20.3.07

Hospital Egas Moniz - II

Hoje, a caminho do Hospital Egas Moniz, e no regresso também, descobri dois cafés com casas de banho infinitamente mais limpas que as do Hospital. Utilizo "infinitamente" no sentido matemático do termo: as casas de banho dos cafés estavam limpas, as do estabelecimento de saúde (pelo menos aquelas que estão abertas ao público), não estão.

Um amigo meu acha que isto são "acessórios" e "anedotas". Quanto a ele, o que conta é a qualidade dos médicos, não o estado das instalações ou a admirável organização dos serviços, que faz que uma consulta marcada para as nove horas seja realizada, por exemplo, às dez e meia. Eu não sei, confesso, se a qualidade dos médicos portugueses é de tal forma superior à dos seus congéneres europeus que justifique o ambiente degradado e degradante, humilhante, porco, miserável dos hospitais nacionais (enfim, só conheço dois ou três, mas parece que não são muito diferentes da média). Não sei.

Esta opinião do meu amigo faz-me lembrar um artigo que li uma vez, creio - mas não garanto - no Expresso, sobre o Isaltino Morais. Defendia o articulista que os autarcas ou são bons e corruptos, ou maus e honestos, e que a escolher mais valem os primeiros. Subscrevo sem pestanejar esta opinião - mas pergunto-me se não seria possível introduzir mais um elemento nao leque de escolhas: a saber, um autarca bom e honesto.

Talvez este excesso de pragmatismo seja um dos factores (eles são, decerto, muitos) que explicam certas coisas que se passam no nosso país. Talvez os médicos sejam bons: noutro dia, por exemplo, vi um distinto político da nossa praça no Hospital, no mesmo corredor lúgubre que serve de sala de espera àquele departamento - ridiculamente insuficiente, de resto. Claro que ele não esperou sentado nas cadeiras minúsculas, coladas umas às outras como num país africano - passou pela via Bus, no que não o critico (eu também beneficio de uma "ajudazinha", se bem que não consiga deixar de sentir uma certa má-consciência). Ora, se os médicos fossem maus, o senhor não teria lá ido.

Mas, quanto a mim, a qualidade dos médicos é apenas um dos elementos do conjunto de factores que constitui um serviço de saúde, não é o único. Acho que as instalações devem ser boas, e as consultas dadas à hora marcada. Todos temos direito, penso, a ser tratados com dignidade.

Afinal, o Serviço Nacional de Saúde custa-nos caro, e é obrigatório. O mínimo que lhe pode pedir é que tenha casas de banho limpas - porque ter que pagar um café ou uma água só para ter direito a utilizar uma casa de banho de um estabelecimento privado é como ter que pagar mais um imposto.