31.5.15

Diário de Bordos - Isla San andrés, Colômbia, 30-05-2015 / II

Voltaram os dias cinzentos, nebulados, chuvosos (mais ou menos: comparado com Bocas isto é um deserto). É forçoso e intrigante reconhecer que são os mais interessantes, os mais atraentes, mais complexos. As cores ganham outra vida, mais intensa; e está menos calor. As matizes são mais variadas e visíveis.

San Andrés cidade não é bonita; sem praia tem pouco de interessante, excepto claro para quem se interesse por roupa, perfumes e marcas: Lacoste, Tommy Hilfiger, Hugo Boss; ou, na electrónica, Canon, Sony, Samsung, LG.

De roupa não sei, percebo pouco. A electrónica não é interessante: nem boas máquinas fotográficas nem bons computadores. Há écrans gigantes, máquinas fotográficas básicas e pouco mais. E electrodomésticos,  montes deles. Não sei como as pessoas os levam: frigoríficos, máquinas de lavar, congeladores.

Todas as lojas têm as mesmas coisas. Imagino que queiram fazer concorrência a Colón, mas estão muito longe. Colón também, de resto.

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A rapariga é gorda e está vestida de cor de rosa - um vestido cai-cai e uma tiara com flores de plástico, pequenas, no cabelo -; o rapaz é alto, magro e musculado. Estão sentados na mesa ao lado da minha.

Cada um olha para o seu telefone. Ele tem o cotovelo na mesa e olha para cima; ela tem-no ao nível das mamas e olha para baixo.

Tento abafar a música do Beer Station com a da Ana, mas não funciona. Vou para bordo jantar.

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"Sôbolos rios que vão
Por Babylonia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião,
E quanto nella passei.
Alli o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E tudo bem comparado,
Babylonia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

..."