31.1.13

Falmouth Harbour, Antígua e Barbuda, 31-01-2013 / 2

Pouco a pouco o luto faz-se. Enfim, não é pouco a pouco. Tive ajuda, claro: o rum Mount Gay, o trabalho, o Don Vivo. E a razão, por estranho que pareça. Primeiro, porque é tolice ficar triste por acontecer algo que sabíamos aconteceria, mais tarde ou cedo; e pela qual, inclusivamente, lutámos. Segundo, porque recebi o mais belo texto de ruptura que jamais me foi dado ler. Inevitável por inevitável, ao menos que seja belo.


Claro que não é fácil estar outra vez sozinho, não ter uma casa onde possa ler e ouvir música, ser tratado como se tivesse sido eu o algoz, que não fui (por muito compreensível que seja, e eu compreendo. Mas estar sempre a compreender cansa). Acresce que o mercado de senhoras interessantes, disponíveis e - sim - com uma idade mais próxima da minha é extremamente limitado, nestas bandas.

A verdade é que o luto se está a fazer, muito mais depressa do que eu pensava. Há vida depois da morte. E nessa vida há vento, mar, prazer. A dor que vá dar uma volta ao bilhar grande, e por lá fique.

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Viver numa embarcação fundeada tem algumas vantagens - acordar no meio da baía de Falmouth Harbour é uma experiência que sugiro fortemente a todos - mas tem uma desvantagem muito grande: a partilha do bote. A partir de hoje somos só dois, mas temos vidas e horas completamente diferentes. Gostava de ir para bordo ler e descansar e celebrar, mas se o fizer sei que a meio da noite vou receber um telefonema para ir a terra buscar o co-inquilino.


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O Blues Shack é muito agradável quando o dono não canta nem fala, o que infelizmente é raro.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.