29.1.15

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Holandesas, 28-01-2015

Foram-se um computador, um telefone e um bocadinho de ego.

O telefone já voltou; ego faz pouca falta, tenho que chegue; falta-me o computador. Muito. Mas enfim, vou de novo confirmar que "muito" é relativo e que se pode viver com muito menos do que se pensa.

Ego e computador incluídos.

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Procuro activamente uma stew. Se alguém souber de alguém que queira um trabalho em barcos à vela por favor transmita.

O salário não é grande coisa, mas a vida podia ser pior.

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O que me assusta na expressão "trabalho estável" é o adjectivo.

O substantivo (e verbo) é um amor de palavra.

Mesmo que se refira a manutenção de embarcações de recreio.

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Nasci com dois braços esquerdos. Não tenho jeito para trabalhos manuais. Nem apertar parafusos sei.

Mudar de preconceitos é bom. Vê-los progressivamente trucidados pela realidade ainda melhor.

27.1.15

Lauda, laudae

Que inveja tenho de quem sabe cantar laudae.

Se eu soubesse cantaria uma e uma só: à vida e ao vento, ao mar e ao amor.


Ser, não-ser, proporções

É noite e a vida volveu ao normal: tenho  facebook, gmail e DV. Um espaço virtual no não-mundo em que vivo.

Deve ser de uma sensação semelhante que nasceu o mito do tapete voador. É num deles que vivo. Às vezes aos comandos, outras comandado, outras ainda - a maioria - nem uma nem outra.

O que não comanda não se deixa comandar, tal como o que vive não se deixa matar, o que luz apagar, o que voa abater.

Somos o que somos e o que não-somos. Só variam as proporções.

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Holandesas, 26-01-2015

Estou de novo condenado a escrever num telefone portátil: ontem escorreguei a entrar num dinghy e fui para a água. Eu, o telefone que herdei do T.L. e o computador Asus comprado em Galveston.

Os danos são: a) um ego molhado pela água suja da laguna, pesado com a má-consciência de fazer, outra vez, um erro básico e chateado com o dinheiro que a distracção custa (deviam fazê-las mais baratas, ainda que com mais custos intangíveis); b) um telefone portátil no lixo. Pouco grave. Estava previsto; c) um computador portátil idem.

É o pior. Não vale sequer a pena elaborar. E não sei quando poderei comprar outro.

Este deve ter batido o recorde de brevidade de vida: dois meses.

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A semana de charter correu demasiado bem.

Estas coisas pagam-se.

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Falo com o filho do meu melhor e mais antigo amigo (não é uma redundância. É um espanto).

Está na Tanzânia em trabalho. Digo-lhe para ir a Kigoma, onde uma vez sobrevoei um engarrafamento de vinte e cinco quilómetros de vagões de caminhos-de-ferro. Fica nas margens do lago Tanganika.

Fui lá para ver se havia maneira de escoar aquilo tudo mais rapidamente. Não havia.

É preciso imaginar a linha de Cascais cheia de comboios parados para se perceber a dimensão do absurdo.

Às vezes parece-me que vivi. Deve ser uma ilusão, como todas as outras.

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Hoje soube que vou ter mais charters. Provavelmente duas semanas por mês.

Gostaria de ter mais uma: três semanas de trabalho e ums de descanso, em vez de duas de charter e duas de manutenção.

Se calhar é a isto que chamamos vida: a bóia de barlavento chama-se realidade e a de sota sonho, ou desejo, ou o que devia ser e não é.

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Uma promessa é uma promessa e com o meu primeiro salário fui comer ao Bistro Nu.

O meu colombo é melhor, mas mesmo assim foi um grande jantar.

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Os serviços de transporte público em St. Martin (e em St. Maarten - salvo explicitamente contrariado uso-os indiferentemente -) são fornecidos por táxis, buses e gipsies.

Estes operam sobretudo aos domingos, quando há menos buses e cobram os mesmos preços, apesar de terem menos custos e - regra geral - menos capacidade.

Tenho uma enorme simpatia por eles, tanto mais que os chauffeurs de bus são geralmente antipáticos.

Hoje porém vi um fazer uma coisa e quase mudei a minha percepção: numa paragem (das quais algumas têm lugar designado e a maioria depende do driver please stop gritado pelo passageiro que quer descer) o condutor parou a carrinha de modo a bloquear o trânsito que vinha no sentido oposto, para que o passageiro - um miúdo - pudesse atravessar a estrada em segurança.

Começo a gostar desta ilha, o que é tão agradável como inesperado.

Retratos quase reais

Uma sublime velhaca: não havia maldade na sua velhacaria.

Não é por crueldade que o sol nos queima, ou a escuridão nos impede de ler.

17.1.15

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Holandesas, 16-01-2015

As marés metafóricas não mudam como as reais, com uma precisão lunar, previsivelmente. São irregulares, repentinas, avassaladoras. A minha mudou hoje. Acabou a vazante, começou a enchente.

E que enchente. Fui pago e amanhã começo uma semana de charter. Vou às BVI, um arquipélago no qual não gostaria de viver mas onde gosto de ir. Ainda não sei o percurso: é charter à cabine, versão marítima de conduzir autocarros.

O que demonstra quão melhor é tudo o que é marítimo: até conduzir autocarros é bom.

16.1.15

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Holandesas, 15-01-2015

Hoje a prelecção de Francesco começou pelos preços das coisas. No lado francês são muito mais baratas, coisa que Francesco não compreende, não aceita e contra a qual se revolta. E me revolta.
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Agora vai no vegetarianismo; veganismo; o tio dele e respectivo pai; um gajo qualquer que tem cancro e o tratou com comidas naturais devido ao conselho de um "quase guru" (sic) indiano.

Coisas que não aparecem na televisão porque é preciso comprar gorduras, etc. e enriquecer as empresas que querem ganhar dinheiro matando-nos, etc.

Digo que sim a tudo. Posso não ser um ouvinte atento mas sou fácil. Não contesto, não respondo, Não por falta de educação ou de interesse, muito longe disso. Mas porque acho pena interromper um fluxo de palavras tão bonito, tão largo, tão tranquilo, no fundo.

(Isto dito, Francesco come carne e aceita o vinho que lhe ofereço. Mas sabe que "quando morrer não culpará ninguém se não ele próprio").

Os temas já variaram bastante, entretanto. Agora está a falar da mãe e da cozinha dela. A garrafa de Frontera que comecei no início do jantar - isto é, incluíndo o cozinhar - e da qual lhe ofereci dois copos está quase a acabar.

Transpiro abundantemente, em partes iguais devido ao picante, ao silêncio do Francesco (calou-se para comer e o silêncio é abafador) e ao calor na cozinha da Little Crew House.

Talvez não seja em partes iguais. Francesco tira a camisa, o que num gajo magro quase esquelético é sinal de calor a sério.

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Vou para a varanda fumar o cigarro que troquei por um dos copos de vinho. A varanda tem muitas vantagens: vento, Sirius, posso estar descalço sem pensar que estou a andar em cima de uma porcaria qualquer (o chão é de madeira, à moda caribenha, tábuas afastadas para escoar a água da chuva). E tem Ph., o homem que ontem estava aflito porque só tinha cem dólares, quantia com a qual me sinto quase rico.

"Estoy borracho. Desculpame" (falamos espanhol. Ele vive em Mallorca). "Por amor de Deus, Ph." não lhe respndo. "Ontem foi a minha vez".

A varanda está voltada a Sul. O vento entra pela esquerda. Sirius está a Sueste. É o único astro que se vê. Ph. foi para o quarto, Francesco idem. Volto para a cozinha. Ainda tenho um copo de vinho, e não consigo escrever bem (nem mal, de resto, como é mais frequente) na varanda, porque não há mesas. Há sofás confortáveis onde me posso sentar e esticar as pernas.

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Penso muitas vezes na reforma. Tenho duas alternativas: um cancro benfazejo ou o mar.

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Fui trabalhar para o C. e por conseguinte consegui comprar comida. Fiz uma espécie de caril com o peixe que me sobrava. Não consigo imaginar-me a pedir crédito ao chinês (ou à chinesa. Ele não fala uma palavra de inglês). À Olivia do Lagoonies é mais fácil.

Não é por racismo, claro - quando muito seria por socialismo - mas não deixo de pensar que é irónico: se a senhora soubesse de certeza me pediria para ser o mais racista possível.

(Francesco acha que são "ladrões autorizados" e que eu devia andar quinze minutos, depois do trabalho, para ir ao supermercado grande do lado francês, poupar dinheiro nas compras e ganhar em qualidade. Eu não. Estou-lhes grato por serem do outro lado da rua, por terem leite e gengibre e frango, peixe ou carne picada congelados, ovos, bacon, sal e azeite. E vinho. Nunca lá comprei utras coisas, que assim de repente me lembre).

E sabonetes. Hoje comprei um, enquanto não chegam os sabonetes / shampoos da Grão da Terra. É um luxo, eu sei, importar sabonetes artesanais do Alentejo.

Como dizia M., ontem "sê gentil contigo". Sou.

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Não tenho medido o nível de coiso no sangue. A julgar pelo tinitus deve andar na estratosfera. Bom proveito. Pelo menos adoça-a.

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O Lagoonies fechou, o vinho acabou, o tinitus urra, a loiça pede-me insistentemente que a lave, para ir dormir.

Daqui a pouco estarei a dormir. Há pessoas que não gostam de viver ao dia a dia, Acham desestabilizante, ou coisa que o valha. Eu gosto; mas não é ao dia a dia. É ao sono a sono.

15.1.15

Os outros; nós

Porque é que cada mulher fantástica que conheço tem um marido detestável?

Serei detestável, eu tambèm?

(Sou. Eu sei. Mas não é isso que quero dizer).

Mar

Se eu soubesse desenhar transformaria esta fotografia num desenho.


Erros, eros

Por onde começar? Pela cabeça - coitada? Pelos pés, tão apertados?

Por onde acabar?. Como foder uma asneira? Pô-la por cima? Por baixo? Ao lado?

A única maneira de conviver com um erro é deixá-lo foder-nos. No outro sentido a coisa não funciona: um erro é uma entidade autónoma, independente, masculina.

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Hlandesas, 14-01-2015, cont. cont.

And then suddenly un oiseau s'est échappé de sa cage e o G. come a sua comida vegetariana e eu, cujo ego levou um arrombo hoje (e a V. disse "ainda bem, os egos todos precisam de vez em quando de ser amachucados") tento compreender o dia.

Não é fácil.

Espetei-me num barco fundeado. Ponto final. Não tinha o motor de bombordo e A. não me ajudou com o dinghy. Mas isso são merdices. Punhetas.

Agora estou a beber esta merda. Daqui a pouco vou fodê-la.

Depois se vè, como diz o cego à mulher. Que é surda, coitada.

Diário de Bordos - Marigot, St. Martin, Antilhas Francesas, 14-01-2015 - Cont.

Uma das minhas avós ensinou-me, aos dezoito anos, que não se deve confundir amor, casamento e sexo. Eu era demasiado novo para perceber a lição, claro.

A mesma avó dizia-me que a única maneira de resolver problemas era dormir com eles. Também levei algum tempo a perceber.

A única - ou pelo menos a mais eficaz - maneira de resolver problemas é fodê-los. E quanto mais os problemas sabem, ou gostam de foder (é quase a mesma coisa) melhor é.

Na verdade, sei agora, talvez seja mesmo a melhor maneira de seleccionar problemas: os que não merecem ser fodidos não devem sequer ser considerados.

14.1.15

Diário de Bordos - Marigot, St. Martin, Antilhas Francesas, 14-01-2015

Não sei o que o dinheiro faz à felicidade; mas sei o que a ausência dele faz à ausência dela: potencia-a. A culpa é minha, claro: deixo sempre a corda ir até ao último nó, o elástico até ao milímetro antes de rebentar. Ontem Ph. dizia-me na Little Crew House que não tinha dormido bem. Estava à espera que o armador lhe enviasse dinheiro. Já só lhe restavam cem dólares. Eu tenho dez, disse-lhe. Mas estava a exagerar. Na verdade tenho quatorze.

E J. perguntara-me se precisava de dinheiro. Disse-lhe não. Esperava ter o cheque da empresa hoje, mas ainda não foi desta.

A transferência do Ph. chegou hoje de manhã. Espero que o meu cheque chegue depressa, ele também. Estou cansado do trabalho e farto deste problema do dinheiro. Amanhã não trabalho nem que a frota seja engolida numa vertigem de avarias, num abismo de problemas a resolver.

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Trabalhar na manutenção de embarcações tem duas desvantagens: o salário é relativamente baixo e o trabalho exigente fisicamente. E uma grande vantagem: não há melhor maneira de ficar a conhecer barcos do que mexer-lhes nas entranhas. E quando, como aos fins-de-semana, é sob pressão (entre as nove da manhã e as cinco da tarde temos de os reparar) ainda mais.

É preciso uma enorme capacidade de improvisação, flexibilidade tanto física como mental, saber gerir a pressão. Qualidades boas, prazerosas.

Apesar disso tudo, preferia estar no mar.

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Escolher um sítio para almoçar é resolver uma equação com quatro variáveis: a qualidade da comida, o seu preço, existência ou não de wi-fi e a taxa de câmbio do dólar.

A ordem não é necessariamente esta; ou pelo menos sempre esta. Acabo invariavelmente no Sous-marin, que responde favoravelmente a três dos quatro critérios.

À noite a equação é mais simples: por defeito cozinho na Crew House; se não tenho dinheiro, janto no Lagoonies. Uma das curiosidades da vida na parte inferior do leque de rendimentos é que se acaba por gastar mais, pelas razões mais inesperadas.

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À tarde o vento cai, diz a meteorologia. Espero que sim. Gosto de vento, mas esta última semana tem sido insuportável. Vinte e cinco, trinta nós todos os dias, permanentemente acaba por cansar.

Manobrar na Marina Fort la Royale nestas condições exige uma concentração e um cuidado excepcionais, cansativos.

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Tenho um novo colega de quarto. É preciso reconhecer a boa sorte: tal como o Ernesto Edwin é cuidadoso, educado, não faz barulho. Ao menos isso.

Se me apanho numa casa nem acredito. Ou num barco. Ou no mar, a mil milhas do porto mais próximo. É o melhor lugar do planeta.

Ou o único.

13.1.15

Desajeito. Tolerância

Pronto, yes, sim, oui, da. Vamos deixar as palavras fugir, como se fossem veados a escapar de um aquário, mosquitos de um sítio sem luz, eu de um  bar com a música demasiado alta.

Vamos pensar em palavras. Ao acaso: música. Bullshit. Vinho. Vinho outra vez.    

Mar. Intolerância: deve o mar acolher pessoas que não são marinheiras? Não, claro. Sim. Não suporto elefantes no mar. Como será uma foca em terra?

Como eu quando estou em terra. Desajeitada.

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Holandesas, 12-01-2015

Dia trinta de Janeiro vou à Florida buscar um barco e levá-lo até Antigua. Uma embarcação feita para a America's Cup (perdeu), agora transformada para charter.

Parece-me uma boa maneira de regressar a Antigua.

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Mais um dia de loucos. O jovem local com quem trabalho só fez asneiras. Do princípio ao fim, e não só profissionais.

Que sorte tenho com os meus filhos: apesar do pai que têm saíram bem-educados. O meu obrigado à Mãe deles é absoluto, eterno.

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No Lagoonies - e para além dele - trava-se uma feroz batalha entre a fome, o barulho (ou música) e a falta de dinheiro.

Estou cheio de fome, tenho de lá comer porque é lá que tenho crédito mas a música - ou melhor, o seu nível - é insuportável.

O princípio do fim deste calvário é amanhã, creio. Enfim, dizem-me. E eu acredito. De pouco me serviria não acreditar. C., o chefe de base é um tipo decente, vê-se à légua. E A., a responsável pelo departamento técnico, uma mulher admirável.

Às vezes penso descrever um dia de trabalho, mas depois parece-me que para os leitores deve ser uma seca incompreensível. Ou então que vão pensar que estou numa casa de doidos, e o que faço é o equivalente aquático de senhores a passear no Júlio de Matos com um funil na cabeça.

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A música da pequena banca de drogas não é tão boa como a do Lagoonies - não chega sequer a ser música - mas está mais baixo. Só por isso merece um obrigado. Só lamento que não vendam comida. A crédito, claro.

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Tenho estado sozinho no quarto, mas hoje chegou uma pessoa. Não sei por quanto tempo. De qualquer forma C. vai para a água amanhã, de maneira é provável que eu possa finalmente mudar-me em breve. Que bom seria.

Viver nm barco na marina de Fort Louis, enquanto espero a viagem para Jacksonville. O céu não deve ser muito diferente.

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Vir para St. Martin em vez de voltar para Lisboa, como tinha planeado, não foi uma decisão fácil. É táo fácil enganarmo-nos.

E tão bom.

12.1.15

Com princípio sem fim

Amanhã partimos para ontem ou hoje. E se partirmos hoje vamos para amanhã. Esqueçamos ontem.

O destino depende da partida: é por isso que ontem nunca acaba. Os dias todos: começam mas não acabam, como as viagens, as vidas e alguns amores.

Nougaro

Uma vez trabalhei num bar em Genève chamado Moulin à Danses. MAD. Moulin.

Numa altura em que praticamente não havia discotecas em Genève - e as que havia eram péssimas - o Moulin era uma espécie de porto de abrigo, símbolo de status, ponto de encontro. Era um clube privado e mais difícil lá entrar do que num harém.

De barman às vezes. Outras servia às mesas. Acabei por ser despedido: um dia um cliente bêbedo agrediu alguns clientes e uma empregada com uma faca e eu bati-lhe. Demais, no dizer dos pacifistas que dirigiam a coisa.

Uma vez o Claude Nougaro foi lá cantar. Não tinha grande estima pelo homem: alguns anos antes ouvira-o em La Chaux-de-Fonds cantar música brasileira e não achara que as canções - nessa altura conhecia-as de cor - ficassem a ganhar com a tradução para francês.

Estava de barman. Quando o concerto acabou o Nougaro veio ao bar pedir uma bebida. Ficámos na conversa, não sei se por causa desta canção. Espero que sim.

Falámos a noite toda, ele ao princípio ligeiramente mais bèbedo do que eu. Lembro-me de que tinha um complexo por ser baixo, e de que a Ile de Ré ficou, para sempre, uma das minhas canções favoritas.

Se calhar já era, não sei.






Jé estive aí

Não sei por que raio de carga de água penso agora na relação entre os países comunistas e o marxismo.

Ou na ausência de relação: nenhum país comunista representava o verdadeiro marxismo. Todos sem excepção eram deturpações. O verdadeiro marxismo mostraria ao mundo o que na verdade é ser marxista.

11.1.15

Definição

Boa música é aquela que te impede de ir dormir quando estás cheio de sono.

Ou de rum, é quase a mesma coisa.

Piadas

Tenho duas piadas para os senhores da imigração dos diferentes países por onde passo. Uma é a morada: avenida da Liberdade, nº 1, Lisboa, Portugal (não sei quem lá mora, mas desde já as minhas desculpas). A outra é a profissão: travel writer.