30.5.13

Diário de bordos - Golfito, Costa Rica, 30-05-2013

Hoje começa chover mais cedo do que o habitual. E mais forte, a primeira bátega foi quase "africana". Fui comprar os mantimentos para a viagem cedo de manhã, em vez de à tarde como tinha pensado. Mesmo a tempo: a chuva começou quando eu estava a chegar ao portão da marina.

Não sou muito dado a solipsismos nem a poderes sobrenaturais, mas não consegui impedir-me de pensar que se calhar a chuva  veio porque eu fui fazer compras mais cedo. Preparar-nos para o que aí vem pode ajudar o que aí vem a acontecer.

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A marina Terra e Mar consiste numa casota flutuante (à qual estou atracado) ligada à terra por um portaló. Em terra há outra construção, sobre palafitas. A "marina" (fica melhor com aspas) é a mais barata, mais artesanal, mais tudo aquilo que se costuma designar por "familiar" das quatro ou cinco de Golfito. É propriedade de um casal que navegou muito antes de parar aqui.

Os meus sentimentos a respeito da marina são ambíguos: por um lado gosto do espírito da casa; por outro, o senhor fala muito, muito, muito. E não olha para as pessoas com quem está a falar, desvia o olhar meio para baixo e para a frente, como se estivesse à procura de um anão.

Enfim, é bastante prestável, e se conseguirmos cortar na raiz (depois é tarde) as suas tentativas de entabular conversa o lugar revela-se agradável, sem a pressão de ter de consumir seja o que for, ao contrário das outras.

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A Costa Rica é um país caro. Por vezes pergunto-me como fazem os locais para viver. Hoje no supermercado comentei isso com a senhora da caixa e fiquei mais ou menos estarrecido quando percebi que as minhas compras para cinco ou seis dias de mar custaram quase metade do salário mensal da senhora. E não comprei caviar, tão longe disso como se pode estar na pirâmide de custos alimentares.