24.5.13

A maga magra

Eu estava deitado no meu camarote, já passava da meia noite e ela entrou-me por ele adentro, maga e muito magra, muito bonita, toda loira. Não sei se já vinha nua quando entrou no camarote, mas sei que mal entrou se pôs em cima de mim, muito bonita e muito branca, um grande sorriso linear como a rebentação numa praia e dizia sim sim sim e eu dizia sim sim sim e ela sim sim sim eu sim sim sim e por ali andámos numa fona de sins até que ela se veio por ali abaixo e eu me vim por ela acima. Não tinha mamas nem pentelheira, era elegante uma prancha de surf com um umbigo no meio e uma cara muito bonita em cima, é um efeito das pilas, tornam mais bonitas as caras bonitas e menos feias as feias vá lá saber-se porquê.

Eu não fiz nada, só estava ali deitado de pau feito, também não me lembro se já estava feito quando ela entrou se se fez depois, foi tudo muito rápido, ela entrou e saíu de mim como um comboio de um túnel, depois disse-me "gostei muito, obrigada, boa noite, dorme bem" e pronto, desapareceu da minha noite, da minha vida, do meu camarote.

Ontem li uma frase do Kundera, dizia que o verdadeiro amor acaba em morte e se um amor não acabar em morte não é verdadeiro, não sei onde escreveu ele aquilo, é uma grande verdade, mas a verdade é que há mortes parciais, mortes assim assim, mortes interrompíveis por uma maga bonita magra e loira que num momento de escuridão nos faz ver que afinal não estamos mortos, estamos só desmaiados, ou assim assim, mortos mas ressuscitamos.

Ou mortos mortos e as magas magras são uma ilusão, também é possível, uma miragem.