11.7.13

Seres

Vem aí o sol e com ele a vida, as palavras, as cores.
Penso em Moustique, no Basil's: nunca lá estivemos.
Por causa das cores. Nada a ver contigo.
E da água, tão transparente. Nunca fomos transparentes, pois não?
Mudo de disco. É preciso saber tocar guitarra, é preciso saber escrever,
Saber cozer ovos, parti-los antes de os cozer, devagar,
Para um recipiente à parte, não vão eles estar
Podres como eu.

É preciso reconhecer que resisti até agora.
Há mais de uma semana que não oiço Leonard Cohen
Explicar-me que aquilo que eu sinto
Não é nada, rigorosamente nada.

Já foi sentido antes, e sentimentos em segunda mão
Pouco valem. Sentimentos usados, quero dizer.
Até podem nunca ter tido dono,
mas já foram usados.

As palavras.

Os lugares.

Tudo já foi usado.

A luz.

Um dia iremos a Bequia comer lagosta e seremos os primeiros seres na terra a comer lagosta em Bequia.

Um dia seremos os primeiros seres na terra. Tu serás a primeira mulher, a única, a última.

Na verdade pouco importa.