17.10.05

Definição

Um amigo trai-te, rouba-te. A sua má fé cheira mal, cheira a podre. O homem é asqueroso, afinal, abjecto. E tu não consegues odiá-lo, querer-lhe mal. Que espécie de homem és tu? Encaras tudo isto com um misto de fatalismo e desprezo - desprezo por ti, que te deixaste enganar, desprezo pelos carácteres que se mostraram finalmente como são, desprezo por ti outra vez, que não consegues querer mal a quem to fez.

Não o consegues sequer odiar: é como se nunca o tivesses conhecido, como se ele nunca tivesse existido na tua vida, como se ele não fosse. Como se estivesses cansado, ou gasto. O que viveste fortaleceu-te, ou enfraqueceu-te?

Depois apercebes-te que tens uma parte da culpa, ou pelo menos da responsabilidade; e que ele não passa de um pobre diabo ultrapassado pelas circunstâncias. Lembras-te que só de nós mesmos podemos ser juízes. Dos outros não. Ele deixa de ser asqueroso; o mundo (ou a minúscula parte dele que te coube em sorte) vai voltar ao normal. Vais ser capaz de recuperar, vais sobreviver, vais ganhar. Viver torna-te mais forte: ensina-te que um dia esquecerás.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.