1.7.15

Diário de Bordos - Lisboa, Portugal, 01-07-2015

As espumas dos dias

Quinta-feira
P.- Que faz um associal num mar do socialites?
R.- Vem respirar um bocadinho de ar fresco.

Domingo
Concerto de música contemporânea no Panteão Nacional. Não há optimismo nesta música.

Já lá não ia há dezenas de anos. Terá sido ali que Fernando Pessoa escreveu "Lisboa e Tejo e Tudo"? (Não vi os túmulos do Eusébio e da senhora. Há limites).

Quando é que a música começou a ser produzida para ser entendida e desfrutada no futuro?

Jam session no Café Tati
"Porque gostas de jazz?", perguntou-me Steve um dia em Bocas del Toro. É um excelente músico, cantor e guitarrista de folk e rock. A pergunta não é provocatória: S. ouve jazz cada vez que passa no pontão à frente do W. e a música está alta para poder ser ouvida no convés, onde trabalho.

"Porque gosto da aliança entre liberdade e mestria técnica, Steve".

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Foi preciso o Tsipras tomar uma decisão correcta - a primeira desde que foi para o Governo, provavelmentre - para que a Europa lhe fechasse as portas.

Paradoxal, não é?

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Como dois ovos mexidos ao pequeno almoço e fico com fome; se forem cozidos fico cheio; quentes e parece que não comi nada... Um bocadinho como o amor, não é? Com a mesma combinação de um par de mamas dois olhos e um ventre ora se fica saciado ora vazio ora qualquer coisa entre os dois.,.

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Passei uns dias em Campo de Ourique, Um bairro limpo, burguês, asséptico. Biológico, de tão correcto.