19.11.14

Diário de Bordos - Galveston, Texas, Estados Unidos, 18-11-2014

O aquecimento global continua a fazer das suas: está um frio de gelar as sinapses a um hiper-activo.

É raro tanto frio em Galveston, dizem-me.

Acredito: faço parte daquele grupo de pessoas que ficaria feliz se o mundo aquecesse globalmente e ele vinga-se arrefecendo localmente - o local sendo aquele onde estou.

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Os armadores do TL querem desfazer-sr dele a qualquer preço. As razões são as do costume: compraram o barco porque era giro ter um barco, não achas?, foram enganados como se tivessem tomado o mais pequeno dos planetas pelo sol, tiveram uma viagem horrorosa.

Enfim, gastaram uma pipa de massa para sofrer o que qualquer crente sofre de borla, seja qual for a religião.

O barco é lindo de se morrer, de viver, de acreditar na vida antes durante e depois da morte, de acreditar nos dias de graça dos arquitectos navais, de, sei lá,  pensar que não, a beleza não está nos olhos de quem a  vê ou sofre por não a ver.

É muito muito raro chatear-me por não ter dinheiro, ou ter vontade de o ter. Esta é uma dessas ocasiões.

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Anda por aí um meme que diz que o amor é uma doença mental,  ou coisa que o valha.

Discordo. Doença mental é não ver a beleza onde ela está. Seja numa cama, numa pele, num olhar ou numa marina,  pontão E lugar 45.