21.8.16

Dúvidas, certezas

Que fica de um dia?

Passeio de bicicleta pelas margens do Tejo até Belém. A ideia era ir comer uma chamuça à D. Mónica, mas está fechada para férias. Comi num clube ao lado, mas não são a mesma coisa.

Um esplêndido almoço na Casa Museu Amália Rodrigues. Chamam brunch àquilo e eu não discuto a denominação. Brunch fica. Para mim é um almoço e dos bons.

Jam no Tati. Já por aqui falei milhares de vezes nas tardes de Domingo no café Tati, na qualidade da música do Gonçalo Marques, do esplêndido grupo de jovens que ele reuniu ao seu lado - prova, se necessário fosse, de que deve ser um professor competente -. Não tenho da música um abordagem técnica. Não sei distinguir um ré de um fá e reconheço o Parabéns a Você se estiver numa festa de anos; se não, tenho dúvidas. Quando eram mais novos os meus filhos pediam-me para não cantar nas festas de aniversário dos amigos. Crescendo, pediam-me para não cantar tout court. Abordo a música como aquele crítico inglês de vinhos dizia: "Um bom vinho é aquele que me faz dar um salto na cadeira". Para mim uma boa música - ou um bom músico - é aquele que me faz viajar até aos limites do universo e me arranca lágrimas de canyons que não sabia existirem em mim. Hoje coube a vez - pela surpresa - a um jovem baterista de boné revolucionário e pernas e braços finos como espinhas de um peixe frágil. Tinha um toque leve e aéreo, parecia que tocava com as penas de um pássaro.

Estas são as certezas. Não falo das dúvidas.

Que fica, de um dia? As certezas ou as dúvidas?