23.6.16

Diário de Bordos - Lisboa, 23-06-2016

Foi um daqueles dias de sorte: tudo estava bom ou quase; a companhia era excelente; os vinhos idem; não estava calor nem frio antes pelo contrário.

Devido a um esquecimento meu - coisa que raramente acontece mais de dez vezes por dia - o frango com molho de tahini foi substituído por frango com gengibre em leite de coco. O resto ficou igual. A beringela, uma receita sugerida pela Tatiana, italiana de gema, beleza e gosto ouviu muitos elogios. O resto também, mas esses foram mais devidos à simpatia das adoráveis pessoas que compunham o grupo, suponho. Ou não suponho. Sou péssimo crítico e pior ainda auto-crítico. A verdade é que gostei muito desta maratona e fiquei com vontade de fazer mais. O resto é conversa para encher chouriços.

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Entretanto lá vou aterrando, meio aterrado meio espantado meio resignado. A lentidão e a falta de profissionalismo mudaram tão pouco como a beleza da cidade ou a luz: nada. Os portugueses continuam a tratar o tempo como se fossem donos dele; seria belo e poético se não tivesse as consequências que tem.

É como tudo: basta estar do bom lado da barreira e as vantagens aparecer-me-ão, claras e irrefutáveis como a erupção de um vulcão.

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Não sei esperar, excepto quando cozinho. Ou passeio pelas margens do Tejo.

Ou penso na morte.

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A filha jovem de uma amiga brasileira morreu. Não imagino dor maior para uma mãe ou um pai do que perder um filho. Pensei nisso muitas vezes, quando os meus eram mais novos.