croûpe", mas reconheceu-lhes a voluptuosidade de formas. E a simpatia, claro. E a eficácia).

Saímos todos satisfeitos (a minha alegria é vê-los contentes, coitados). Mas quando passámos perto do Mal Amanhado houve um que disse (ainda estou para saber qual) "aqui teria sido melhor". Todos aprovaram, menos o diabético: estava muito perto de casa e "far-se-ia menos exercício".

Calei-os com um whisky no Orpheu - excepto o diabético, claro. É um chato, o pior de todos, juntamente com o teso. Ainda por cima nem diabético é. Os outros aguentam-se bem. Mas eu quero que eles se ... ooops, já empreguei esse termo, hoje. Não posso repetir. Que eles apanhem onde apanham as focas (se forem francesas, claro).

Zé Varunca, rua de S. José 54. Fecha ao domingo. 213 468 018.

29.7.10

Serviço público - restaurantes Lisboa

Já vos aconteceu entrarem num sitio qualquer e ficarem esmagados pela quantidade de boas ideias? Ontem aconteceu-me isso no restaurante Entra: a quantidade de boas ideias deixa exausto o mais estrénuo dos exploradores. Começa no nome, e continua pelos candeeiros, pela cozinha à vista, os individuais, as listas - as de comida e as dos vinhos; tudo. Tudo naquele restaurante é uma boa ideia.

A comida é óptima, é por aqui que devia ter começado, não estivesse tão impressionado pelas boas ideias; e o serviço bom, eficaz. Com um "mas", um "mas" grande: a chico-espertice, uma coisa tão desnecessária como, infelizmente, prejudicial para um restaurante. Põe uma pessoa de pé atrás e num estado de espírito defensivo cada vez que pensar em lá voltar.

Provavelmente vai melhorar - vão aperceber-se de que a qualidade da cozinha, os preços dos vinhos - sensatíssimos - a escolha de menus, a decoração (uma vez abstraídas as boas ideias) são suficientes; e de que não é necessário rasteirar o cliente para aumentar uma conta em três euros, ou coisa que o valha.

Uma última nota para falar da música - estava muito alta quando chegámos; pedi para baixar e o pedido foi prontamente atendido. Lembrei-me de José Quitério e do seu Top-Prato, a melhor série de crítica gastronómica de que me recordo em Portugal: dava zero, lembram-se, sem apelo nem agravo aos restaurantes que tivessem guardanapos de papel. A refazer um Top Prato, eu daria zero, zero, imediatamente, aos restaurantes com música; e uma nota negativa aos que a tivessem demasiado alta.

Não se pode dar um passo nesta cidade que não haja música - em geral má, mas isto aplica-se também àquela de que gosto: ele é nos restaurantes, nos cafés e nas esplanadas; nos comboios e nos táxis; nas lojas - em todo o lado. Bolas, um bocadinho de silêncio não seria mau para quem sai de casa - se quisesse ouvir música não teria saído, provavelmente; ou então estaria numa sala de concertos.

Restaurante Entra - Rua do Açúcar 80 - Poço do Bispo (há uma paragem do 28 mesmo à porta, para quem se desloca em transportes públicos). Tel 212 417 014. www.entra.pt

14.7.10

Nem tudo está perdido

O Mal Amanhado deixou-se de italianices e voltou a ser um restaurante português; e o Porto de Abrigo está cada vez melhor.

Mal Amanhado, rua da Alegria 54 (ou lá perto). Fecha aos domingos e é esplêndido quando está aberto.

2.4.10

Serviço público - Restaurantes Lisboa

Durante muitos anos frequentei regularmente o Porto de Abrigo. Era um excelente restaurante, com pratos como Pato com Molho de Azeitonas, Polvo no Forno, Vieiras Gratinadas com Mariscos. Depois fui-me embora, voltei, fui-me embora outra vez, regressei (várias vezes); e o Porto de Abrigo começou a ser como a casa daquelas tias de quem gostamos mas onde vamos para cumprir uma obrigação familiar, porque não as vemos há muito tempo. A cozinha não era bem aquela de que nos lembrávamos - mas as tias envelhecem, não é? - e o décor afinal de contas é o mesmo, e os primos iguais, mas mais velhinhos.

Hoje voltei lá com um amigo francês que apesar de viver em Portugal há mais tempo do que eu (vive aqui desde muito antes de ter nascido) precisa de vez em quando de um guia dedicado e desinteressado (enfim, não é bem verdade - estou muito interessado nos seus conhecimentos vínicos, no seu know how gastronómico, no seu espírito crítico).

O restaurante mudou. Isto é: não mudou. Melhorou. Melhorou muito, como se tivesse sido a prima (ou o primo, em certas famílias) a tomar conta da cozinha e tivesse deixado tudo na mesma - na realidade foi o neto do fundador, mas isso agora fica para depois. O pato com molho de azeitonas está igual mas melhor; o serviço idem; já da decoração não se pode dizer o mesmo: acrescentaram uma televisão, coisa que se a ASAE fizesse correctamente o seu trabalho e ele servisse para o que quer que fosse não seria permitido ("está sempre sem som", diz-nos o solícito e simpático neto); nem do esparregado: não está o mesmo, porque era pateticamente mau. Está exponencial, incomparavelmente melhor - melhor: está muito bom.

Uma morada esplêndida que volta a ser esplêndida: é esplêndido viver em Lisboa, tanto como ter morado.

Restaurante Porto de Abrigo
Rua dos Remolares 16
Tel.: 213 460 873

Fecha aos domingos.

10.2.10

Serviço público - Restaurantes Lisboa

O restaurante O Pitéu, no Largo da Graça, 95 - 96, é um daqueles restaurantes clássicos portugueses cujas iscas são excelentes, como os restantes pratos tradicionais; a lista de vinhos aceitável e o serviço simpático e atencioso (pelo menos para os não-fumadores).

15.9.09

Serviço público - bistrots

O nome diz tudo, claro: chama-se Le Marais. É na rua de Sta. Catarina. Quando entrei estive quase para cometer uma das habituais gaffes: ia perguntar ao senhor do bar se o local é seguro para heterosexuais. Claro que era (seria, teria sido) uma brincadeira: ao lado há um backpackers e o sítio está cheio de jovens senhoras (das quais a esmagadora maioria é bonita, o que não estraga nada; antes pelo contrário. Os maricas levar-nos-ão sempre a palma, nessa área. Injustamente, forçoso é reconhecê-lo). Felizmente não perguntei: o senhor do balcão teria decerto interpretado mal - a menos que seja possuidor de um colossal sentido de humor.

A lasagna é esplêndida; as rillettes boas; a escolha de vinhos (e de comes também) escassa, mas aceitável; a decoração - bem a decoração é, naturalmente, linda, fina, cosy, exquise (mais um campo no qual ficamos a perder, como ursos numa mercearia gourmet). E tem acesso à net, gratuito.

Além de tudo isto, tem uma incomensurável vantagem: pode comer-se a qualquer hora. Os horários são:

Abertura:
De 2ª a 6ª - 12h00;
Sábado e Domingo - 17h00.

Fecho:
De 2ª a 5ª - 02h00;
6ª e Sábado - 04h00;
Domigo: Meia-noite.

Le Marais, rua de Sta. Catarina 28. Tel.: 213 467 355

10.9.09

O chato

Não sei bem por onde começar; o princípio nem sempre é o melhor ponto de partida. E a verdade é que eu já ia quase no meio da refeição, num restaurante indiano da Rua da Palma que tem, quanto a mim, a decoração mais original, e gira, de todos os restaurantes étnicos que conheço em Lisboa: imita um pátio alfacinha, com eléctrico - verdadeiro e de época - a servir de balcão.

O pé direito é alto (a gastronomia nem tanto, mas isso fica para depois) e no tecto estão três ventoinhas, felizmente paradas. A refrigeração do local é assegurada por um ar condicionado que funciona mezzo mezzo. Em resumo, o sítio é agradável.

Ele (digo ele porque num grupo de seis pessoas só ele se via: pequeno, rechonchudo, careca emoldurada por cabelos brancos curtos e uma expressão que me fez pensar imediatamente "este gajo é um chato"). Não sou grande fisionomista, o que demonstra que ele o era realmente. Ainda não tinha passado da soleira da porta e já estava a apontar para as ventoinhas e a gritar para a empregada, que estava no outro canto da sala "pode ligar as ventoinhas, por favor? Ligar ventoinhas" - repetia em pidgin; naturalmente, num restaurante indiano as pessoas não podem falar português.

Quando me fui embora, a coisa continuava, no mesmo registo. Que importa o princípio?

4.2.09

Serviço Público - Restaurantes

Lisboa sofre - na minha humilde e subjectiva opinião - de uma notória falta de casas de chá para pessoas que gostam de chá. Hoje, descobri uma: chama-se Ó Chá, fica a 5 minutos da saída do metro de Alvalde e tem uma belíssima lista de chás. Fazem um prato do dia bom a um preço perfeitamente digerível e - é um bónus - tem igualmente uma componente de decoração.

Aconselho vivamente uma visita ao site, porque é quase tão bom como a loja propriamente dita.

Ó Chá - Tea Room
Rua Luis Augusto Palmeirim 18
(Metro: Alvalade)
De segunda a sábado das 12h00 às 20h30.

30.1.09

Serviço Público - Restaurantes

O restaurante O Arco, na rua dos Sapateiros 161, só abre aos almoços - com excepção dos domingos, dia em que está fechado para um mais do que legítimo "Descanso do pessoal". Há três alternativas: um buffet, a 6 euros, que voz amiga e avisada me diz ser "fraquito"; um menu à la carte; e o menu "Lusófono". Deste, só provei o Chacuti, que aconselho veementemente.

O dito chacuti - um dos meus pratos favoritos da comida goesa - pode ser acompanhado pelos melhores achares de Lisboa, por uma ou duas cervejas e precedido por duas chamuças (correctas, sem mais) - tudo a isto a um preço correctíssimo.

O facto de o restaurante pertencer ao senhor que me vendia gelados em Quelimane só acrescenta ao seu charme.

Restaurante O Arco, rua dos Sapateiros 161. Fecha aos Domingos.

28.1.09

Serviço Público - Restaurantes

Uma pessoa (ou duas, neste caso concreto) anda pelas imediações do Chiado à procura de um restaurante onde comer; só lhe aparecem rococós de plástico: conceitos, mesas, toalhas, menus, decorações, sorrisos de plástico. Até as empregadas são de plástico, ou da plástica.

De repente dá de chofre com a Pastelaria - Restaurante "Popular do Capelo", nos nº 8- 12 da rua do mesmo nome. Nem é preciso entrar para ver que se trata de um daqueles bons, velhos, resistentes restaurantes à antiga portuguesa, onde não há uma empregada à vista (se as houver estão na cozinha, o que às vezes até é pena), onde a meia-dose de cozido à Portuguesa chega para uma família de 5 pessoas (enfim, se os três mais novinhos ainda estiverem a biberon e um dos dois mais velhos enfastiado, mas isso é outra questão), e o vinho...

Ah, o vinho; já por aqui o disse, algures: gosto de vinhos, e de mulheres, que deixam um traço, que arranham ao entrar e deixam marcas à saída, que se sentem entre uma e outra. O vinho da casa da Pastelaria - Restaurante "Popular do Capelo" é desses (pelo menos até chegar o cozido. Depois suaviza-se bastante - o que só serve para demonstrar que é realmente boa pessoa).

Fecha aos sábados e domingos - ninguém é perfeito, excepto provavelmente Marilyn Monroe e essa (é porque) já morreu.

18.1.09

Serviço Público - Restaurantes

O caril de camarão e a chamuça andavam pelo Suficiente menos. O Xacúti de Galinha, os paparis, a decoração, o serviço e o preço pelo Bom.

Uma boa morada, que fecha às 2ª-feiras e aos Domingos à noite. Delícias de Goa - Conde Redondo, 2. Tel.: 213 542 668

5.12.08

Serviço Público - Restaurantes

Nunca sei bem por onde começar, nestas circunstâncias. Afinal, quando nos apaixonamos subitamente por uma jovem senhora nunca sabemos se é por ser bonita, ou apesar de o não ser; se por ser muito inteligente, ou muito dinâmica (nunca me apaixonei por nenhuma que não fosse as duas, portanto não sei bem como são as alternativas); enfim: não sabemos bem explicar porque nos apaixonámos, se bem depois (às vezes, muito depois, demasiado depois) a razão nos pareça clara e cristalina como um copo de vodka às seis da manhã.

Felizmente com os restaurantes as coisas são mais simples, muito mais simples. E com a Taberna Ideal mais simples ainda: é impossível não gostar imediatamente daquele espaço, mesmo antes de comer: por causa da decoração, do ambiente, do dinamismo e simpatia da dona. Não se vai a um restaurante apenas para uma experiência gastronómica: se assim fosse, um cubo branco com paredes nuas e um excelente cozinheiro seriam suficientes; não é o caso, todos nós sabemos.

A Taberna Ideal tem alguns defeitos, tal como uma senhora bonita tem um sinal no sítio da face que considera mais interessante (ou a natureza, por ela): mas as qualidades são tantas que pouco tempo ou nenhum perderemos com eles. Vamos antes às qualidades: é bonito e original, não é caro, é bom, a dona é bonita, inteligente e dinâmica (honnît soit...), o serviço é excelente, não é caro, é bom (...estarei a repetir-me?)

Rua da Esperança, 112-114. Fecha às Segundas-feiras. É imperativo reservar (pelo menos às quintas, sextas e sábados ao jantar) e chegar à hora da reserva. Tel.: 213 962 744.

PS - Há uma certa categoria de restaurantes aos quais chamo "parisienses". Não tem nada a ver com a comida (em Lisboa conheço três: um é asiático - Café Malaca-, outro português muito médio - Mercatudo - e o terceiro conheci hoje, é a Taberna Ideal). São, para mim, parisienses por causa do ambiente, por causa da personalidade (por acaso apercebo-me agora que todos eles pertencem a senhoras. Não sei se é uma coincidência; duvido), porque sabem que quando se vai comer a um restaurante não se vai só para comer.

(Enfim, estou apaixonado pela Taberna Ideal e sei explicar porquê: estas são as melhores paixões.)


Adenda - a segunda visita confirma a intuição que provocou a primeira.

Os amores à primeira vista dão normalmente certo quando se trata de amores, e errado no que respeita a restaurantes. A Taberna Ideal é a excepção que confirma a regra (dos restaurantes).

15.11.08

Serviço Público - Leitão

Na Av. da Liberdade há uma cervejaria chamada Quebramar (logo a seguir à Praça da Alegria, quando se desce) que tem o melhor leitão que jamais comi em Lisboa. Como nunca comi um decente, até conhecer a Quebramar, aceito que relativizem. Mas "juro, palavra d'honra, sinceramente vou morrer assim", é muito muito bom.

5.9.08

Um problema clássico

Todos nós (homens. Por uma razão qualquer, vejo esta situação muito menos frequentemente nas mulheres) devemos convidar uma senhora, pela primeira vez, para jantar.

O problema é agudo: onde ir? Levá-la ao restaurante onde vamos todos os dias com as senhoras que não queremos conquistar é insultuoso: a dona do restaurante vai pensar "mais uma" (suportável quando estamos com uma prima particularmente execrável, com uma ex-qualquer coisa, ou com a mulher mais feia do escritório; inaceitável em todos os outros casos). Também não se deve ir a um restaurante onde se vai normalmente sozinho - "olha, este lá engatou uma" é a inevitável reflexão do pessoal menor (e da dona, se estiver por perto).

Hoje descobri um restaurante que pode ser, temporariamente, a resposta. Chama-se Café Buenos Aires, é nas Escadinhas do Duque, nº 31 B, fecha ao domingo e o telefone é 213 420 739.

Quero, por uma vez, fazer uma crítica não subjectiva. Quero uma crítica objectiva - como todos nós sabemos, as únicas que valem a pena. Ora bem: a favor (tendo em vista que o objectivo é convencer uma senhora, jovem e reticente, a jantar connosco):

- a decoração;
- o serviço;
- o hummous (excelente. De muito longe melhor do que o meu);
- o vinho tinto;
- a simpatia das senhoras que servem (e dos senhores, que são menos, também);
- o bife (se fôr menos passado) .

Contra:
- Todas as empregadas poderiam ser nossas mulheres, ou namoradas (mas não amantes. Espero que seja perceptível: é uma qualidade);
- Todas as clientes são excessivamente bonitas - ou a nossa acompanhante está ao nível, ou mais vale ficarmos em casa a ler livros do Henry Miller;
- É demasiado "perfeito";
- As mesas estão demasiado perto umas das outras;
- O lugar é bom demais, e corremos o risco, infeliz e inábil, de nos perdermos nele, em vez de nela;

Café Buenos Aires, Calçada (Escadinhas) do Duque, 31 B
1200-155 Lisboa
Tel.: 213 420 739 (é essencial reservar).

18.8.08

Caçador

Fica na rua da Oliveira ao Carmo, logo ao princípio, do lado das Escadinhas do Duque. O dono parece um urso, mas em careca e ligeiramente menos delicado (inicialmente; depois modifica-se e torna-se bastante amável).

O peixe é excelente, a carne aceitável, e o branco da casa bebível (não é, infelizmente, o caso do tinto). Até fim de Agosto está aberto aos domingos, o que é uma mais-valia.

10.7.08

Um gajo / Restaurantes Lx

Um gajo apanha o táxi para ir jantar e suspeita que tudo está excessivamente mal, ou excessivamente bem, quando à entrada do bairro onde o restaurante fica o chauffeur diz "não gosto deste bairro por razões técnico-estratégicas"; um gajo pensa, claro, que não sabe o que são razões "técnico-estratégicas" mas o chauffeur liga o GPS e leva-o à porta do restaurante sem um ai.

É aí que um gajo pede ao chauffeur de táxi o cartão, porque ele foi porreiro e tudo e etc. e tal e o senhor responde "hoje é o meu último dia de trabalho"; e aí um gajo começa a pensar "será o restaurante bom? Foi-me indicado pelo namorado super-simpático de uma gaja super-bonita (o que só demonstra que Deus não joga aos dados com tudo no Universo) mas será que um gajo vai comer bem aqui"?

A resposta é sim, um gajo vai comer mais do que bem ali; e vai ficar surpreendido no caminho para casa porque passa por uma série de prédios devolutos e a cair de podres e por muito poucas gajas boas e pensa "em Paris seria ao contrário (um monte de gajas boas e poucos prédios devolutos) mas apesar de tudo Lisboa é melhor sob certos aspectos que Paris". O aspecto Tágico, por exemplo: o Tejo em Lisboa é de longe mais bonito e navegável do que o Sena em Paris; ou o aspecto Síntrico: Lisboa está muito mais perto de Sintra do que Paris de qualquer lugar que se veja, incluindo Versailles. Há, claro, este pequeno problema, pensa um gajo, dos prédios devolutos e dos cús bonitos, proporções inversas em Lisboa e Paris, mas que se f..., um gajo pensa que cús (e Sintras) bem podem ficar para depois, enquanto os prédios caírem e Lisboa for tão insuportavelmente bonita, e os cús das lisboetas tão insuportavelmente redondos, altos e firmes e tudo, ao contrário dos prédios devolutos de Lisboa (a diferença entre "vagabundas" e "bundas vagas" sendo, pensa um gajo, a melhor plataforma para discussões sobre semântica, sintaxe e Lisboa).

Um gajo vem a pé para casa porque em Lisboa se pode vir a pé para casa (em Paris também, mas anda-se duas vidas, ou três) e pensa "o simples facto de poder pensar que penso e ando e estou em segurança é uma sorte, e uma falácia; há muito não penso, e muito menos penso que penso e a segurança é ilusória" e aí pensa um gajo que todas as miúdas do restaurante (e mesmo as senhoras) eram giras, o que até nem é frequente num restaurante e todas (até as senhoras) podiam ser namoradas, ou mulheres, que não ficariam nada mal na moldura para fotografias que um gajo comprou há tantos anos e continua vazia.

Um dia um gajo "ouviu" uma senhora dizer "a minha tasca favorita em Lisboa é o Pap'Açorda" (ouviu entre aspas porque não ouviu, na realidade, leu), e pensou "se o Pap'Açorda é uma tasca eu sou a mulher do Papa" e hoje lembrou-se desta história porque esta tasca pode realmente ser a favorita de quem quer que seja desde que quem quer que seja não seja muito pedante, muito;

Porque o Stop do Bairro é quase uma tasca, quase, e come-se duas vezes melhor do que se esperava e paga-se duas vezes menos do que se pensava (o que demonstra que se pensava mal, e que os preços do Stop do Bairro são correctos) e demonstra também que as tascas sabem evoluir (não é sequer objecto de debate, que se f... as tascas e a respectiva evolução). E aí um gajo pensa que se pensasse seria, diz outro gajo, mais fácil, mais fácil, mais rico, ou pelo menos menos pobre.

"Nunca serei rico", pensa um gajo, "enquanto prestar atenção ao cú das senhoras; os cús não enriquecem quem por eles tanto trabalha".

Restaurante Stop do Bairro, rua Tenente Ferreira Durão, 55-A (Campo de Ourique). Fecha às segundas. Não fazem reservas.