25.3.08

Nova esquerda, velhas mentes

A esquerda de hoje só é incompreensível porque nós continuamos a olhar para ela à luz da esquerda da ciência, do progresso, da justiça social, do internacionalismo de antanho. É evidente que depois da União Soviética, da China, da Coreia do Norte, do Cambodja, de Cuba, do Vietnam, da Etiópia, de Angola, Moçambique, Albânia e tantos outras experiências de socialismo científico, popular ou "democrático", a esquerda de hoje não pode continuar a desfraldar essas causas: teria o ar ridículo, confrangedor e patético da meia dúzia de iluminados comunistas que prosseguem o “combate”, afrontando as forças da reacção - é assim que eles chamam à realidade - com a energia da cegueira.

A esquerda “moderna” viu-se portanto obrigada a adoptar outras causas. Claro que o substracto é o mesmo, mas as bandeiras são outras: o progresso científico foi para as urtigas - hoje, o progresso é inimigo do homem, e já não a salvação; a justiça social foi substituída pelo relativismo - é a única forma de se defender os palestinianos corruptos, anti-democráticos, machistas, anti-gay, contra os israelitas; e o internacionalismo foi substituído pelo direito à auto-determinação.

Uma ideologia que assentava em raciocínios falaciosos, em práticas ditatoriais e que levou aquilo que se viu (ou vê, em Cuba, na Coreia do Norte) está hoje condenada a defender Sadams e Ahmadinejads e a lutar contra a “globalização”, contra os transgénicos e contra os Estados Unidos, que representam o mal absoluto.

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