14.12.10

Matillhas, cheiro a sangue e bom senso

Não sou, nunca fui, de matilhas, cardumes ou manadas, e não me arrependo (de qualquer forma agora seria demasiado tarde para mudar, portanto mais vale continuar como sou). De todas as formas de matilha, a que mais me horripila é quando estão em causa crimes hediondos, como o do assassínio de uma criança de 4 anos, e a populaça, a canalha, a rasquice se junta para condenar, antes de qualquer julgamento ou prova ou seja o que for, a b ou c. Pessoas que estão, aposto, prontas a abanar a cabeça consternadas quando o tema são os crimes da Inquisação acusam alegremente quem lhes apetece, pelas razões mais absurdas.

No caso de Madeleine esta atitude parece-me tão mais grave quanto os acusados são os pais da criança (não sei se foram eles se não foram, mas aposto que se foram não vão aguentar para sempre o peso da consciência). A partir deste título "WikiLeaks: Polícia britânica suspeitou dos pais de Maddie McCann", já por aí andam as mais descabeladas acusações. Como se não fosse obrigação da polícia desconfiar de qualquer pessoa que tivesse a possibilidade de assassinar a criança.

É exactamente para isso que a polícia existe - para suspeitar de todos os possíveis criminosos. Mas há uma diferença muito grande entre "suspeitar" e "ter provas". Talvez não fosse má ideia a matilha lembrar-se disso. E como é impossível uma matilha fazer essa distinção, pelo menos algumas das pessoas que a compõem deviam fazê-la.

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