14.6.11

Auto-retrato (bis)

Sou português e marinheiro sempre, e gestor às vezes (graças a Deus). Enquanto português acho que não preciso de ter vergonha: leio Camões, Pessoa, Diniz Machado e Cardoso Pires (e Vergílio Ferreira) no original; odeio Manoel de Oliveira; como bacalhau e sardinhas em quantidades mais do que razoáveis, bebo vinho e aguardente como um homem feliz e já plantei cruzinhas em metade dos continentes (a outra metade não perde pela demora); como marinheiro também me defendo, creio: já tive a minha justa quota de erros, e outra, mais justa ainda (espero) de sucessos.

Gestor sou, com toda a simplicidade, o pior do mundo. É muito desagradável, mas permite conhecer por dentro a diferença entre erros, insucessos e falhanços. Ou seja: entre visão estratégica, excesso de visão estratégica e falta total de visão táctica. Começo a conhecer-me.