1.8.14

Religiões

Os pacifistas partilham a superioridade moral com os religiosos e com a esquerda. Alguma coisa hão-de todos eles ter em comum.

31.7.14

Encontro no céu

Perda; espasmos.

Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 30-07-2014

As minhas aventuras pelo sistema de saúde brasileiro continuam. Depois do atendimento de urgência no Socorrinho trata-se agora de ir a um especialista (ou dois, mais provavelmente. Veremos).

A primeira tentativa, segunda-feira, falhou porque era feriado. Um feriado selectivo - estava tudo aberto menos os serviços públicos - mas feriado. Terça-feira falhou porque a unidade de saúde que me tinham indicado não tem a especialidade que procuro; e porque o hospital público faz qualquer dos nossos passar por um hospital alemão.

De modo hoje fui a uma clínica privada. Há-as para todas as bolsas. A primeira que contactei custava duzentos reais. Maciel disse-me que nem pensar. Sugeriu-me outra, procurou-me o número de telefone e ecco, por metade fui atendido hoje mesmo.

A consulta foi cara: o médico mal me ouviu. Passou-me uma série de análises e disse-me para voltar lá quando as tivesse. Ciao, à la revoyure.

Quero um médico, não um psicólogo. Vamos ver o seguimento.

Infelizmente tudo indica que vou precisar doutro especialista, porque o antibiótico que o de sábado me receitou não parece estar a fazer muito efeito. Volta e meia ainda tenho acessos de febre que são uma porra.

A carcaça quer atenção. Vai tê-la.

30.7.14

Febre, febres

O corpo como se fosse feito de vidro moído. E os sentimentos também.

27.7.14

Diário de Bordos - S. Luis, Maranhão, Brasil, 27-07-2014

E hoje foram mais sessenta. Quilómetros, quero dizer. De bicicleta. A cavalariça pecisa de movimento, o cavalo dá um jeito.

São José de Ribamar é melhor do que Raposa, de muito muito longe. E um bocadinho mais perto. Mas a diferença não se nota, porque a estrada tem mais subidas e descidas. De resto é igual: completamente desinteressante. Feia, mal-cheirosa, com bastante trânsito - devo dizer que aqui pelo menos só há falta de educação, falta de respeito, ignorância e indiferença para com os ciclistas. Não há animosidade, como em Panamá. Ou desleixo assassino como em Lisboa. Sinto-me mais à vontade em S. Luís do que em certos troços da Marginal, por exemplo. Aqui os carros passam a rasar só quando não têm outra hipótese; e nestes dois dias e centro e trinta quilómetros só ouvi uma observação desagradável -.

De qualquer forma deve ser o último destes grandes passeios. Para a semana inscrevo-me num curso de kitesurf. A cavalariça precisa de água. Depois a burra fica reservada para os percursos urbanos.

Pelo menos encontrei o que procurava: um sítio bonito, lindo, bem arranjado, com boa comida e um melhor serviço. Chama-se Mediterrânea (e pertence a um italiano, claro).

........
Como a muitas pessoas, esta última crise em Gaza fez-me ver uma série de coisas. E confirmar outras. Uma delas é de o homem é um animal racional até abraçar uma causa. Seja ela qual for: as crianças de Gaza, os Palestinos de Gaza, os direitos dos animais, o ódio às touradas ou - vá lá saber-se, qualquer dia - o direito de as farmácias venderem fraldas usadas (depois de devidamente desinfectadas, claro) para poupar o ambiente.

O que é espantoso é que as pessoas mantém a capacidade de raciocinar e pensar em todas as outras áreas. Só a perdem quando se chega à causa; é aí que deixam de poder raciocinar (algumas são poli-causais. É um bocadinho mais complicado. Outras são de esquerda e aí fica praticamente impossível falar do que quer que seja excepto de livros, música e cinema. E comida. E mais meia dúzia de coisas. Enfim, é muito, reconheça-se).

Que teria sido da Europa se os pacifistas dos anos trinta tivessem ganho? Porque é que a Segunda Guerra Mundial foi necessária? Será que todas as pessoas que defendem Israel gostam de ver crianças mortas? Os pacifistas pensam que a guerra desaparecerá por artes encantatórias, tal como muitos deles acreditam que basta controlar os preços para que a inflacção desapareça?

Será falta de bom senso fazer estas perguntas?  Serei um facínora desumano porque acho que o Hamas está a provocar estas mortes precisamente porque sabe que pode contar com a opinião pública ocidental (incluindo neste ocidental a "esquerda pacifista israelita", felizmente longe do poder em Israel)?

Deve haver poucas pessoas (das que lêem este blog. Alexandra Lucas Coelho não o lê, claro) que tenham visto mais crianças vítimas de barbaridades do que eu - o que de passagem me faz pensar que os disléxicos, ou ignorantes que chamam a isto um genocídio deviam ter passado uns meses no Rwanda e no Burundi em 1994, para verem o que é um genocídio e ganharem tento na língua e vergonha, duas coisas das quais se anda muito escasso por estes dias -. Ninguém tem mais horror à vista de uma criança morta ou sofredora do que eu. Mas porra, isso não me impede de ver que se estão a morrer crianças é porque o Hamas quer que elas morram. E não me força a embarcar em manipulações.

Isto é óbvio ululantemente, mas de nada serve repeti-lo. A causa está lá. E quem não está com a causa não é uma pessoa. É uma besta.

E entretanto as crianças e as vítimas civis vão morrendo, e vão continuar a morrer precisamente por causa do apoio daqueles que Lenine, que sabia do que falava, apodava de idiotas úteis. A idiotice não mudou; só mudou a utilidade: agora, perpetuar a mortandade de inocentes.

Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 26-07-2014

Acabei por me render à evidência e fui ao médico. Ontem I. sugeriu-me um centro de saúde não muito longe da pousada e foi lá que passei a manhã de hoje. O centro (Socorrinho, os brasileiros têm as nomenclaturas imagéticas) é simples mas foi rápido, eficaz, cordato e gratuito.

Protela-se a ida ao médico porque não se quer admitir que a carcaça sozinha não sabe tratar-se. E perde-se tempo para nada. Desta vez quase uma semana de dores e febre.

Enfim, esta passou. Que a próxima venha longe.

.........
Agradabilíssimo serão em casa de Celso Borges, excelente poeta, músico e pessoa. Estava também Bruno Azevêdo, autor dessa obra-prima da literatura gore que é O Monstro Souza, "romance festifud", "história de um cachorro quente de 1,80m que trabalha como loverbói e serial killer em São Luís do Maranhão", etc.

Mistura de quadradinhos, recortes de jornal, prosa e mais meia dúzia de formas de expressão, o Monstro Souza é uma deambulação quase situacionista por S. Luís.

Não esperava encontrar tanto conhecimento da poesia portuguesa, aliado a uma ainda maior vontade de a conhecer mais e melhor. A ideia de organizar uma viagem de poetas e autores de S. Luis a Lisboa em Fevereiro começa a tomar forma e corpo.

........
Quinta~feira fui ao dentista. Não me chegava a febre. No regresso hesitei em apanhar um táxi, mas acabei por vir de autocarro. Uma das grandes decisões dos últimos tempos.

O condutor era formado em condução desportiva de autocarros, especialidade guerrilha condução urbana. Conduzia aquele veículo como se estivesse numa pista de corridas. A certa altura chegámos a um engarrafamento monstro, provocado por trabalhos na rua e o homem quase explodia. "Este prefeito", explicava-me (estava ao lado dele, de pé ) "não é só ladrão. Ele é também pilantra. Safado. Fazer obras nesta rua a esta hora".

Eu estava indeciso: S. Luís precisa de obras em praticamente todas as ruas (menos as que servem os bons quarteirões e mesmo assim só as principais) e se um prefeito que seja só ladrão - coisa aceitável pela inevitabilidade - quiser fazê-las vai precisar das vinte e quatro horas de todos os dias de largos anos: por outro lado era difícil não estar do lado do meu condutor de corridas.

Que a certa altura não tem meias medidas e mete o autocarro por uma ruazinha paralela à rua engarrafada e por ali vai dois ou três quarteirões.

Quando regressamos ao percurso estamos muito perto da causa do engarrafamento. Faz sinais a um colega (mas de outra companhia, os transportes urbanos são privados e estão distribuídos por várias empresas) que simpaticamente o deixa entar; uma senhora num ligeiro não faz o mesmo e quase temos um acidente. Enfim, ganhámos bastante tempo.

O condutor está contente. Guia concentrado, mas de vez em quando relaxa e dialoga comigo. "De onde você vem?" por exemplo. Ou monologa: "A amizade é a coisa mais importante do mundo. Não é o dinheiro nem o amor. É a amizade. Viu aquele colega? Ele deixou-me passar por amizade. Não nos conhecemos, mas ele está para sempe no meu coração". Depois concentra-se de novo na condução e puxa por aquele motor, esqueira-se pelo trânsito, acelera e trava como se quisesse demonstrar aos passageiros e ao mundo que pouco interessa o veículo, o que importa é o que com ele fazemos e somos.

Já perto do sítio onde ia descer entrou uma jovem a comer uma maçaroca. O condutor pede-lhe um bocadinho, ela estende-lhe a maçaroca ele diz "Não, parte um bocadinho", ela parte, ele come, a rapariga segue para trás e ele diz-me "Eu não lhe dizia? A amizade é o mais importante". Ao princípio pensei que se conheciam, mas não. O homem não só conduz como um ás, mas faz amigos também.

25.7.14

Os inimigos da liberdade

Dos seis filósofos que Isaiah Berlin analisa nesse livro básico, fundamental, incompreensivelmente pouco conhecido que é Freedom and its Betrayal: Six Ennemies of Human Liberty o pior, o mais pernicioso, o que mais danos provocou foi Rousseau.

Insinuou-se no ar do tempo e não sai de lá.

24.7.14

Da liberdade e dos costumes

"This all but universal illusion is one of the examples of the magical influence of custom, which is not only, as the proverb says, a second nature, but is continually mistaken for the first."

Da Liberdade, do tempo

"Protection, therefore, against the tyranny of the magistrate is not enough: there needs protection also against the tyranny of the prevailing opinion and feeling; against the tendency of society to impose, by other means than civil penalties, its own ideas and practices as rules of conduct on those who dissent from them; to fetter the development, and, if possible, prevent the formation, of any individuality not in harmony with its ways, and compel all characters to fashion themselves upon the model of its own. There is a limit to the legitimate interference of collective opinion with individual independence: and to find that limit, and maintain it against encroachment, is as indispensable to a good condition of human affairs, as protection against political despotism."

Redescubro On Liberty com o mesmo prazer, o mesmo gozo com que há pouco menos de quarenta anos o descobri.

Nunca mais o reli do princípio ao fim, como faço agora. Umas citações aqui e ali,  umas páginas se por acaso o livro me aparecia à frente.

Há verdades muito feias; também as há lindas. Mas todas são perenes.

Emprenhar pelos ouvidos

"Se queres conhecer alguém não escutes o que ele diz; vê o que ele faz", diz o Dalai Lama num meme que circula pelo Facebook.

A ideia não é nova, nem limitada a uma dada área geográfica ou do conhecimento. É eterna e universal. Não deve haver uma cultura que não tenha um aforismo, provérbio ou dito semelhante.

É por isso que fico espantado com a quantidade de pessoas que emprenham pelos ouvidos.

Emprenham,  claro, nos dois sentidos do termo: o passivo e o activo.

23.7.14

Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 23-07-2014

Já lá vão muitos dias sem Diário de Bordos. Não que não se tenha passado nada; antes pelo contrário. Infelizmente nada avançou em proporção dos passos que foram dados - Os Passos em Volta podia ter sido um título feito para o trabalho em S. Luís do Maranhão -.

De tudo, paradoxal e felizmente, o que mais progride é o B.: mastro comprado e no estaleiro, pronto para se começar a trabalhar nele; lemes quase prontos - enfim, melhor dizendo: primeira etapa dos lemes quase terminada. Amanhã começamos a laminação. Daí a instalação, a conexão dos hidráulicos, instalar a roda do leme. Digamos três semanas, para dizer qualquer coisa.

O mesmo para o mastro. Como uma parte destes trabalhos se pode sobrepôr e outra não, vamos dizer um mês e meio, para estarmos seguros (ainda falta a impermeabilização: dois meses, vá). Até finais de Setembro estou fora daqui.

Já no resto tudo parece um filme cómico. Não há nada que seja fluido, que se faça à primeira, que fique resolvido imediatamente.

Eis uma pequena súmula:
- Bicicleta: comprei-a, finalmente. Uma pessoa que em tempos conheci dizia que sem bicicleta sou como um barco a motor. É verdade. Comprei-a num sábado. Na segunda-feira estava de volta à loja porque as mudanças não funcionavam. Na terça fui buscá-la. As velocidades estão marginalmente melhores, mas longe de funcionar. Não volto lá, não vale a pena: isso não me impediu de fazer setenta quilómetros nela no domingo seguinte. Basta não querer utilizar todas as mudanças.

- Tablet: levei-o a reparar numa sexta-feira. Ficaria pronto no sábado; preço: oitenta reais. Ficou pronto na quarta-feira. Preço: sessenta reais. Está exactamente na mesma. Sem tirar nem pôr. Igual.

- Telefone portátil: há quinze dias fiquei sem a possibilidade de enviar SMS. Recebe-os, mas não envia. (Também não liga para um, e só um número. Infelizmente é aquele de que mais preciso aqui. Parece que é frequente).

Telefonei para o serviço técnico. Isto é uma sinédoque grosseira, uma elipse: telefonar para o serviço técnico e conseguir falar com ele levou-me aproximadamente três dias.

Nada.

Fui à loja onde comprei o chip. Não têm serviço técnico mas o rapaz é adorável (isto no Brasil é uma redundância). Deram-me um prazo de cinco dias para o problema ficar resolvido. Não ficou.

Ontem voltei à loja. O rapaz disse-me desolado que não podia fazer mais nada. Para ir a outra loja, num centro comercial que fica atrás do sol posto. Lá têm atendimento técnico e poderão ajudá-lo.

Não têm, Cleyton. Esperei duas horas (preciso mesmo dos SMS). Ao fim das quais a rapariga falou com o serviço técnico. O qual não pode fazer nada porque está sem sistema.

- Computador portátil: comprei-o na segunda-feira. O rapaz é adorável (ditto). Disse-lhe que queria o Windows e o Office em inglês. Não tem problema. O Office faço agora; o Windows só na quarta-feira. Ok, Josué, volto cá na quarta-feira.

O Windows está em Português. Para o reinstalar e instalar o Office tive de deixar lá o computador. Vou buscá-lo amanhã.

- Pousada: senhor Luís, importa-se de mudar de quarto... Domingo: almoço em Raposa (uma hora e vinte minutos de espera...)

¡Qué vaya!

Dito assim, de forma sintética, parece só uma piada. Quando se incluem as horas de táxi e de trânsito, o calor, as horas de espera a piada desaparece como por milagre.

Mais vale pensar no que correu bem:

- Um magnífico passeio de barco no sábado. O STERNA P. é rápido, o vento forte e constante, a tripulação e convidados simpatiquíssimos. Um sábado grandioso que me fez temer por como será quando deixar o mar. Não o posso deixar. Tenho de encontrar uma solução intermédia.

- O meu círculo social aumenta, graças principalmente a R. o dono da livraria Poeme-se, onde tenho o meu "escritório". Jornalistas, escritores, cantores: estranhamente é muito mais a minha tribo do que os "marinheiros" (entre aspas porque a maioria não é marinheira; são pessoas que estão em barcos. Com os marinheiros sem aspas entendo-me às mil maravilhas).

Pouco a pouco integro-me em S. Luís e integro a cidade. Como diz R., o Brasil começa sempre por apresentar o seu pior lado.

- Maciel: à terceira encontrei um motorista digno desse nome. Maciel pára nas passadeiras, trava quando os semáforos estão cor-de-laranja, não fala excepto quando eu lhe falo, sabe onde são as lojas e fornecedores e - seja Deus louvado - tem milhares de CD de música brasileira. Amanhã vai começar mais uma sessão de gravações. Encontrei-o à terceira tentativa.

- Adaílson: excelente carpinteiro, pontual, calado. À segunda. Não me posso queixar.

- Dentista: das quatro cáries, a pior já está tratada; as outras estão a caminho, e o resto dos serviços. Vou ficar com uma boca nova pelo mesmo preço do que me teria custado o tratamento desta cárie em Bocas del Toro. Na Policlínica da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Sou ateu e anticlerical, mas não sou primário e reconheço que a igreja tem coisas muito boas. Esta policlínica é uma delas. Há muitas outras.

Talvez se devesse mesmo criar uma devoção à água oxigenada. Nossa Senhora da Água Oxigenada que me salvaste das dores e me permitiste manter a sanidade todos estes meses...
Não se poderá injectá-la nos rins?

........
Apercebo-me a cada dia que passa da profunda tontice do Acordo Ortográfico: daqui a cem anos o brasileiro será uma língua diferente, com ou sem acordo. Estamos a dar cabo da nossa para nada.

........
Uma coisa que descubro: o fascínio dos brasileiros pelos sotaques, pela língua. Falam dela com o desvelo de franceses a falar do francês e da origem das pessoas.

(Não resisto):


De caminho, aprendo que os brasileirismos de que tanto me queixo em Portugal (o desparecimento do verbo pôr, por exemplo) são na verdade Globismos: a TV Globo está a uniformizar os sotaques (nisto não acredito muito) e o vocabulário do Brasil, e a substituí-los por uma espécie de pâtois de S. Paulo e Rio.

........
Mais uma noite de cálculos renais. Preciso realmente de perceber de onde vêm. A cavalariça não pode deixar o cavalo desabrigado.

22.7.14

Calculista

Muito calculistas andam os meus rins. Se conseguisse descobrir porquê seria um homem bastante feliz.

Vida, duche

Deve começar-se por limpar a sujidade que está em cima, como se a vida fosse um duche.

Dizer, tocar

Nada me digas que não tenhas na pele e nas mãos; nada que eu tenha de ouvir e não possa tocar.

21.7.14

Ao princípio era o verbo

Seria preciso voltarmos ao que éramos. Ao princípio. Ao verbo.

O que éramos morreu. Nunca mais será: ressuscitar é para loucos, sonhadores e messias.

20.7.14

Toda a gente, pouca gente

Pode enganar-se toda a gente pouco tempo, ou pouca gente todo o tempo. Mas não se pode enganar toda a gente todo o tempo.

O aforismo é conhecido. Apesar disso há quem duvide da sua veracidade, porque por vezes vemos pessoas enganar toda a gente por tanto tempo que pensamos Este conseguiu. Como fez?

Uma das maneiras é enganar-se a si mesmo. Mas se isso é necessário não é suficiente. Chegará sempre, inexorável,  o momento em que "toda a gente" perde uma pessoa.

E outro em que de "toda a gente" só fica a pessoa que se engana a si própria.

Almoço improvisado - Salada

Hoje fui navegar. O dia foi bom de mais para ser descrito num tablet à pressa.

Fica a receita da salada, a que C., um cabo-verdiano adorável deu o nome de Salada Boqueirão - estávamos no Boqueirão quando a comecei-.

Os ingredientes são:
- Pepino
- Cebola
- Tomate
- Bacon frito com alho
- Maracujá.

Fiz uma maionese e misturei-lhe umas gemas cozidas esmagadas com um dos maracujás.