18.5.15

Diário de Bordos - Isla San Andrés, Colômbia, 18-05-2015

É preciso reconhecer que tudo estava bem encaminhado: ia para Lisboa de barco, o salário não era grande coisa mas pelo menos deu para uns runs no Panamá e teria trabalho em Portugal logo a seguir.

O W. (que no fundo talvez seja a inicial de Wreck, não sei) decidiu de outra forma. San Andrés é um daqueles sítios em que o tempo parece uma pastilha elástica que estica, estica, estica. Estou aqui há nove dias e praticamente nada foi feito ainda. Continuo com os meus três problemas maiores (leme, transmissão e pau de bujarrona) e uma miríade de pequenos; e não vejo o fim.

Ou vejo, mas longe.

Valem-me pequenas coisas: um jantar que fiz para duas jovens francesas (cf. abaixo), uma história de que me lembrei hoje, hilariante: uma senhora que não fala espanhol a quem alguém disse desmoronar e ela pensou que significava perder o bronzeado, a possibilidade de amanhã ir para a marina.

Pequenas coisas, pequenas esperanças, bocadinhos de cola fraca que mantém pelo menos os cacos juntos.

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Jantar improvisado - frango com tamarindo e gengibre em leite de coco

A coisa não correu como eu tinha previsto: fritar primeiro os tamarindos depois o gengibre rapado, usar esse azeite para dourar o frango, cozer o gengibre e o tamarindo e usar a água para cozer o frango.

Mas acabou por não ser mau; precisa simplesmente de um pouco de exploração. Usei leite de coco, a água da cozedura dos frutos, cominhos, muita pimenta e aquilo escapou.

Pelo menos foi o que as jovens disseram.

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O tablet caiu, mas desta vez não foi à água. Foi para terra, para o chão. Partiu o vidro e continua a funcionar, se bem já não como tablet. Precisa do teclado.

Não sei como interpretar isto: se como prova da superioridade do mar - mata logo - se das vantagens da terra. A ver, quando souber quanto custa a reparação.

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Estou cansado. Todos os dias acordo sem energia e me deito com cada vez menos. Como não faço grande coisa fisicamente deduzo que o cansaço vem de alhures que não do corpo.

Uma porra, não é?