9.5.13

Mares, vidas

As vidas são como rios, desaguam no mar; ou deviam. Rios que acabam em terra acabam mal, com a notória - aceito como verdades o que toda a gente diz, toda a gente que conhece, quero dizer, eu não conheço - excepção do Okavango, que acaba em terra e acaba bem, mas é o único (que acaba em terra ou que acaba bem?)

Pouco interessa; as vidas deviam desaguar no mar, ou nele começar, ou dele ser, ou nele estar, ser, porque fora dele só há ersatzes de vidas. Isto digo eu, que sei do que falo, metade da minha vida no Atlântico, metade no Pacífico, as duas no futuro, como se futuros houvesse muitos e não há, há só um, o mar, amargo, doce, fiel, omnipotente, omnitodopoderoso mar.

Honorés camarades de la mer, sans vous je naviguerai seul les mers amères du passé. Honorable camarade mer, en toi je navigeurai seul les douces vagues de l'avenir.

O mar é a mais lenta, mais bonita, única ponte entre o passado e o futuro. Isto digo eu, que não sou parcial e olho para o mar objectivamente, com a distância de uma vida ou duas. E sei do que falo, claro, ninguém percebe de vidas, de mares e de futuros como eu, que tantos tenho.

ersatzleben. Mas não há ersatz zees.

As vidas correm para Sul, os passados para Norte.