30.6.16

Diário de Bordos - Lisboa, 30-06-2016

Ontem fui à inauguração do MAAT. A julgar pelos fotógrafos, cameramen e semelhante a fauna presente era do topo da pirâmide. Reconheci um antigo político, um senhor cujo grande mérito foi ter instituído uma taxa sobre o equipamento electrónico.

Havia quatro exposições, todas elas bastante boas - sei que uma mostra é boa quando está cheia de peças de que não gosto e mesmo assim lhes reconheço o valor -; mas a minha favorita foi Lightopia, cujo tema é a iluminação. Vasta, pedagógica, com um leque bastante alargado de subtemas. As outras têm aquela estranha característica da arte moderna: fazem coabitar lado lado a lado coisas totalmente desinteressantes com peças bonitas ou estimulantes ou os dois. Li recentemente uma entrevista do senhor que vai dirigir o museu e esta visita confirma o que então pensei: o homem sabe do que faz.

Tal como se confirma a minha indiferença face ao "topo da pirâmide". Um gajo vale pelo que sabe, não pelo nome que tem, o cargo que ocupa, a massa que tem no banco ou qualquer outro critério. A hierarquia do saber é a única que respeito. As outras são ar quente.

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Porcaria do Ménière não me larga. A continuar assim logo não poderei sair de casa. A doença mete nojo, é desprezível, uma traição. Ontem acordei assim e fui melhorando ao longo do dia. Espero que hoje aconteça o mesmo.

De momento faço como se tudo não passasse de uma ilusão. Ou melhor: tento fazer.

29.6.16

Receita - Chilli con Carne

Hoje fiz um chilli con carne. Acabo de o provar e parece que ficou mais ou menos.

Foi assim, mais coisa menos coisa:

Refogar cebola, pimentos e algumas malaguetas (se alguém souber onde comprar jalapeños em Lisboa agradeço a dica);
Numa frigideira à parte fritar a carne;
Ao refogado acrescentar tomate e deixar cozer um bocado;
Findo o qual se lhe junta a carne e as especiarias:
- Paprika;
- Cominhos;
- Coentros em pó;
- Orégãos;
- Pimenta (e sal, claro);

Pôr bastante água e deixar cozer cerca de quatro horas, a lume baixo.
Quase no fim juntar uma cerveja e um pouco de feijão encarnado.

Idealmente servir no dia seguinte, se lá chegar.

Que grande maçada!

O problema disto tudo é que o mundo não pára. Lamentavelmente continua a girar e o tempo com ele. Pode um gajo estar cansado, descobrir como descobri ontem que afinal as consequências da queda foram piores do que me haviam dito no hospital quando fui operado, ter vontade de reembobinar a cassette e pôr outra a tocar.

Não tenho férias agora. Deve ser isto que se designa por "uma grande maçada".

Diário de Bordos - Lisboa, 29-06-2016

Isto começa a ficar difícil. Passa das duas e meia da manhã e faz mais de hora e meia que espero a "análise do TAC". Talvez o termo não seja análise. Não me lembro. Estou morto de sono e de frio, cansado e os múltiplos furos resultantes das tentativas de extracção de sangue ainda doem. Tenho um cateter enfiado na veia.

Sentei-me na zona mais afastada da sala de espera, agora muito mais vazia e espero. Um grupo de ciganos discute futebol, duas jovens mulatas falam e sorriem sem parar desde que chegaram há mais de duas horas e um senhor branco faz uma cara de esfinge.

As urgências acalmaram bastante, mas apesar disso continuamos a esperar. Os nomes são agora chamados a um ritmo muito mais lento. Eu tento não abrir demasiado a boca quando bocejo por causa da dor.

Parece-me que o que me trouxe aqui melhorou mas não tenho a certeza. Não tarda meto-me num táxi e vou para casa. Venho buscar as análises do TAC amanhã, daqui a um ano ou antes de ir a enterrar. São-me completamente indiferentes.

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Foi exactamente o que fiz. Vim-me embora. Expliquei cordatamente (pelo menos a mim pareceu) à médica que ia para casa porque estava cansado, cheio de frio, farto até aos cabelos.

Seguiu-se uma pequena discussão a cujo teor poupo os leitores, coitados. Os resultados do TAC apareceram como por milagre - afinal não era deles que estava à espera mas sim da médica que me recebera e fizera todos aqueles exames -. A colega desta, com quem discutira os fundamentos da minha decisão estendeu-mos como se me estivesse a dar uma brasa.

É em casa que acabo este post. O TAC está em mediquês profundo mas parece-me que não tenho nada que não tivesse já.  A enfermeira tirou-me o cateter e o último penso.

Amanhã é outro dia e eu outro homem.

Diário de Bordos - Lisboa, 28-06-2016

Regresso ao ponto de partida: Hospital S. Francisco Xavier. A sala de espera das urgências tem Wifi e este é potente. Já telefonar é outra história; falar com um médico outra ainda. Em 2006 aconteceu-me a mesma coisa, mas estava no Brasil. Queria falar com um médico do Egas, que era então o meu hospital. Levou uma semana e duas fortunas - quem conhece o Brasil sabe o preço das telecomunicações, ainda para mais em roaming -. A história dos telefones é gira, mas pouco interessante. Acontece em todas as áreas de todos os departamentos de todas as instituições: importa mais o que parece do que o que é. Um gajo leva para casa um papel com quatro números de telefone e dois de fax, mas passa mais de dez minutos até ter alguém do outro lado da linha; e quando fala é para ouvir que o melhor é ir ao hospital.

Um gajo vai, claro. Por muito que deteste hospitais e estar doente e pense que um telefonema de dois minutos com um médico talvez resolva o assunto.

Enfim, ¡qué vaya! Estou de novo neste magnífico observatório de antropologia, sociologia e psicologia que é a sala de espera das urgências de um hospital, relativamente convencido que não tenho nada de grave excepto o facto de o telefone estar quase sem bateria.

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Verdade que os últimos dias foram de disrupção. Uma avaria na carcaça e o mundo pára, hesita, gira para um lado, gira para outro... A culpa está na transição, claro. Na mudança. Hoje pus os relógios todos à hora: fiz uma lista dos comboios todos que andam por aí perdidos, não fossem eles perder-se de vez.

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Tirando este pequeno incidente tudo bem: o país continua igual a si próprio. Um gajo telefona para quaquer sítio e dizem-lhe para mandar um mail. Manda o mail; não respondem; volta a telefonar; dizem para reenviar o mail; reenvia o mail e acaba a explicar tudo ao telefone. Dizem que estão muito ocupados. Pudera. Uma coisa que se pode resolver em cinco minutos leva três semanas só para voltar ao estádio em que pode ser resolvida em cinco minutos.

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Um autor de ficção que procure nomes para as suas personagens não perde nada em passar umas horas numa sala de espera de um hospital.

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Mais um atentado terrorista na Turquia. Não sei se foram os curdos se os islamistas. Tinha uma enorme simpatia por aqueles, mas ser forçado a fazer este género de associações dissipa-a por completo.

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O debate político português é uma espécie de concurso para saber quem é pior: se os nossos filhos da puta se os do outro lado da barreira. Um gajo recebe um subsídio indevido. Em vez de se discutir os subsídios e o governo que queremos contrapõem-se os gajos do outro governo que fizeram a mesma coisa, ou semelhante. Encolhem-se os ombros, diz-se "São todos o mesmo" e continua a votar-se no clube de sempre.

Entretanto "os mesmos" vão continuando a servir-se tranquilamente, certos de que os sócios do seu clube estão mais preocupados em encontrar culpados no clube oposto do que em punir os do deles.

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"Encontrei o amor da minha vida", diz um senhor no Facebook. Ainda estou à espera de ler "Encontrei o amor da minha morte", que é o que deviam dizer. "Encontrei uma pessoa que me fará morrer se não me amar".

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Exames e mais exames. A noite continua e a mágica é igual: dois mundos paralelos, o exterior e o interior de um hospital público.

Com a notória excepção das senhoras que tentaram tirar-me sangue. Conseguiram, mas fizeram aqueles gajos que abrem buracos nas ruas com martelos pneumáticos passar por estátuas de sal.

28.6.16

Descoberta do dia

Tisana de gengibre e menta.

Comparações

Ler quem sabe escrever é um prazer apenas comparável a escrever para quem sabe ler.

Multi-resistências

Não sei se deva temer mais as bactérias multi-resistentes do hospital se o meu optimismo, muito mais resistente do que elas.

Uma lauda ao SNS

A história é longa e vou cortá-la em pedacinhos pequenos. No tempo em que eu tentava viver no planeta Terra vivia em Genebra, uma cidade que está muito longe de ser o cemitério que parece ser. (Estava. Parecia. Hoje não parece e continua a não ser).

Tinha um seguro de saúde que me dava acesso aos hospitais privados, quartos individuais e outras coisas do género. Um dia resolvi fazer uma operação ao septo nasal, que sempre tive torto e me impedia de respirar normalmente. Perguntei a quem sabia o nome de dois ou três otorrinos de confiança, mas estavam cheios até às calendas; os dois ou três seguintes idem. Quando me aborreci de telefonar aos nomes que me recomendavam - a resposta era sempre a mesma - mudei de estratégia. Peguei na lista telefónica e comecei a chamar todos os otorrinos da cidade por ordem alfabética.

A primeira que tinha vaga imediatamente estava na letra H, creio.

Se não era devia ser. H de horror. Passei por vários episódios giros e cheios de piada com a senhora - um dos quais foi ela ter provocado uma hemorragia durante a operação que se viu aflita para controlar e acabou por não fazer nada no septo, que ficou tal e qual -; os outros foram variados. Sei que quando chegou a vez do Ménière eu já não estava muito interessado. Ela receitou-me uns comprimidos que não serviram para nada e deixei de tomar relativamente depressa, a primeira fase da doença passou - é a pior - e pronto. Tudo seguiu o seu curso. De vez em quando lá tenho uma crise, mas nem a frequência nem a intensidade são suficientes para me aborrecer muito ou fazer tomar atitudes drásticas.

Hoje a jovem, bonita, desempoeirada (é tão bom ouvir alguém tratar-nos pelo primeiro nome) e competente senhora que me recebeu mudou completamente o rumo da coisa. Em Setembro vou, imagine-se, fazer uma bateria de testes para tentar perceber um pouco mais desta porcaria.

O Serviço Nacional de Saúde é uma maravilha. Só é pena é a saúde privada não ser mais acessível para que a espera no SNS seja mais curta. Devia democratizar-se o sector privado ainda mais do que já está. Afinal de contas, tesos como eu somos cada vez menos.

E cada vez mais velhos, verdade seja dita. Daqui a dez anos a espera será muito mais curta do que é hoje. E as médicas continuarão - aposto - jovens, bonitas, desempoeiradas e competentes. De dar vontade não de se estar doente mas de nos curarmos.

27.6.16

Isto sim é patriotismo

Tenho ouvido falar da fuga de médicos para o estrangeiro. Espero que a otorrino que esta tarde me atendeu não fuja se não para um par de braços nacionais, ainda que não seja eu o sortudo dono desses braços.

Ver Lisboa

Lisboa não se dá a ver. Des-cobre-se - em todos os sentidos. Ela descobre-se e dá-se a quem a sabe querer; e é preciso descobri-la: despi-la, percorrer-lhe as ruas como se despe uma senhora pela primeira vez, com olhos de ver e mãos de sentir.

Porque em Lisboa tudo é sempre a primeira vez. Anda-se uma rua mil vezes e é como se fizéssemos mil ruas.

25.6.16

Esparta também perdeu

Esta coisa frágil e falível que sou eu dentro de mim e para quem tão pouca paciência tenho.

Dou-lhe mais mimos do que os que de mim levo; oiço-a atento como se a amasse e faço-lhe quase todas as vontades.

Quase todas: a doença é uma ditadura e como a todas as ditaduras há que desobedecer-lhe. A fragilidade não deve vencer.

Dá volta, devagar

Vamos aproximar-nos devagar, queres? Como um navio que lentamente se aproxima do cais. Lança os cabos para terra mas não os tesa. Deixa-os brandos e continua a manobra.

Devagar. Um arco de círculo perfeito. Quando está suficientemente próximo começa a virar os cabos. De repente está em posição. Da ponte alguém diz "faz fixe". E depois, "dá volta à manobra".

Devagar. Faz fixe. Dá volta. Estamos no lugar.

Imagina que os cabos são palavras. Deixa-as brandas. Lentamente começa  a virá-las. Primeiro os lançantes,  depois os traveses. Os springs são os últimos. Vira o lançante de ré. Tesa o través de proa. Faz fixe. Dá volta à manobra.

Devagar. São as palavras que nos levarão ao lugar. São elas que nos comandam. Um navio atraca sempre contra a corrente.

Passa os cabos. Ouve. Vou dizer-te devagar. Vou amar-te devagar. Contra a corrente.

Deixa-as tesas mas não muito por causa das marés. As palavras precisam de alguma folga, como os cabos. Se as tesas demais, se lhes tiras a folga rebentam. Dois corpos, duas vidas precisam de espaço. Lentamente, como as marés, como um navio atraca, como tu sorris.

Deixa as palavras levarem-nos ao lugar. Elas sabem de onde somos, para onde vamos.

Devagar.

Teimosia, estilo

Levanto-me regularmente. A duração das vertigens reduz-se de hora para hora. Tenho uma relação infantil, birrenta com a doença. Não vencerá.

Como se bastasse dizê-lo, não é? Talvez não seja suficiente, mas necessário é. Ter a teimosia como aliada dá uma vantagem não negligenciável.

E ainda há quem a veja como um defeito.

Pode, acontece frequentemente, perder-se por teimosia, é certo. Chama-se "perder com estilo".

Carcaça

Não deixar que descanso seja tomado por abandonar a luta. A doença, essa puta oportunista tem de sentir que há uma resistência do outro lado, que o terreno não é todo dela. Por muito infantil que pareça, acreditar na vontade. Não se deixar ir.

A carcaça agradece.

24.6.16

Diário de Bordos - Lisboa, 24-06-2016

Foi no hospital que recebi a notícia da saída do Reino Unido da UE. Não é o melhor sítio mas é a melhor forma: filtrada pela dor, pelo desconforto e pela noção (perpétua surpresa) da nossa fragilidade a saída ou permanência adquire aquela que talvez seja a sua verdadeira relevância: pouca. Que me interessam os ingleses se tenho a cara meio desfeita (é um exagero. Já não está) e a braços com uma crise de Ménière ( é um understatement. Foi - ainda é - dura)?

Mas passando este pequeno limiar egocêntrico e saindo para o lado de lá: tinha a secreta esperança de que o Cameron ganhasse. Acho que ao submeter-se a um referendo tomou a decisão certa e honorável. Democracia é dar às pessoas a possiblidade de se enganarem. Só nas ditaduras alguém sabe o que é bom para todos - e todos acabam pior, com a notória excepção de quem decide, claro -.

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Fui parar ao hospital por causa de uma queda da bicicleta mas não sei o que a provocou. Ou a Ménière ou um buraco (e neste caso a crise foi uma consequência). Não houve interferências externas, sejam elas líquidas ou sólidas.

Os hospitais portugueses  (estive em dois desta vez e em três ao todo, o que não é representativo) mostraram uma vez mais que são excelentes. Falham num ponto: por vezes é preciso um pequeno empurrão para os pacientes serem ouvidos.

Desta vez essa tchova foi dada pelo meu amigo Henrique V. D., a quem deixo aqui expressa e pública a minha gratidão e - como se fosse preciso! - a minha amizade.

Amizade e gratidão essas que se estendem à Ana Isabel e filhos, que me acolhem em sua casa com uma paciência e uma generosidade que me fariam chorar se eu fosse dado a choros. Sou e fazem.

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Agora resta esperar que o senhor Ménière vá dar uma volta ao bilhar grande e por lá fique muitos anos.

(Já está a afastar-se. Nada de aflições).

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Sou um homem cheio de fragilidades. Uma delas é pensar que venho do planeta Kripton. Não venho, sei-o há muito tempo. Dispenso memoranda.

Erratum: Ménière e não  Meunières. Há muito tempo que não me preocupava com isto.

23.6.16

Oiça um bom conselho

Continuo a não seguir a sábia injunção do Ricardo A.: falar apenas dos maus restaurantes. Tenho atenuantes: em primeiro lugar ninguém com juízo lê o que escrevo; em segundo, o sítio já está sempre cheio, dispensa-me bem.

Chama-se Menina do Rio, fica em Alvalade (à frente do mercado, do outro lado da rua), é minusculo em tamanho e nos preços e maiúsculo em qualidade, quantidade e simpatia. Hoje comi lá um pernil no forno que "mais [parecia] um presunto", como disse a minha vizinha de mesa. Delicioso, acrescento eu já que disso não podia a senhora falar, coitada. Não o provou.

Eu provei e mais: devorei-o todo, deliciei-me inteiro.

Que viva a Menina do Rio e não se metamorfoseie nunca em senhora.

Um amor de gramática

És uma aliteração, um gerúndio, imperativo, futuro anterior e indicativo do presente, verbo de dizer e tocar, verbo de percorrer e conjugar em todos os tempos, todos os modos. És um amor de gramática e a gramática do amor. Artigo definido, indefinido, complemento directo e indirecto, sujeito e predicado, advérbio e preposição. És as palavras todas feitas uma, léxico novo da língua mais bela do mundo.

Diário de Bordos - Lisboa, 23-06-2016

Foi um daqueles dias de sorte: tudo estava bom ou quase; a companhia era excelente; os vinhos idem; não estava calor nem frio antes pelo contrário.

Devido a um esquecimento meu - coisa que raramente acontece mais de dez vezes por dia - o frango com molho de tahini foi substituído por frango com gengibre em leite de coco. O resto ficou igual. A beringela, uma receita sugerida pela Tatiana, italiana de gema, beleza e gosto ouviu muitos elogios. O resto também, mas esses foram mais devidos à simpatia das adoráveis pessoas que compunham o grupo, suponho. Ou não suponho. Sou péssimo crítico e pior ainda auto-crítico. A verdade é que gostei muito desta maratona e fiquei com vontade de fazer mais. O resto é conversa para encher chouriços.

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Entretanto lá vou aterrando, meio aterrado meio espantado meio resignado. A lentidão e a falta de profissionalismo mudaram tão pouco como a beleza da cidade ou a luz: nada. Os portugueses continuam a tratar o tempo como se fossem donos dele; seria belo e poético se não tivesse as consequências que tem.

É como tudo: basta estar do bom lado da barreira e as vantagens aparecer-me-ão, claras e irrefutáveis como a erupção de um vulcão.

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Não sei esperar, excepto quando cozinho. Ou passeio pelas margens do Tejo.

Ou penso na morte.

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A filha jovem de uma amiga brasileira morreu. Não imagino dor maior para uma mãe ou um pai do que perder um filho. Pensei nisso muitas vezes, quando os meus eram mais novos.

22.6.16

Lisboa

Como explicar a pessoas que vivem  isto todos os dias quão bom isto é?

Não é preciso. Elas sabem.