6.2.11

Dispersos diversos

Os planos para a tarde eram ambiciosos: comprar uma baguette, accras e boudin créole e ir para casa comê-los acompanhados por ti'punch (ou vinho tinto? Eis o objecto de um intenso debate interno); e depois ou lavar o chão ou cozinhar os legumes biológicos da irmã do senhorio. Acabei a acompanhá-los com cerveja e de seguida fui ler, o que demonstra o valor das ambições e a utilidade dos debates internos.

O gajo da mesa à frente da minha ouve a mulher, que não pára de falar, gesticular, levantar-se, gritar aos cães; é magra, muito magra, demasiado magra, mas tem uma voz bonita. De vez em quando os nossos olhares (dele e meu, quero dizer) encontram-se e o dele diz-me "que queres? Todos temos de fazer sacrifícios para atingir alguns objectivos", e o meu responde-lhe "eu sei, meu velho, eu sei". Mas depois apercebo-me que não posso dizer "meu velho" porque ele tem pelo menos mais 30 anos do que ela e da próxima vez que os nossos olhares dialogarem vou mudar para "meu caro".

PS - a mulher consegue finalmente que ele lhe deite a unha e celebra dando beijos ao cão (ele levantou-se para ir à casa de banho. É um truque antigo, mas continua a funcionar como um relógio suíço).

Há dois ou três dias que sou alvo de mosquitos como nunca fui. Acho que foi da mudança para rum velho, um Clément Vieux muito acima do correcto (quando se bebe sozinho. Faz uns ti'punch demasiado sem carácter, a meu ver).

O blog estava para ser bilingue, ao princípio. Depois ficou em português, com raras incursões noutras línguas. Vai continuar assim por mais uns tempos. Ainda não deixei Portugal, e não sei se alguma vez deixarei, por muitas tentativas que faça.

Um país estrangeiro entra-me primeiro pelos olhos e depois pela boca.

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