16.2.11

Serviço Público - Restaurantes Le Marin

A Paillote Cayali é um digníssimo restaurante sito na praia, a menos de meia dúzia de metros da água. É um dos meus locais favoritos no Marin. Gosto de lá ir ver navios (enfim, na verdade não são navios; são embarcações de vela, centenas delas, fundeadas na baía mesmo à frente do restaurante); e ouvir música, frequentemente muito boa.

O restaurante Paillote Cayali avisa algures os seus clientes de que não faz crédito; mas não os avisa de que tão pouco serve à mesa. Uma pessoa senta-se nas mesas (de plástico branco, tal como nas nossas esplanadas e praias, infelizmente) e espera tempos infindos; se não tem sede ou fome, levanta-se e vai-se embora; caso contrário, levanta-se e vai ao balcão, onde é recebido por um senhor que não fala e não exprime o mais pequeno sinal de ter percebido o que lhe dissemos. Estas regras têm uma excepção notável: as pessoas que acumulem as qualidades de cliente e amigo do senhor são atendidas, ouvidas e faladas. Mas são as únicas.

Nunca comi nada de muito sofisticado na Paillote Cayali: frango ou entrecosto grelhados e – não sei se é memória se sonho – umas accras de bacalhau. Tudo muito para lá do correcto, a raiar o excelente. Quando chega o momento de pagar essa impressão mantém-se: a Paillote Cayali é um excelente restaurante, híbrido de self-service e restaurante com serviço de mesas (é o senhor que traz os pratos à mesa. Um dia, manda a verdade que o diga, até lhe consegui arrancar uma frase completa: “as accras são apenas para as pessoas que comem” - ou seja, para as pessoas que almoçam ou jantam. Foi na primeira vez que lá fui, e porque insisti bastante: não percebia porque não havia accras num sítio tão agradável e tão apropriado ao seu consumo. Nunca mais lhe consegui arrancar uma frase completa).

Hoje vim comer um frango grelhado. As embarcações estão no seu lugar, muitas delas com a luz de fundeadouro acesas – planetas imóveis, almas penadas agarradas ao fundo. Os cascos, brancos na sua esmagadora maioria, traçam uma linha clara entre o negro do céu e o da água, tão semelhantes. Na praia a água é transparente, e como não há vagas e se vê bem o fundo a transição entre a areia seca da praia e a que está coberta pelo mar prolonga-se alguns metros.

Seria injusto – e um grande erro - não incluir a Paillote Cayali na vossa lista de restaurantes do Marin, se por acaso por aqui passarem.

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