18.3.13

(Quase)

A minha estadia em Antígua está muito perto do fim. Acabo passar os piores dois meses da minha vida. Juste retour des choses, diriam os nossos amigos francófonos: foi aqui que passei alguns dos melhores e mais felizes meses de sempre (se fosse preciso fazer uma contabilidade: os dias felizes batem os infelizes).

Com esta partida acaba não só um período como acaba uma vida, e começa outra. Por acaso na Costa Rica, mas se tivesse ficado aqui seria a mesma coisa: as vidas não dependem dos locais onde as vivemos.

Abordo esta nova etapa motivado, confiante, de novo ao leme. Não acredito em recomeços do zero, em tabulæ rasa, em metamorfoses; mas acredito que cada etapa pode fazer de nós uma pessoa melhor ou pior, que algumas coisas em nós podem mudar, para melhor como para pior.

Tenho pedido bastantes informações sobre a Costa Rica, e todas concordam: um país pouco corrupto, lindo de morrer, com um elevadíssimo potencial para charter. E apercebo-me de que no fundo não conheço Antigua. Normalmente interesso-me pela política, pela economia, pela sociedade dos países onde vivo. Deste - na primeira época por estar a trabalhar todos os dias naquilo a que a minha filha chamava um "planeta paralelo", nesta por ter outras coisas em que pensar (e ter trabalhado, também) - não sei nada. Sei que gosto dele, da simpatia das pessoas, da beleza dos sítios onde vivo; pouco mais. É muito, e simultanamente pouco.

É possível que volte cá: nunca é uma palavra que engana muito, como quase, de resto. Não sei. Do passado só me interessa o pouco que transita para o futuro; o que vai para o baú não me seduz; e cada vez menos, talvez por o baú começar a estar muito cheio.

Conto os dias que faltam com impaciência; em breve contarei as horas; em breve, de Antígua não ficarão mais do que os dias de felicidade que aqui vivi. Os outros já estão (quase) no baú.