13.1.15

Diário de Bordos - Cole Bay, St. Maarten, Antilhas Holandesas, 12-01-2015

Dia trinta de Janeiro vou à Florida buscar um barco e levá-lo até Antigua. Uma embarcação feita para a America's Cup (perdeu), agora transformada para charter.

Parece-me uma boa maneira de regressar a Antigua.

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Mais um dia de loucos. O jovem local com quem trabalho só fez asneiras. Do princípio ao fim, e não só profissionais.

Que sorte tenho com os meus filhos: apesar do pai que têm saíram bem-educados. O meu obrigado à Mãe deles é absoluto, eterno.

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No Lagoonies - e para além dele - trava-se uma feroz batalha entre a fome, o barulho (ou música) e a falta de dinheiro.

Estou cheio de fome, tenho de lá comer porque é lá que tenho crédito mas a música - ou melhor, o seu nível - é insuportável.

O princípio do fim deste calvário é amanhã, creio. Enfim, dizem-me. E eu acredito. De pouco me serviria não acreditar. C., o chefe de base é um tipo decente, vê-se à légua. E A., a responsável pelo departamento técnico, uma mulher admirável.

Às vezes penso descrever um dia de trabalho, mas depois parece-me que para os leitores deve ser uma seca incompreensível. Ou então que vão pensar que estou numa casa de doidos, e o que faço é o equivalente aquático de senhores a passear no Júlio de Matos com um funil na cabeça.

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A música da pequena banca de drogas não é tão boa como a do Lagoonies - não chega sequer a ser música - mas está mais baixo. Só por isso merece um obrigado. Só lamento que não vendam comida. A crédito, claro.

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Tenho estado sozinho no quarto, mas hoje chegou uma pessoa. Não sei por quanto tempo. De qualquer forma C. vai para a água amanhã, de maneira é provável que eu possa finalmente mudar-me em breve. Que bom seria.

Viver nm barco na marina de Fort Louis, enquanto espero a viagem para Jacksonville. O céu não deve ser muito diferente.

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Vir para St. Martin em vez de voltar para Lisboa, como tinha planeado, não foi uma decisão fácil. É táo fácil enganarmo-nos.

E tão bom.