13.8.16

Love poem / Poema de amor

Ultimately, we will lose each other
to something. I would hope for grand
circumstance — death or disaster.
But it might not be that way at all.
It might be that you walk out
one morning after making love
to buy cigarettes, and never return,
or I fall in love with another man.
It might be a slow drift into indifference.
Either way, we’ll have to learn
to bear the weight of the eventuality
that we will lose each other to something.
So why not begin now, while your head
rests like a perfect moon in my lap,
and the dogs on the beach are howling?
Why not reach for the seam in this South Indian
night and tear it, just a little, so the falling
can begin? Because later, when we cross
each other on the streets, and are forced
to look away, when we’ve thrown
the disregarded pieces of our togetherness
into bedroom drawers and the smell
of our bodies is disappearing like the sweet
decay of lilies — what will we call it,
when it’s no longer love?


(Tishani Doshi)

Li isto recentemente no Rua das Pretas (Ruadaspretas.blogspot.com). É das coisas mais lindas que descobri recentemente. Esta é a  minha proposta de tradução:

"No fim, perder-nos-emos um ao outro,
por qualquer razão. Gostaria que fosse
algo grande - a morte ou um desastre.
Mas talvez não seja, de todo.
Pode muito bem ser que um dia tu saias
depois de fazermos amor para comprar cigarros
e não voltes, nunca mais, ou que
eu me apaixone por outro homem.
Talvez seja uma lenta deriva para a indiferença.
Seja o que for, teremos de suportar o peso
da eventualidade de nos perdermos um ao outro
por qualquer razão.
Então, porque não começarmos agora,
enquanto a tua cabeça repousa no meu colo como uma lua perfeita
e os cães uivam na praia?
Porque não procurarmos a costura nesta noite do Sul da Índia
e rasgá-la só um bocadinho, para que a queda
comece? Mais tarde, quando nos cruzarmos na rua
e tivermos de desviar os olhares
e tivermos atirado para os armários do quarto
as peças esquecidas da nossa união e o
cheiro dos nossos corpos se desvanecer como
o doce murchar dos lírios - que lhe chamaremos,
que já não será amor?"

Tishani Doshi

Homem (ou neste caso mulher) prevenida vale por dois. Mais vale antecipar, não é?