6.11.10

Colónias

Cayenne não é diferente daquilo que eu imaginava - excepto talvez na oferta cultural, que é grande. Os franceses não têm muitas dúvidas sobre a exception française, o centralismo, e as allocations. Não há esgotos a céu aberto, há vinho branco e mexilhões com batatas fritas, e sal de Guérande*. Há um café colonial, chamado Palmistes, onde o tout Cayenne se encontra, e eu oiço um grupo de jazz - bastante aceitável, ma foi - e penso nos estragos que as boas consciências e as boas intenções fizeram nos anos 60.

É aqui que acaba a primeira parte da minha viagem. Estava tentado a ir a Paramaribo - o rum El Dorado 15 anos é o melhor que jamais bebi e justifica uma volta ao mundo, quanto mais um pequeno salto; mas é preciso um visa, o que é injusto. Domingo vou para a Martinique - outra França, esta conhecida (e não muito amada, verdade seja dita: é racista e cospe na sopa, duas coisas que suporto mal).

* Um dia o meu médico - um dos melhores que jamais conheci, digo-o sem qualquer espécie de reserva - tentou explicar-me os malefícios (segundo ele) do sal. Falei-lhe no sal de Guérande (precisando que não é sequer preciso ir para a Flor de Sal, uma paneleirice). Nunca mais me chateeou com o sal.

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