20.9.04

União Europeia, França, etc.

Creio que no Expresso, leio um texto de Jorge Fiel que defende a peregrina ideia de Sarkozy, Sarko para os íntimos, de não autorizar a transferência de fundos estruturais da UE para países com taxas de fiscalidade inferiores à média europeia. Claro que isto é para consumo interno e não tem hipóteses de passar, mas reflecte duas ou três coisas interesssantes.

A primeira é que a França continua a querer exportar os seus problemas. A taxa fiscal não é senão uma das muitas razões que levam as empresas estrangeiras a não querer investir em França. Há mais, muitas mais: a absurda lei das 35 horas, a ainda mais absurda taxa de encargos sociais, a absurda legislação laboral, a absurda tradição dos conflitos sociais (em França, a greve não é o último recurso, é o primeiro); mas o Senhor Sarkozy decide que o problema é unicamente a fiscalidade e, em vez de olhar de frente para o seu país, atira os problemas para cima dos outros.

Que isto lhe dê votos em França é triste, mas compreensível, ou inevitável, se preferirem. Agoraque haja comentadores estrangeiros a aceitar este género de medidas deixa-me aterrorizado. Em breve, teremos a legislação francesa, não? Afinal, porquê parar na fiscalidade? E teremos as 35 horas, os encargos sociais, os dinossáuricos sindicatos franceses, que sais-je?

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