6.12.11

Diário de Bordos - Falmouth Harbour, Antigua, 05-12-2011

Falmouth Harbour está cheio, a abarrotar. O boat show dos mega-iates encheu isto de caras novas, todas iguais, apesar de algumas serem loiras, outras morenas, ruivas (poucas) ou pretas (menos ainda). São todas sobretudo barulhentas. "Estás velho", diz-me a Lena; "estás velho", ecoa P., quando lhes faço o comentário. "Pois estou. É bom estar velho. Eu gosto, pelo menos".

Descubro na minha filha uma excelente conversadora, com argumentos lapidares, justos, precisos. Deve ser por isso que faz leme tão bem (não sei qual é a relação, mas deve haver uma, escondida quelque part).

Não sou de muitos amigos, mas sou de grandes amizades.

Domingo que vem vamos para Grenada buscar o barco de Ph., um "clássico" de quarenta anos, sem motor e com um leme de vento, coisa que não uso há quase quarenta anos. Quase. É uma troca: em contrapartida posso mostrar à Lena os meus sítios favoritos nestas ilhas: Bequia, Bequia, Bequia, Deux Pitons, Wallilabou Bay; e Grenada, claro. Gosto de St. George's Town quase tanto como de Bequia, San Juan, e outras cidades nas quais nunca somos estrangeiros, mesmo que nunca lá tenhamos ido, ou só de passagem.

Vamos ouvir um casal de músicos espanhóis que nos apareceu aqui caído das nuvens. Parece que é bom. É ao lado do Skullduggery: se for mau não se perde muito tempo. E a rapariga é bonita; se for mau nem tudo está perdido.

Gosto muito das pessoas, mas não gosto da superfície das pessoas. Deve ser por isso que não sou de muitos amigos.

Qualquer dia a minha vida de vagamundo acaba. Só espero duas coisas: que acabe, e que esse dia venha longe.

O amor é uma coisa estranha: resiste a tudo menos à falta de amor. Já a vida não é assim: resiste a tudo.

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