29.5.15

Diário de Bordos - Isla San Andrés, Colômbia, 28-05-2015

Para picar o simpatiquíssimo dono do Café de la Plaza tem uma tablita com queijo, azeitonas, jámon disto e daquilo. Interrompo-o ao segundo jámon: queijo e azeitonas, por favor.

"Só tem queijo amarelo e mozzarella". Óptimo, venga.

Nada há a dizer do queijo amarelo. Era amarelo e tinha uma ou duas coisas em comum com queijo: a consistência, o aspecto e, muito muito vagamente o sabor.

Já a respeito da mozzarella tenho uma pergunta: porque não chamar-lhe Gruyère? Ou Brie? Ou queijo da Serra, de Serpa, flamengo, de cabra, ovelha, galinha, Parma, étivard (meu Deus, étivard)? É que tem tanto em comum com a mozzarella como tem com qualquer um dos outros citados.

Porém o momento é tão agradável que não ligo às denominações e como a mozzarella como se fosse queijo, o queijo amarelo como se fosse bom, o vinho como se não fosse medíocre (as azeitonas são esplêndidas) e estivesse em Brighton, Palma de Maiorca, Mértola, Sète, Cascais, Lisboa ou, desculpem a múltipla redundância, num paraíso qualquer.

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Hoje fui à praia. Não gosto de praia por causa da areia, das mulheres gordas e feias em string e pela complicação logística: toalha, fato de banho, mudar de roupa. um sem fim de chatices.

Mas não sou absolutista nem nos gostos nem nos desgostos; e praia nestas condições acaba por ser agradável: um longo longo mergulho e uma sesta na areia entre duas piñas coladas, um breve moto-táxi e um duche. Água quente e transparente numa praia bonita e a cinco minutos da marina.


Amanhã visto a camisola do turista e vou a sítio chamado San Luis, no sul da ilha. Qase São Luis, não é?, de que tanta falta sinto das pessoas que lá deixei e ainda hoje me povoam o coração. E sempre.

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Tudo começa sempre da mesma maneira: um homem nu e uma pergunta. Neste caso a pergunta é simples, não tem nada de metafísico: como ficará o frango com iogurte, gengibre, jalapeños verdes e salsa? Comprei montes de curcuma - encontrei o meu supermercado aqui -. Com um bocadinho de sorte vai ficar comestível.

E se não ficar como-o na mesma, portanto a pergunta para além de simplória é desnecessária.