Adormeci e fui parar a Famalicão. Pelo menos cheguei directamente a S. Bento, uma hora e meia depois do previsto e onze euros mais caro do que o que poderia ter pago. Outra vantagem: prefiro um comboio em movimento a uma esplanada, ainda que seja ao lado da estação, bonita a luz do fim do dia, agradável a temperatura, bom o vinho verde e linda a empregada (uma - soube-o mais tarde - lituaniana alta, magra, loira e sorridente. Conjunto que raramente falha numa mulher).
O restaurante chama-se Tapabento. Já foi uma tasca; agora não é (mas tem uma à esquerda e outra à direita). Parece bom. Na mesa atrás de mim está um casal francês que vive na Guadeloupe e um senhor inglês agora residente na Tailândia (não sou curioso e sou surdo, mas a esplanada é pequena e o senhor francês fala alto). Todos deliciados com as tapas que comem.
Não percebo por que raio de carga de água chamam tapas aos petiscos, mas enfim.
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Belíssima imagem do Porto, de resto. Mudou muito e em tudo menos no essencial.
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Aveiro também mudou, mas estive pouco tempo lá. gostei de ver os canais arrumados, limpos, cheios de moliceiros a passear turistas.
Salvo dois ou três sítios nada me indicou que já ali vivi um ano. Em 1981 ou 82 é certo:terá havido vida no passado?
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A viagem de Évora a Aveiro faz-se num instante: cinco horas, dois jornais, uma sesta e um lanche medíocre na estação do Oriente.
Não há estação no Universo mais feia e menos prática do que aquela. Talvez seja bonita por fora; fotogénica. Mas o interior é um pesadelo cinzento, opressor. Parece uma teia de aranha desenhada por um aprendiz de Piranesi.
Apesar disso e enquanto como o pior lanche da minha vida ocorre-me que devia escrever um manual sobre a sorte. Ou talvez sobre a inconsciência: só uma ou outra conseguiriam explicar porque me sinto tão feliz, apesar de não ter um tostão.
E não sou daqueles que pensam que o dinheiro não faz a felicidade; faz. Não a compra, o que é diferente.
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Pergunto a mim mesmo se as pessoas que pensam que a saúde é um direito natural e deve ser gratuita trabalham de borla para os médicos, enfermeiros e respectivos auxiliares, hospitais, centros de saúde farmacêuticas e todos os fornecedores de tudo o que a medicina envolve.
31.8.15
Banalidades de base
Fala-se muito na banalidade do mal e no mal da banalidade; menos na banalidade do bem e no bem da banalidade. Os quais todavia são pelo menos tão frequentes como os primeiros.
Cada vez gosto mais da banalidade e a ela aspiro como uma nuvem que se derreia em chuva. A vida um largo rio tranquilo entre duas margens banais, esmagadoras de tão banais.
Cada vez gosto mais da banalidade e a ela aspiro como uma nuvem que se derreia em chuva. A vida um largo rio tranquilo entre duas margens banais, esmagadoras de tão banais.
30.8.15
Voltas, Évora
Évora é uma cidade circular. Literal, não metaforicamente. Gosto de cidades circulares, de saber que para ir de onde estou para onde quero ir ou vou no sentido dos ponteiros do relógio ou no sentido contrário (sentido directo, para quem se interesse por estas coisas. Aquele chama-se sentido retrógrado, um bocadinho contraditoriamente).
Claro que se pode também cortar a direito, traçar uma diagonal, mas dada a configuração das ruas essa opção é quase sempre mais demorada do que ir à volta.
A qual volta tem uma vantagem adicional: se se a completar regressa-se a onde se estava a última vez que aqui se esteve.
Claro que se pode também cortar a direito, traçar uma diagonal, mas dada a configuração das ruas essa opção é quase sempre mais demorada do que ir à volta.
A qual volta tem uma vantagem adicional: se se a completar regressa-se a onde se estava a última vez que aqui se esteve.
Idade
A partir de certa idade querer ir para a cama com uma senhora é uma consequência e não mais uma causa.
Chama-se a essa idade a idade certa.
Chama-se a essa idade a idade certa.
29.8.15
Diário de Bordos - Lisboa, 29-08-2015
Vou comprar os jornais, beber um café e comer um croquete à Versailles. O ar está fresco, limpo, a rua vazia. É pela manhã cedo que se amam as cidades e as mulheres.
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Namoridos: ouvi ontem pela primeira vez esta expressão, mistura de namorado e marido. Deve haver poucas palavras que dêem tanta vontade de casar como esta.
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Planeamento de longo prazo: sei o que vou fazer e onde vou estar nos próximos dois meses.
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Namoridos: ouvi ontem pela primeira vez esta expressão, mistura de namorado e marido. Deve haver poucas palavras que dêem tanta vontade de casar como esta.
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Planeamento de longo prazo: sei o que vou fazer e onde vou estar nos próximos dois meses.
28.8.15
Bom melhor óptimo
Ia escrever "Já tive as melhores e as piores mulheres do mundo" e depois descobri que não é verdade. Só tive as melhores.
Aquelas que eu pensava serem as piores eram simplesmente outras das muitas formas do bom.
Santuário portátil, sacrário: Tabernáculo
Este bar vai abrir em breve e quando abrir será, não tenham a menor dúvida, o melhor de Lisboa (não conto, claro, o Procópio na categoria "Bares de Lisboa" porque primeiro o Procópio não é um bar, é uma casa; e Segundo não é de Lisboa é doutra galáxia que por acaso aterrou em Lisboa. O Procópio é a melhor casa do Universo e não se pode portanto comparar a outros estabelecimentos aparentemente semelhantes).
Fica na Rua de S. Paulo, pertence ao meu irmão Hernâni e eu estou chateadíssimo por não poder estar cá quando ele inaugurar aquilo.
PS - Tem rum. Varadero 7 anos.
26.8.15
Jim
- Só consigo apaixonar-me por uma mulher que me obrigue a escrever - Jim fez uma pausa, sorveu o whisky como se aquilo o enjoasse (aquilo podendo ser o whisky ou o que acabara de dizer) e olhou para mim. Parecia que se perguntava de onde me conhecia. - Não! Por uma que me faça escarrar as palavras, cuspi-las, que mas arranque como dentes, sem anestesia.
Jim é meu tripulante há dois anos. É um escocês alto, ruivo e atormentado. Nunca o vi bêbedo no mar nem sóbrio em terra. A miúda a quem ele se referia é uma italiana bonita, professora de literatura inglesa na universidade local. Encontrámo-la anteontem num concerto ao ar livre, uma dessas organizações nas quais as câmaras municipais gastam dinheiro que não têm para fazer os munícipes esquecer a maneira como o dinheiro deles é dilapidado (isto dito o concerto foi óptimo, música clássica árabe tocada por um grupo grande de músicos, todos eles bons).
Estava ao pé de nós; Jim convidou-a para beber um copo quando aquilo acabou. Anuíu. Fomos a um bar ali ao lado, um antigo clube desportivo que agora compõe a vasta panóplia de bares da praça, recentemente reabilitada.
Nunca nestes dois anos vi Jim envolver-se afectivamente com quem quer que seja. Normalmente arranja uma mulher que leva para bordo e fode vigorosa e competentemente (há coisas que num monocasco de cinquenta pés não se podem ignorar). No dia da largada, quando começa o processo de desengrossamento já esqueceu o nome da senhora.
- Percebes? - O monólogo continua. - Cada vez me chateia mais ir para a cama com uma mulher só por ir.
- A sério? Não se nota, Jim - o sarcasmo passa-lhe ao lado. Fala consigo próprio, como se escolhesse os dentes que amanhã vai pôr no papel.
- Não são os olhos. Não são os lábios - faz uma pausa. - Não são as mamas. Quero dizer, não são as mamas - (Paola tinha um belíssimo conjunto delas. Percebi claramente a hesitação de Jim). - É tudo. Tudo. A pele.
Jim escreve bem. Já por mais de uma vez tive de lhe dizer que o Livro de Bordo não é o suporte adequado para escrita criativa e implorar-lhe que escreva num caderno que deixo ao lado com esse fim. Escreve claramente, tanto descreve as pessoas que encontramos como um amanhecer no mar de uma forma límpida, escorreita, sem floreados. Nunca me pareceu que precisasse de alguém para o forçar a escrever.
Ontem perguntou-me se podia convidar Paola para jantar. Disse-lhe que sim, desde que não fizesse haggis (é inútil. Gosta tão pouco daquilo como eu). Não bebeu uma gota de álcool o dia todo. O jantar correu bem. Fez um lombo de porco com tapenade, um dos meus pratos favoritos. Bebeu pouco. Paola é uma companhia adorável, Sabe conversar; quando não está de acordo com qualquer coisa mantém o seu ponto de vista e defende-o com firmeza mas sem agressividade. É bonita. Veste-se bem, com gosto e sem ostentação.
Percebi que em breve terei de começar a procurar outro tripulante e vim dormir para um hotel. Convivo bem com o barulho do sexo, mas não suporto o do amor.
Jim é meu tripulante há dois anos. É um escocês alto, ruivo e atormentado. Nunca o vi bêbedo no mar nem sóbrio em terra. A miúda a quem ele se referia é uma italiana bonita, professora de literatura inglesa na universidade local. Encontrámo-la anteontem num concerto ao ar livre, uma dessas organizações nas quais as câmaras municipais gastam dinheiro que não têm para fazer os munícipes esquecer a maneira como o dinheiro deles é dilapidado (isto dito o concerto foi óptimo, música clássica árabe tocada por um grupo grande de músicos, todos eles bons).
Estava ao pé de nós; Jim convidou-a para beber um copo quando aquilo acabou. Anuíu. Fomos a um bar ali ao lado, um antigo clube desportivo que agora compõe a vasta panóplia de bares da praça, recentemente reabilitada.
Nunca nestes dois anos vi Jim envolver-se afectivamente com quem quer que seja. Normalmente arranja uma mulher que leva para bordo e fode vigorosa e competentemente (há coisas que num monocasco de cinquenta pés não se podem ignorar). No dia da largada, quando começa o processo de desengrossamento já esqueceu o nome da senhora.
- Percebes? - O monólogo continua. - Cada vez me chateia mais ir para a cama com uma mulher só por ir.
- A sério? Não se nota, Jim - o sarcasmo passa-lhe ao lado. Fala consigo próprio, como se escolhesse os dentes que amanhã vai pôr no papel.
- Não são os olhos. Não são os lábios - faz uma pausa. - Não são as mamas. Quero dizer, não são as mamas - (Paola tinha um belíssimo conjunto delas. Percebi claramente a hesitação de Jim). - É tudo. Tudo. A pele.
Jim escreve bem. Já por mais de uma vez tive de lhe dizer que o Livro de Bordo não é o suporte adequado para escrita criativa e implorar-lhe que escreva num caderno que deixo ao lado com esse fim. Escreve claramente, tanto descreve as pessoas que encontramos como um amanhecer no mar de uma forma límpida, escorreita, sem floreados. Nunca me pareceu que precisasse de alguém para o forçar a escrever.
Ontem perguntou-me se podia convidar Paola para jantar. Disse-lhe que sim, desde que não fizesse haggis (é inútil. Gosta tão pouco daquilo como eu). Não bebeu uma gota de álcool o dia todo. O jantar correu bem. Fez um lombo de porco com tapenade, um dos meus pratos favoritos. Bebeu pouco. Paola é uma companhia adorável, Sabe conversar; quando não está de acordo com qualquer coisa mantém o seu ponto de vista e defende-o com firmeza mas sem agressividade. É bonita. Veste-se bem, com gosto e sem ostentação.
Percebi que em breve terei de começar a procurar outro tripulante e vim dormir para um hotel. Convivo bem com o barulho do sexo, mas não suporto o do amor.
25.8.15
Silke
Ela ia descer do comboio no Entroncamento e desafiei-a a vir até Lisboa. Disse que sim, passámos o resto do trajecto a falar não sei de quê e mal chegámos fomos para minha casa para o meu quarto para a minha cama e fizemos amor a noite toda, um amor selvagem, não violento mas feroz, impetuoso, bravo como se fôssemos dois soldados de regresso da guerra como se estivéssemos a lutar e não a amar como se estivéssemos possuídos e não a possuir, como se adivinhássemos que uma vez passada aquela noite nunca mais nos veríamos e quiséssemos exorcizar tal desgraça.
Saí de manhã cedo, ainda ela estava a dormir. Deixei-lhe um bilhete: "Podes ficar até quando quiseres. Beijo. Pedro" e fui-me embora, nessa altura tinha um barco em Belém, peguei nele e naveguei para Oeste. Passei os Açores, voltei para trás, pouco antes de chegar a Lisboa virei para Norte até quase ao meio da Biscaia, voltei para trás porque já não tinha comida a bordo. Parei em La Coruña, comprei mantimentos, embebedei-me e quando acordei estava no mar outra vez, para Sul. Atraquei em Belém quase três semanas depois de ter largado. Foi assim que descobri que sou um idiota, certeza essa que me tem acompanhado desde então.
Ela não deixara resposta para além do nome, por baixo do meu: Silke.
Saí de manhã cedo, ainda ela estava a dormir. Deixei-lhe um bilhete: "Podes ficar até quando quiseres. Beijo. Pedro" e fui-me embora, nessa altura tinha um barco em Belém, peguei nele e naveguei para Oeste. Passei os Açores, voltei para trás, pouco antes de chegar a Lisboa virei para Norte até quase ao meio da Biscaia, voltei para trás porque já não tinha comida a bordo. Parei em La Coruña, comprei mantimentos, embebedei-me e quando acordei estava no mar outra vez, para Sul. Atraquei em Belém quase três semanas depois de ter largado. Foi assim que descobri que sou um idiota, certeza essa que me tem acompanhado desde então.
Ela não deixara resposta para além do nome, por baixo do meu: Silke.
Conselho: princípes
Um conselho às inúmeras senhoras que encontro por esse mundo fora à espera de um princípe encantado: um princípe desencantado é muito melhor.
24.8.15
Almoço improvisado - Miscelânea de chouriços com legumes
Comecei por fritar os diferentes chouriços num bocadinho de azeite; na gordura que daí resultou refoguei cebola, pimento e rabanetes, por esta ordem - uns cortados às rodelas finas, os outros cortados em bocados nem grandes nem pequenos.
Uma vez fritos chouriços, cebola, pimento e rabanetes fiz o mesmoa duas beringelas cortadas em fatias. As quais foram fazer companhia aos colegas numa panela, mais quatro ou cinco tomates pequenos devidamente cortados e descaroçoados.
Juntei água, coentros secos, orégãos, tomilho (faltou louro, não teria perdido nada. Muito antes pelo contrário) e deixei cozer um bocadinho.
Resultou um almoço agradável, veranil, cujos restos serão comidos amanhã frios porque quase faz alembrar uma ratatouille. Quase.
Uma vez fritos chouriços, cebola, pimento e rabanetes fiz o mesmoa duas beringelas cortadas em fatias. As quais foram fazer companhia aos colegas numa panela, mais quatro ou cinco tomates pequenos devidamente cortados e descaroçoados.
Juntei água, coentros secos, orégãos, tomilho (faltou louro, não teria perdido nada. Muito antes pelo contrário) e deixei cozer um bocadinho.
Resultou um almoço agradável, veranil, cujos restos serão comidos amanhã frios porque quase faz alembrar uma ratatouille. Quase.
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Receitas
Fragmento
"Dieu a été généreux avec moi: ce qu'il ne m'a pas donné en fric m'a restitué en bonheur. Je sors gagnant."
Palavras, redescoberta, vida
De repente redescobri as palavras. Penso que percebem o que quero dizer: é como estar muito tempo debaixo de água, vem-se à superfície e inspira-se como se a atmosfera toda entrasse em nós e fica-se bêbedo de ar.
Sou um rapaz temperado, detesto os excessos excepto aqueles de que gosto demasiado para fingir que sou temperado mas os outros, sem os quais posso passar, dispenso-os facilmente.
É por isso que gosto de redescobrir as palavras assim tão subitamente, em excesso e não me importo nada de as perder outra vez. Aquele momento à tona de água em que a vida entra em nós e nós somos a vida e a ausência de palavras se esvai em segundos dura uma vida.
Sou um rapaz temperado, detesto os excessos excepto aqueles de que gosto demasiado para fingir que sou temperado mas os outros, sem os quais posso passar, dispenso-os facilmente.
É por isso que gosto de redescobrir as palavras assim tão subitamente, em excesso e não me importo nada de as perder outra vez. Aquele momento à tona de água em que a vida entra em nós e nós somos a vida e a ausência de palavras se esvai em segundos dura uma vida.
Jantar improvisado - ovos mexidos com cebola, pimento e gengibre
Numa frigideira refoguei cebola salpicada com gengibre raspado fino; acrescentei bastantes coentros picados finos também, que isto ou há moralidade ou se picam todos, e pimento encarnado, se bem essa não seja a minha cor favorita. À falta de pimentos azuis faz-se o que se pode.
Bati os ovos com queijo picado - pena não ter sido queijo da ilha - paprika e os inescapáveis cominhos secos.
Depois baixei (ainda mais) o lume, misturei tudo e fui mexendo devagar até estarem os ovos contentes. Isto é: antes de secarem.
No frigorífico havia um branco redondo que se juntou à festa e foi isso mesmo - uma festa.
Bati os ovos com queijo picado - pena não ter sido queijo da ilha - paprika e os inescapáveis cominhos secos.
Depois baixei (ainda mais) o lume, misturei tudo e fui mexendo devagar até estarem os ovos contentes. Isto é: antes de secarem.
No frigorífico havia um branco redondo que se juntou à festa e foi isso mesmo - uma festa.
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Receitas
Instruções
Não se salta nem de uma embarcação nem de um sonho. Desce-se, como se o sonho estivesse tão próximo da vida como o barco deve estar do cais antes de dele sair.
23.8.15
Navegar, como se
Vou navegar por essa liberdade fora como se pedalasse as estradas do teu corpo, como se nos navegássemos os dois felizes e livres, como se as estradas e o mar e o vento fôssemos nós, como se um sonho parisse um mundo e o respectivo tempo, como se a vida e o futuro fossem feitos de um olhar e um sorriso. Os teus.
Haver, não haver
De todos os lugares não há um lugar, há muitos. De todos os dias, todas as luzes, horas. De todas as mulheres não há mulheres, hás tu.
Excesso e temperança
Dia lindo: calor mas não demasiado, vento, núvens e sol idem, tráfico e gente em quantidades moderadas.
Só pode fazer a apologia do excesso quem conhece as virtudes da mediania.
Só pode fazer a apologia do excesso quem conhece as virtudes da mediania.
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