9.3.14

Diário de Bordos - Bocas Town, Bocas del Toro, Panamá, 08-03-2014

Hoje a música no Lemongrass estava bastante melhor, apesar de o saxofonista - auto-convidado tardio, de resto; e muito bom - estar perdido de bêbedo e não acertar uma. Acabou por se ir embora e eu por ouvir metade da banda do Lilly's - ao meio dia o guitarrista e à noite o baixo.

A tarde foi magnífica: havia uma festa de beneficência no Palmar, o dia estava lindo, e Bocas - ou Bastimentos, para os preciosistas - maravilhosas.

Tenho de me ir embora depressa: começo a gostar disto.

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Afinal os dentes não estão tão maus como eu pensava e eles me faziam sentir. Em duas sessões - uma na segunda-feira outra na quinta - terei a coisa resolvida. Depois precisarei de fazer uma coroa, mas isso pode esperar por S. Luis, aparentemente. Não sei o que é uma coroa, mas em breve saberei. E a verdade é que com o rum a dor tem diminuído bastante.

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De maneira passo outro fim de dia em Bocas. Não terei decerto a sorte de ontem - uma panga a sete dólares, sete - mas espero não andar lá muito longe. E confirmo que tenho de sair daqui depressa.

Quanto mais depressa melhor: partir sem saudades é mais fácil do que deixar em cada sítio por onde passamos um bocadinho de nós. Que sobrará, um dia?

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Mais uma daquelas noites calmas, sem vento, sem chuva. Vou de novo gostar da viagem na panga, como se fosse a primeira vez - é uma das coisas de que mais gosto aqui, uma daquelas de que não me canso: deslizar a toda a velocidade na baía, ver desfilar as paisagens sempre iguais, lindas, verdes, mágicas; a água transparente por cima dos recifes, a panga meio na água meio no ar, as estrelas que em breve verei do mar.