5.5.09

Retratos possíveis

Encontrei-o na Baixa há uns dias. Não nos víamos há mais de 20 anos. Na altura era um pobretanas, vivia de pequenos empregos, todos eles breves - acaba sempre despedido, vítima de uma injustiça, uma desonestidade, uma maldade.

Agora está visivelmente rico - e de bom gosto, ainda por cima: tudo do bom, do melhor e do discreto. Fomos almoçar, e explicou-me a razão da metamorfose. "Sabes, eu pensava que era honesto, naqueles tempos. Mas não era: não tinha imaginação, apenas. O que dá formas profundas, mas provisórias, de honestidade". Fez um esgar e acrescentou "felizmente".

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