1.9.20

Educação

A miúda que serve no Aduela (vinte e poucos) não sabe o que é um LBV. 

Para onde vai a Educação neste país?

Sílabas, simplicidade

No fundo,  trata-se apenas de exprimir a complexidade e a beleza da vida com um mínimo de pentassílabos.

Não é fácil: quanto menos sílabas mais trabalho.

31.8.20

Diário de Bordos - Porto, 31-08-2020

Uma palavra que não me larga o espírito: vastidão. Da gratidão: sou capaz de passar por baixo de escadas; da sorte: tenho amigos que me ajudam nas passagens; de tudo: o meu mapa-mundo dos afectos é vasto e profundo e tudo o que ele contém é meu, está vivo e tangível. Pode a maré estar baixa, vazia quanto quiser que a carta não mostra nunca o fundo. Pode por vezes ver-se um baixio ou outro, um escolho não assinalado, uma corrente adversa, um dia sem vento. Mas é tão pouco, comparado com a vastidão de tudo o que ela contém.  

O Porto, por exemplo. Tenho andado a tentar perceber porque tanto gosto desta cidade, que dantes tanto detestava. Tem um efeito apaziguante em mim. A juventude das pessoas - não sei qual a diferença entre as pirâmides etárias do Porto e de Lisboa, mas estaria tentado a apostar que aqui há muito mais jovens do que em Lisboa. A limpeza - esta cidade é limpa, pelo menos nas áreas por onde a percorro. As pessoas: parecem-me menos façanhudas, os semblantes menos cerrados, há mais risos.

Não sei. Pode ser uma falsa impressão, sou-lhes propenso. O que não tem nada de falso, isso posso afiançar, é o gosto que tenho cada vez que aqui estou. 

Verdade seja dita não faço muito. Dou descanso à anca e deixo entrar a calma que vejo em tudo o que me rodeia. Vasto programa, juro, apesar de não parecer. A calma, a alegria que vejo nas pessoas, a beleza têm de desalojar a merda toda que se tem acumulado estes dias todos. Vasta sorte: esta coabita bem com a gratidão. Quando um dia morrer espero que a minha última palavra seja «Obrigado». Ou «Amo-te vida, apesar de todas as merdas que me fizeste.»  Percebo finalmente de que ri a hiena da história: da vida.

Esperam-me dois ou três dias de férias, que serão passados entre o hotel, o Aduela, um bar cujo nome não recordo e fica nas redondezas, o Papagaio - descoberta recente, abençoada - o Piolho e pouco mais. Tentarei não ir à feira: não há pior tortura do que ter livros à frente e não os poder comprar. Talvez chova a tempo de ainda lá dar um salto. Que se lixe: estou de  férias, estou de purga, estou feliz. O resto é basicamente ruído de fundo, como o barulho de um rato que corre debaixo do palco durante a prestação da orquestra sinfónica.

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Há momentos nestas ruas que me transportam para um quarto de criança que fizesse construções com Legos, Mecanos e todas as outras marcas de jogos de cosntrução infantis. É uma mistura alegre de estilos, harmoniosa, leve. Como em Espanha, de resto. 

O que o tempo muda: alegria, leveza, harmonia são as últimas coisas que pensaria um dia associar ao Porto. 

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Quanto mais penso na morte mais grato me sinto.


(Para a M. B., amiga de muitas escadas, pontes e cartas.)

Divagação

Escrever sem descrever é o melhor  remédio. 

Disparates, vida

O Don Vivo é o diário de alguém cujos dias são vastos, altos, baixos, curtos, reais, sonhados, imaginados, projectados, descritos, inventados, planeados, improvisados e por aí fora. 

Quando me perguntam sobre o que é, respondo: "disparates", mas o que na verdade quero dizer é "vida".

30.8.20

Diário de Bordos - Porto, 30-08-2020

Venho ao Aduela depois de uma sessão catastrófica na feira do livro. Entre as duas ficou uma soberba conversa com uma amiga que vejo ocasionalmente, com quem discuto no FB frequentemente e de quem gostarei sempre. Uma conversa frente a frente enche os tanques de amizade muito mais e melhor  do que mil diálogos num monitor. Ou, dito de outra forma: numa conversa, mais vale ter de permeio dois copos do que dois monitores. Vimos a pé, ela para o metro eu para o hotel que aqui no Porto me faz de casa. Depois venho ao Aduela. 

A maré já nem baixa está: está vazia, maré baixa de Equinócio; a anca lixa-me o juízo e o andar; sinto uma conjuntivite a chocar - hoje percebi que me vêm da máscara - e apesar de tudo regozijo-me. Tenho sorte, posso andar debaixo de escadas, como cantava uma senhora gira há muitos anos.

A música no bar está alta, mas hoje gosto dela - é blues eléctrico, Chicago. Ao contrário de ontem, que era uma porcaria sem nome. A música só está demasiado alta quando não se gosta dela. Ah, e o almoço não foi grande coisa. 

Que chatice, nada consegue irritar-me! Verdade seja dita: o vinho da casa é óptimo, as pequenas (infelizmente de outras casas) são lindas, não tarda chove e a maré enche, a conjuntivite trata-se em menos de nada, a dor na anca não tardará mais de uns meses a desvanecer-se, a merda da Covid idem.

É em dias assim que percebo os católicos. Com uma diferença: não preciso de esperar pelo outro mundo. Basta-me esperar por outros dias. 

Jornalismo, definição

O jornalismo é hematófago. Quando não tem sangue inventa-o.

Discrepâncias, medo e drogas

Há uma discrepância enorme, abissal, entre a percepção que a maioria das pessoas faz do vírus e o que os números dizem. Isto em si não é particularmente grave, todos sabemos que o homem é um animal de percepções. Um animal pode fazer e faz muitas coisas que o prejudicam, mas não vê desertos onde há pastos verdes e frescos. O homem gosta de imaginar tragédias onde não as há. Para o animal, o medo é um simples mecanismo de defesa. Para o homem, é uma necessidade ontológica. Há alguma religião que não se baseie no medo? Até o budismo ameaça de downgrading na próxima reencarnação quem não se portar bem nesta. O medo, na humanidade, deixou de ser apenas uma estratégia de defesa, um aviso ao corpo para este produzir adrenalina em doses suplementares. A adrenalina é uma droga barata e o homem viciou-se nela, uns de uma forma outros doutra. 

(Enfim, barata é uma maneira de dizer. É barato a cada pessoa produzi-la, mas os custos colectivos podem ser muito elevados, como se vê.)

O problema é que a humanidade tem tendência a impor as suas percepções aos outros como se fossem verdades absolutas e não são. São verdades relativas. É óbvio que acredito na boa-fé de quem me diz na rua para pôr a máscara. Essa pessoa está intimamente persuadida de que aquele bocado de pano (ou outra matéria qualquer, aquilo não é pano) lhe vai salvar a vida. Infelizmente para mim, ela foi buscar essa convicção algures e a impressão de que ma pode impor ao governo.

É pena não podermos mudar o "algures" - a liberdade da imprensa é fundamental - e termos tão pouco controle sobre o governo.

29.8.20

Queria? Já não quer?

Hoje ouvi uma palermice de um empregado de mesa que deixa a do título a léguas:

- Posso sentar-me naquela mesa?

- Na cadeira pode. 

Missão

Visivelmente, a maioria das pessoas não sabe ou não percebe como funciona o sistema imunitário, o que me deixa inquieto a dois propósitos. Primo, o ensino. Quando acabei o liceu, em 74, tinhas noções sobre o funcionamento do nosso corpo, sobre a forma como se defende das doenças, como cria anticorpos, etc. Não me parece que este conhecimento - admitidamente básico (mas correcto) - seja partilhado por estes mascarados todos. Secundo, o futuro: se tivesse filhos em idade de receber conselhos quanto a cursos, sugerir-lhes-ia medicina, sem hesitar. Especialidades: alergologia e doenças auto-imunes. Impedir as crianças de desenvolver imunidades é um crime que vai ser pago em alergias e doenças relativas; será uma mina de ouro. A crendice, a ovelhice, a necessidade de pensar como a manada vêm da ignorância, imagino. 

Não sei. Talvez seja inata. Conheço muita gente educada e adorável que acredita que este vírus é diferente dos outros, é um virus especial, incapaz de se propagar por causa de uma máscara de pano ou capaz de matar ao molho, como o alecrim. Terão esquecido aquele princípio básico da virologia segundo o qual um vírus ou é muito letal ou é muito contagioso, mas não pode ser os dois? (Este não aprendi no liceu, eu sei. Aprendi aquando do Ébola, se não me engano.) 

Não sei e cada vez sei menos. É horrível. Sempre acreditei nas pessoas e vejo agora que o desprezo dos leninistas pelas "massas" era mais do que justificado. Próxima missão: não permitir que este desprezo se incruste em mim.

Plaka e muitas outras coisas que agora não se vêem

Habito esta carcaça que pouco a pouco se desfaz. É como viver dentro de um terramoto ao retardador. Aquela semana em Atenas depois do sismo foi uma antevisão do que me espera: tudo colapsa à minha volta menos o M. e respectiva, o dono da pensão (nessa altura não havia hostels), eu. Éramos poucos. A cidade desfeita, demolida, habitada por meia dúzia de resistentes (no meu círculo. Outros haveria). Não por heroísmo ou estoicismo. Nada disso.

Questão de gozo, de revolta, de vida.

Lembro-me do café com brandy nas tascas da Plaka... Lembro-me de mais coisas do que agora quero aqui contar. 

Hoje vejo este corpo que se desfaz e o vinho que lhe falta, coitado e penso na Plaka. Estúpido de mim!


Seja como for

Na verdade, o problema é relativamente simples: consiste em digerir o facto ineluctável de que o mundo em que um gajo cresceu está a ruir. Todos os mundos em que todos os gajos cresceram ruíram e ficaram melhores (salvo raríssimas excepções). E isto desde que a humanidade existe.

Só não percebo o que pode ficar melhor a partir desta merda, mas suspeito que de todas as formas não estarei cá para ver.

Daqui a pouco

Diga-se o que se disser, é no Antiquari que a boémia ainda tem sentido. Pouco mas tem. Aqui fica uma homenagem, um agradecimento e uma dor: tenho de acordar aqui a bocadinho. 

28.8.20

Dos reconfortos

Grosso modo, um homem sabe que não está a fazer tudo mal quando um senhor, verosivilmente maiorquino, de certa idade (ou seja, de uma idade igual ou superior à de um homem) lhe diz que o chapéu é elegante.

Um gajo sabe, obviamente, que o chapéu é elegante. Por isso o comprou, na Sombrereria Casa Juliá, que está para Maiorca como a Casa Ruas está para Lisboa.

Mas vê-lo aprovado por alguém que estereotipadamente não diz nada se puder estar calado... É reconfortante, reconhecei.

Adivinha de quinta à noite

Esta "pandemia" mata zero vírgula setenta e duas pessoas em cada milhão de quê...?

Se respondeu formigas está enganado. 

Se respondeu asneiras na imprensa também. 

Se respondeu pessoas está certo.  V. precisa de juntar um milhão e trezentas mil pessoas (contas de cabeça. Espero que os meus amigos matemáticos me corrijam) para ter um morto - normalmente com mais de oitenta anos, obeso, diabético e cardiopata.

27.8.20

Outra opção...

...ir à ròla do sono e só acordar quando a vaga de estultícia tiver passado.

À ròla do mar

Pairar, derivar, ir à ròla... Palavras diferentes para designar basicamente a mesma coisa: não tenho nada em comum com esta gente, não quero ter, não saberia mesmo que quisesse.

É impossível que os políticos não tenham acesso à informação que por aí circula. Se lhe ligam peva não é por serem idiotas, não são. Nem por quererem salvar o Soros / Gates / S. Francisco de Loyola / [introduzir nome de teoria da conspiração preferida].

É para adquirirem um capital político que lhes permita dizer "fizemos tudo o que pudémos", "não houve mais mortes porque  tomámos medidas", etc. Quando houver provas irrefutáveis (ou pelo menos fortes, irrefutável não existe em ciência) já estarão na reforma ou no conselho de administração das grandes empresas.  

Quem paga esse capital à cabeça somos nós, acreditemos ou não em patranhas. E depois andam aí feitos gado ovino, máscara na cara e "é a lei" na boca. Ou asinino, vá lá saber-se.

"Conheço-os. Não sou um deles." Antes ir à ròla do mar.

Se calhar

Cheira a pataniscas de bacalhau, está um calor infernal, a música alterna entre o bom e o medíocre, os Bailey's esvaziam-se depressa de mais; se alguém consegue escrever nestas condições que ponha o braço no ar. Ou no teclado, ou  na caneta, ou na ideia, que às vezes se escrevem coisas bonitas com ela. A porra é passá-las ao papel depois, mas isso é outra história. O papel reduz as ideias que temos quando escrevemos com elas e transforma-as noutras coisas, piores. Por mim, estou-me nas tintas: só ligo ao que fica escrito. O resto leva-o o vento, de quem sou grande amigo - e assim demonstra ele sê-lo meu. Verdade seja dita, tenho a barragem de palavras cheia, não tarda isto começa a entornar. Esta merda deste vírus foi-me para o cérebro, invadiu-o de alto a baixo. Não sei de que cor é, mas se alguém me abrir a mona não encontrará massa cinzenta de certeza. Espero vivamente que alguém descubra a cor desta merda, para saber como chamar à coisa esponjosa que tenho entre as orelhas e por trás dos olhos. Parece-me negra como a estupidez.

Se calhar é.

Cecil, de longe

Ouvir Cecil Taylor num bar é como ouvir uma tempestade ao longe: está lá, quaisquer que sejam as barreiras de som que tenha de atravessar. 

Pequenas qualidades, grandes estupidezes

As minhas pequenas qualidades bóiam num mar de defeitos e incapacidades como farófias no molho de baunilha. O pouco que sei fazer faço-o bem, não por especial dom mas por ser incapaz de o fazer mal. Sou honesto por falta de imaginação, directo e frontal por não saber mentir como deve ser.

Aprendi com o tempo a conviver com os meus defeitos. Aceito-me apaziguado. Os anos de revolta ou de crença injustificada em super-poderes passaram. 

Só há uma coisa em mim contra a qual me revolto, que todos os dias lamento ter de suportar: a incapacidade total de conviver com a estupidez. É um problema grave - pejorado pelo facto de até agora ter vivido num mundo encantado, onde a maioria dos habitantes era inteligente e sabia melhor do que ninguém o que é melhor para si-própria. A coisa que mais me faz sentir a falta do meu Pai é esta. Ele tinha um jeito para lidar com estúpidos... Não é bem verdade. Ele tinha jeito para lidar com toda a gente, incluindo mentecaptos. Eu não. Dou-me bem com a maioria das pessoas que cruzo, mas com a estupidez não há maneira.

Digo isto com pena, tanto mais que vislumbro aqui um sinal de estupidez. Se fosse inteligente isto não aconteceria e teria a confederação de tolos toda atrás de mim.

26.8.20

Imobilidade, distância

 Deito-me em ti como na luz, de tão imóvel 

Dois

Vem, querida. Vamos embora. Não deixes que esta sensação de leveza te arraste para o fundo. Não deixes que o peso te impeça de voar. 

Oscilamos entre o fundo e o voo, entre o ar e o granito, o silêncio e o tumulto. 

Capacho, noite

Humildemente estendo-me à porta da noite e espero que ela me deixe entrar.

Tantas vezes fico de fora, feito capacho. 

O frio e as pernas

Começa a chegar o frio à noite, como dantes no cinema aproximávamos a perna à das pequenas.

Critérios, bordéis e poetas

Um grande amigo meu diz que só ouve  cantoras femininas se forem bonitas. O critério parece-me válido, mas tento estendê-lo à poesia e não sei se funciona: só ler poetas com caras de porteiro de bordel? 

São poucos, não dá. Tenho de alargar a malha.

Uma cerveja no paraíso

- Querido diário... Ou será antes Querido Don Vivo? Don Diário? Diário Vivo?

- Não me chateies com tanta vida. Estou  cansado, homem. Não podes parar de viver? (Em surdina: mas continuando vivo, claro)?

- Queres dizer: viver nas margens de um grande e largo rio tranquilo? Na planície que depois da chuva fica verde? Olhar à janela o Sol beijar a calçada?

- Está calado e cala-te. Não me chateies. Vive onde e como quiseres.

- Vou beber uma cerveja e depois conto-te o meu dia, queres?

- A cerveja quero. O resto dispenso.

25.8.20

Preços

A Covid 19 é uma gripe Zara a preços Louis Vuitton. 

Bilhar ("às nove e meia")

Ser capaz de fazer contas de cabeça é provavelmente a competência mais importante para um pobre no supermercado.

Eu tenho orgulho nisso: é o equivalente mental do bilhar às três tabelas.

Irrelevante

Dias de aspiração cósmica, liposucção da alma, vida nas bordas de um buraco negro. Dou à costa, encalho em mim, bato na parede e como os desenhos animados se põem a escorrer por ela abaixo, eu escorro por mim. Uma palavra é uma palavra, um mundo um mundo, cada um de nós um universo. Bolas de bilhar. Esta imagem, que me irrompeu aos quinze anos nunca mais me abandonou. Continuo sem saber quem maneja o taco, mas tenho uma sorte: a mesa é grande e é azul. O resto é irrelevante.  

Que perdem os que perdem?

Estudei um pouco, superficialmente, o fenómeno das histerias colectivas do passado, desde a Idade Média ate aos nossos dias. Um dos estudos que li dizia que a adesão das pessoas à histeria era provocada pela esperança num ganho qualquer. Esses ganhos variavam com o contexto, mas estavam sempre lá. 

O que me sidera na histeria que agora vivemos é que as pessoas aderem sem a perspectiva de um ganho concreto, palpável. Não morrer? Mas já se sabe quem morre; quem não está nesse grupo não beneficia. Não transmitir? Na rua? No café? Em casa ainda vá que não vá, mas na rua?

Percebo que quem contacta com pessoas de mais de oitenta anos e múltiplas patologias tome precauções; mas os outros? 

A primeira ilação é que quem adere a estas fantasias não perde muito (ou não se apercebeu do que vai perder, o que indica umas pistas interessantes). A segunda é que para eles a liberdade não vale muito.

23.8.20

Quem não gosta não come

 Duas ou três coisas que eu sei dele;

a) É o que é e isso é tudo o que é;
b) É surdo e infértil. Não emprenha pelos ouvidos, por muito que por vezes gostasse;
c) Não alinha em rebanhos, sejam eles de que tipo forem (inscreveu-se uma vez num partido e saiu ao fim de dois meses);
d) Diz e escreve o que pensa e às vezes - nem sempre -pensa o que diz e escreve;
e) Prefere ser como é e ser fodido a foder e não ser quem é;
f) É livre. Sempre foi e sempre o será, por curto que este último «sempre» se revele. 

Quem não gosta não come.

22.8.20

Rascunho

Deito-me embrulhado em calor, abraçado à almofada, na esperança de que o sono seja compreensivo e me leve até amanhã. 

.........

Escrever consiste basicamente em eliminar de um texto todas as palavras que podem ser lá postas pelos leitores. Daí a importãncia de um bom rascunho: tem que ter matéria a eliminar.