6.1.10

Empresários, suspiro, portugueses

Recentemente paguei 18,50 euros - dezoito euros e cinquenta cêntimos, ou seja: muito - para jantar e ouvir um senhor debitar muitos disparates (por esta ordem) sobre os mais variados temas (mas principalmente "o Mar"). Se bem eu evite jantar por quantias consideráveis como essa forçoso é reconhecer que a refeição estava boa.

Já os disparates do senhor foram, por assim dizer, penosos. Quando intervim, após a sua exaltada palestra, consegui rebater alguns pontos. Mas não todos - dei a prioridade ao "Mar" e oops, não quis alongar demasiado as minhas observações. E o que ficou de fora foi, infelizmente, os "empresários portugueses". São "selvagens", "desumanos", "gananciosos" ou, como é aqui também dito, "retrógrados". Numa palavra, dizia o senhor, "não merecem o nome de empresários". São empresários "a fingir", "de trazer por casa", etc.

No Risco Contínuo deixei um comentário sobre isso (se bem não queira meter no mesmo saco o autor do post, por quem tenho muito respeito, e o senhor do jantar do outro dia) que parcialmente reproduzo aqui, pois é um tema que me interessa bastante e que gostava de deixar registado "em casa":

"Seja como for, proponho uma forma relativamente simples de paliar a essa lamentável característica dos nossos empresários: a próxima vez que for, por exemplo, fazer compras diga na caixa que não quer pagar a conta que a empregada (na sua grande maioria) lhe apresentou, mas que quer pagar mais, sei lá 40%? 50%?, pois o ordenado dela é muito baixo. Não o faça a título de gorjeta: chame o gerente do supermercado e exija-lhe um recibo do montante com o qual v. - e certamente todos os portugueses não-retrógrados - querem compensar os salários miseráveis dos empregados.

[Faça o mesmo em todas as suas compras e a todos os seus fornecedores e] Vai ver que num curtíssimo espaço de tempo encontrará milhares de aderentes a essa prática e - como por milagre - os salários dos empregados portugueses terão aumentado." [o seu incluído, se a sua empresa tiver muitos portugueses não-retrógrados como clientes].

(PS - claro que há casos de abusos insuportáveis, como ainda recentemente citei aqui no DV. Não devem ser mais, nem menos do que os diferentes abusos dos empregados, ou melhor: todos os outros abusos e incumprimentos.)

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