5.10.12

Almoço improvisado (e jantar)

Para quem vive em Portugal - ou melhor, para quem nao vive em Palma - encontrar sobreasada nao sera provavelmente fácil. Talvez o Corte Inglés tenha, nao sei.

A ideia inicial era fazer um almoço simples em torno de dois sabores fortes: o gengibre (no salmao) e o rosmaninho (nas batatas). Mas o forno nao estava a funcionar e em vez de assar os tubérculos do senhor Parmentier numa travessa de barro com azeite, muito rosmaninho e três ou quatro dentes de alho (en chemise, que isto agora anda prude) fritei-os na frigideira, acrescentando meia sobreasada a tudo o que estava na travessa.

A qual sobreasada é um enchido feito com carne de porco, pimentao e muitas mais coisas que podem ver aqui, especialidade das Baleares e que por si só justifica uma viagem ao arquipélago, e uma longa estadia.

O resultado foi uma explosao de sabores, passe o cliché. Uma explosao boa, sensual, rica, gulosa, mulata; e páro aqui para nao descambar, que isto agora anda prude.

É cedo de mais para falar no jantar: ainda está ao lume. Comecei por saltear um bocado de toucinho cru, pimento verde (dos de Maiorca, nao os habituais), cebola picada, meio pimento encarnado, um pouco de aipo, um tomate, uma beringela - tudo isto separadamente e em lume forte - e por fim um belo naco de carne de guisar.

Depois pus tudo no lume muito fraco, em vinho tinto e com pimentao doce, rosmaninho, orégaos e pimenta preta como especiarias. Ficou a burburinhar, fui beber um Hierbas Tunel (ou aqui) e vim escrever disparates no locutorio onde tenho de vir escrevê-los enquanto o meu computador estiver na sua forçada greve de fome.

Verdade seja dita que nao venho só escrevê-los: também os leio, e muitos.