30.8.15

Voltas, Évora

Évora é uma cidade circular. Literal, não metaforicamente. Gosto de cidades circulares, de saber que para ir de onde estou para onde quero ir ou vou no sentido dos ponteiros do relógio ou no sentido contrário (sentido directo, para quem se interesse por estas coisas. Aquele chama-se sentido retrógrado, um bocadinho contraditoriamente).

Claro que se pode também cortar a direito, traçar uma diagonal, mas dada a configuração das ruas essa opção é quase sempre mais demorada do que ir à volta.

A qual volta tem uma vantagem adicional: se se a completar regressa-se a onde se estava a última vez que aqui se esteve.

Idade

A partir de certa idade querer ir para a cama com uma senhora deixa de ser causa e passa a consequência.

Chama-se a essa idade a idade certa.

29.8.15

Diário de Bordos - Lisboa, 29-08-2015

Vou comprar os jornais, beber um café e comer um croquete à Versailles. O ar está fresco, limpo, a rua vazia. É pela manhã cedo que se amam as cidades e as mulheres.

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Namoridos: ouvi ontem pela primeira vez esta expressão, mistura de namorado e marido. Deve haver poucas palavras que dêem tanta vontade de casar como esta.

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Planeamento de longo prazo: sei o que vou fazer e onde vou estar nos próximos dois meses.

28.8.15

Bom melhor óptimo

Ia escrever "Já tive as melhores e as piores mulheres do mundo" e depois descobri que não é verdade. Só tive as melhores.

Aquelas que eu pensava serem as piores eram simplesmente outras das muitas formas do bom.

Santuário portátil, sacrário: Tabernáculo


Este bar vai abrir em breve e quando abrir será, não tenham a menor dúvida, o melhor de Lisboa (não conto, claro, o Procópio na categoria "Bares de Lisboa" porque primeiro o Procópio não é um bar, é uma casa; e Segundo não é de Lisboa é doutra galáxia que por acaso aterrou em Lisboa. O Procópio é a melhor casa do Universo e não se pode portanto comparar a outros estabelecimentos aparentemente semelhantes).

Fica na Rua de S. Paulo, pertence ao meu irmão Hernâni e eu estou chateadíssimo por não poder estar cá quando ele inaugurar aquilo.

PS - Tem rum. Varadero 7 anos.

Tele-turis-fotos: Summertime blues






26.8.15

Jim

- Só consigo apaixonar-me por uma mulher que me obrigue a escrever - Jim fez uma pausa, sorveu o whisky como se aquilo o enjoasse (aquilo podendo ser o whisky ou o que acabara de dizer) e olhou para mim. Parecia que se perguntava de onde me conhecia. - Não! Por uma que me faça escarrar as palavras, cuspi-las, que mas arranque como dentes, sem anestesia.

Jim é meu tripulante há dois anos. É um escocês alto, ruivo e atormentado. Nunca o vi bêbedo no mar nem sóbrio em terra. A miúda a quem ele se referia é uma italiana bonita, professora de literatura inglesa na universidade local. Encontrámo-la anteontem num concerto ao ar livre, uma dessas organizações nas quais as câmaras municipais gastam dinheiro que não têm para fazer os munícipes esquecer a maneira como o dinheiro deles é dilapidado (isto dito o concerto foi óptimo, música clássica árabe tocada por um grupo grande de músicos, todos eles bons).

Estava ao pé de nós; Jim convidou-a para beber um copo quando aquilo acabou. Anuíu. Fomos a um bar ali ao lado, um antigo clube desportivo que agora compõe a vasta panóplia de bares da praça, recentemente reabilitada.

Nunca nestes dois anos vi Jim envolver-se afectivamente com quem quer que seja. Normalmente arranja uma mulher que leva para bordo e fode vigorosa e competentemente (há coisas que num monocasco de cinquenta pés não se podem ignorar). No dia da largada, quando começa o processo de desengrossamento já esqueceu o nome da senhora.

- Percebes? - O monólogo continua. - Cada vez me chateia mais ir para a cama com uma mulher só por ir.
- A sério? Não se nota, Jim - o sarcasmo passa-lhe ao lado. Fala consigo próprio, como se escolhesse os dentes que amanhã vai pôr no papel.
- Não são os olhos. Não são os lábios - faz uma pausa. - Não são as mamas. Quero dizer, não são as mamas - (Paola tinha um belíssimo conjunto delas. Percebi claramente a hesitação de Jim). - É tudo. Tudo. A pele.

Jim escreve bem. Já por mais de uma vez tive de lhe dizer que o Livro de Bordo não é o suporte adequado para escrita criativa e implorar-lhe que escreva num caderno que deixo ao lado com esse fim. Escreve claramente, tanto descreve as pessoas que encontramos como um amanhecer no mar de uma forma límpida, escorreita, sem floreados. Nunca me pareceu que precisasse de alguém para o forçar a escrever.

Ontem perguntou-me se podia convidar Paola para jantar. Disse-lhe que sim, desde que não fizesse haggis (é inútil. Gosta tão pouco daquilo como eu). Não bebeu uma gota de álcool o dia todo. O jantar correu bem. Fez um lombo de porco com tapenade, um dos meus pratos favoritos. Bebeu pouco. Paola é uma companhia adorável, Sabe conversar; quando não está de acordo com qualquer coisa mantém o seu ponto de vista e defende-o com firmeza mas sem agressividade. É bonita. Veste-se bem, com gosto e sem ostentação.

Percebi que em breve terei de começar a procurar outro tripulante e vim dormir para um hotel. Convivo bem com o barulho do sexo, mas não suporto o do amor.

25.8.15

Silke

Ela ia descer do comboio no Entroncamento e desafiei-a a vir até Lisboa. Disse que sim, passámos o resto do trajecto a falar não sei de quê e mal chegámos fomos para minha casa para o meu quarto para a minha cama e fizemos amor a noite toda, um amor selvagem, não violento mas feroz, impetuoso, bravo como se fôssemos dois soldados de regresso da guerra como se estivéssemos a lutar e não a amar como se estivéssemos possuídos e não a possuir, como se adivinhássemos que uma vez passada aquela noite nunca mais nos veríamos e quiséssemos exorcizar tal desgraça.

Saí de manhã cedo, ainda ela estava a dormir. Deixei-lhe um bilhete: "Podes ficar até quando quiseres. Beijo. Pedro" e fui-me embora, nessa altura tinha um barco em Belém, peguei nele e naveguei para Oeste. Passei os Açores, voltei para trás, pouco antes de chegar a Lisboa virei para Norte até quase ao meio da Biscaia, voltei para trás porque já não tinha comida a bordo. Parei em La Coruña, comprei mantimentos, embebedei-me e quando acordei estava no mar outra vez, para Sul. Atraquei em Belém quase três semanas depois de ter largado. Foi assim que descobri que sou um idiota, certeza essa que me tem acompanhado desde então.

Ela não deixara resposta para além do nome, por baixo do meu: Silke.

Conselho: princípes

Um conselho às inúmeras senhoras que encontro por esse mundo fora à espera de um princípe encantado: um princípe desencantado é muito melhor.

24.8.15

Almoço improvisado - Miscelânea de chouriços com legumes

Comecei por fritar os diferentes chouriços num bocadinho de azeite; na gordura que daí resultou refoguei cebola, pimento e rabanetes, por esta ordem - uns cortados às rodelas finas, os outros cortados em bocados nem grandes nem pequenos.

Uma vez fritos chouriços, cebola, pimento e rabanetes fiz o mesmoa duas beringelas cortadas em fatias. As quais foram fazer companhia aos colegas numa panela, mais quatro ou cinco tomates pequenos devidamente cortados e descaroçoados.

Juntei água, coentros secos, orégãos, tomilho (faltou louro, não teria perdido nada. Muito antes pelo contrário) e deixei cozer um bocadinho.

Resultou um almoço agradável, veranil, cujos restos serão comidos amanhã frios porque quase faz alembrar uma ratatouille. Quase.

Fragmento

"Dieu a été généreux avec moi: ce qu'il ne m'a pas donné en fric m'a restitué en bonheur. Je sors gagnant."

Palavras, redescoberta, vida

De repente redescobri as palavras. Penso que percebem o que quero dizer: é como estar muito tempo debaixo de água, vem-se à superfície e inspira-se como se a atmosfera toda entrasse em nós e fica-se bêbedo de ar.

Sou um rapaz temperado, detesto os excessos excepto aqueles de que gosto demasiado para fingir que sou temperado mas os outros, sem os quais posso passar, dispenso-os facilmente.

É por isso que gosto de redescobrir as palavras assim tão subitamente, em excesso e não me importo nada de as perder outra vez. Aquele momento à tona de água em que a vida entra em nós e nós somos a vida e a ausência de palavras se esvai em segundos dura uma vida.

Jantar improvisado - ovos mexidos com cebola, pimento e gengibre

Numa frigideira refoguei cebola salpicada com gengibre raspado fino; acrescentei bastantes coentros picados finos também, que isto ou há moralidade ou se picam todos, e pimento encarnado, se bem essa não seja a minha cor favorita. À falta de pimentos azuis faz-se o que se pode.

Bati os ovos com queijo picado - pena não ter sido queijo da ilha - paprika e os inescapáveis cominhos secos.

Depois baixei (ainda mais) o lume, misturei tudo e fui mexendo devagar até estarem os ovos contentes. Isto é: antes de secarem.

No frigorífico havia um branco redondo que se juntou à festa e foi isso mesmo - uma festa.

Instruções

Não se salta nem de uma embarcação nem de um sonho. Desce-se, como se o sonho estivesse tão próximo da vida como o barco deve estar do cais antes de dele sair.

23.8.15

Saudades

Que saudades tenho de um bom verbo e respectivo pronome reflexo.

Navegar, como se

Vou navegar por essa liberdade fora como se pedalasse as estradas do teu corpo, como se nos navegássemos os dois felizes e livres, como se as estradas e o mar e o vento fôssemos nós, como se um sonho parisse um mundo e o respectivo tempo, como se a vida e o futuro fossem feitos de um olhar e um sorriso. Os teus.

Haver, não haver

De todos os lugares não há um lugar, há muitos. De todos os dias, todas as luzes, horas. De todas as mulheres não há mulheres, hás tu.

Excesso e temperança

Dia lindo: calor mas não demasiado, vento, núvens e sol idem, tráfico e gente em quantidades moderadas.

Só pode fazer a apologia do excesso quem conhece as virtudes da mediania.

Tele-tripulante-foto



O dia começou bem.

(Fotografia de T. Paoli)

Marte, Portugal

As pessoas que querem ir viver para Marte não deviam visitar Portugal: perderiam toda a vontade.

Isto é a versão boa de Marte (ou Júpiter, ou Saturno ou outro lugar qualquer do espaço exterior).

Diário de Bordos - Lisboa, 23-08-2015

Ontem fui navegar. Belém - Cascais - Belém. Não sei quantas vezes fiz este percurso desde que em 1974 cheguei a Lisboa. Centenas, largas centenas: um ano tem 52 semanas. Deduzo todos os anos que não estive cá e acresço as semanas em que o fiz vezes.

Ainda me lembro de quando a linha era um conjunto de povoações separadas umas das outras por manchas de verde. Os edifícios encarnados nas Trafaria ao qual aproávamos no regresso de Cascais desapareceram, as manchas de verde entre as vilas também. A Nortada e a beleza mantém-se. Nem os sacanas dos pescadores mai-las malditas bóias conseguem estragar aquilo.

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Anda tudo ligado e cabe-nos a nós ligar o que não está. Navegar com alguém que sabe o que é um oxímoro, uma nemésis e consegue argumentar correcta e sorridentemente um ponto de vista é melhor do que navegar com alguém cujo conhecimento se limita a navegar - se bem isto já seja muito bom, forçoso é reconhecer.

Navegar é bom, conversar também, uma boa conversa num maravilhoso dia de vela ainda melhor. Como dizia a jovem tripulante, ontem "não trabalhamos numa mina". Não, muito longe disso, graças sejam dadas a quem a elas tem direito.

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Regressei a casa de táxi. Já não apanhava um há tanto tempo que não sabia como fazer. A ideia original era apanhar um autocarro e descer onde ele me deixasse (reminiscências dos dias sem dinheiro em Paris: metia-me num autocarro e fazia o trajecto duas ou três vezes), mas isso é difícil num táxi cujo chauffeur está nervosíssimo por causa do relato do jogo de futebol - quarenta mil pessoas, diz o relator numa das poucas frases cujo sentido percebi. Quarenta mil. Ia acrescentar patetas, mas sei que não é verdade e isso ainda torna a constatação mais dolorosa. Quarenta mil pessoas -.

Acabei por alterar o trajecto duas ou três vezes e num supermercado. Podia ter sido pior.

Cansaço

Nado numa piscina de sono e cansaço. Alambuzo-me de camembert, Syrah, carne de porco e piripiri (tudo isto envolvido em cansaço como uma empada) e surpreendo-me: não é uma fatiga física. Não é sequer uma fatiga urgente: é plácida, inevitável como um dia de sol.

E a felicidade: sólida, tangível. Um paralelipípedo que nada comigo na piscina do sono.

21.8.15

Também é verdade

Também é verdade que as mulheres deviam nascer todas com trinta anos já feitos, para nos poupar esta horrível e longa espera.

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  • Desodorizante para sonhos;
  • Escova de almas;
  • Livro de instruções melancólicas;
  • Borrachas para memórias indeléveis;
  • Pílulas para dourar ambições;
  • Panelas sem fundo;
  • Frigideiras a frio;
  • Colheres sem cabo;
  • Facas sem angústias;
  • Cicatrizantes para feridas invisíveis;
  • Colírio para os olhos da alma.


A lista está longe de ser exaustiva. Se o seu produto não está mencionado é decerto por falha do autor. Não hesite em contactar a direcção.

20.8.15

Desde, para

O que vem de sempre dura para sempre.

Poderes

Há pessoas que atribuem às palavras poderes que elas não têm. Desculpa, por exemplo. Três sílabas que se lançam para o ar, ordenadamente. E depois tudo continua na mesma, como se nada tivesse sido feito.

Ou dito.

Azar

É forçoso reconhecê-lo: os automobilistas são na sua esmagadora maioria pessoas civilizadas, corteses, educadas. Cedem gentilmente passagem aos peões, não usam a buzina se não com fins altruístas, nunca estacionam nos passeios nem nas passagens dedicadas a quem anda a pé, deixam passar os autocarros e outros meios de transporte em comum.

Eu é que tenho azar e só apanho imbecis malcriados e agressivos.

(Esmagadora, literalmente: hoje o senhor automobilista sentiu-se na obrigação de me dizer: "a próxima vez passo-te por cima"; ao que eu não respondi "se faz favor" porque a) não é verdade e b) ele já estava demasiado longe).

Reedição - Escola voodoo de economia, sucursal portuguesa

"Isto não vai acabar bem." Assim acaba um post de João Galamba, no Jugular. É bom augúrio. Se a Jugular School of Economics diz uma coisa, o mais provável é que seja o contrário que se verifique: temos alguns anos de experiência com os governos Sócrates para o saber.

(Além de que dá um certo espanto ver alguém ligado ao PS e que sempre defendeu Sócrates dizer "isto vai acabar mal". É verdade que estava tudo optimamente, ele era TGV, autoestradas, expansão do terminal de contentores de Alcântara, ele era amigos e consultorias e dinheiro pela janela a rodos, e agora é esta malta que vem estragar tudo; mas um mínimo de decoro não faz mal a ninguém).

[Este dá um prazer especial. A prospectiva não é a minha especialidsade].

02.09.11

Reedição - A fé dos convertidos

Vejo que a esquerda reclama - podre de razão, desta vez - com os aumentos de impostos. É bom ver este lado do espectro político preocupado com a capacidade do Estado para gerir os nossos impostos. Esperemos que dure, e quando for a vez de um governo PS (longe vá o agoiro) se oponham com igual veemência à pirataria fiscal.

A continuar assim ainda vai reclamar cortes na despesa.

(02.09.11)

Reedição - A força das coisas

Contigo sou todo e sou muito; sem ti não chego nem a metade e bem pouco sou, quase nada.

(11.09.11)

Diário de Bordos - Lisboa, 20-08-2015

Os franceses têm uma expressão da qual gosto muito: c'est comme pisser dans un violon. É excatamente o que penso dos tratamentos auto-receitados a uma porra de uma dor no joelho que há dois meses não me larga (e agora aumentou, filha da mãe). São como mijar num violino.

Hoje resignei-me e marquei uma consulta no médico. É passar um atestado de incompetência ao corpo, não é?

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Ontem estive perto de um transporte nos Estados Unidos, de Rhode Island ao Texas. Perdi-o por causa do visa. Curioso como esta admiração que tinha pela terra dos bravos se desvanece pouco a pouco. Começou com a absurda regulamentação de tudo e mais alguma coisa - aquilo está transformado numa terra em que o absurdo manda -; e depois veio por aí abaixo, até desaguar em coisas comezinhas como esta.

Lá terei de fazer a merda do visa.

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Médico, visa... Há pessoas que incensam o real. A mim parece uma colecção de merdices. Cheias de força, é certo, Mas merdices.

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Ando a escolher receitas. O DV tem cinquenta e quatro - pelo menos as devidamente etiquetadas -. Não as vou refazer todas, mas vou andar lá perto, o mais perto possível.

Uma viagem gastronómica pelo passado recente (o DV é velho, mas relativamente. Doze anos pouco mais é do que uma vida. Vida e meia, se quiseremos ser precisos).

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Temos visto filmes na televisão, a minha anfitriã e eu. Um por dia, escolhidos por consenso. Mais uma vitória do real: não é tão bom como ir ao cinema, mas é melhor do que não os ver de todo.

Ontem calho a vez a um filme giro, na versão original chamado Copying Beethoven. Interpretação majestática de Ed Harris, na diagonal oposta do cabotino do Day-Lewis (enfim, um cabotino genial, reconheço).

Um bom actor, argumento excelente e actriz gira (e boa, também). É preciso tão pouco, não é? Talento. A sequência da interpretação da Nona (o leitmotiv do filme) é digna de antologia.

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Lisboa destapou-se das núvens e cá está, radiosa e limpa. Pelo menos no céu, que as ruas continuam uma desgraça.

Com graças inesperadas: descobri um restaurante na rua de Arroios chamado Delícia de Arroios. A amostra ainda é demasiado pequena para falar; mas não vai ficar assim por muito tempo.Há muito tempo que não como um pica-pau tão bom, tão eficiente e simpaticamente servido.

19.8.15

Picar, morder

Gosto de mulheres que picam; detesto as que mordem.