30.11.16

Amanhãs

Foi num dia assim que ela pegou na vassoura e se foi embora. Isto pode parecer uma contradição: é noite, já o dia passou e passou depressa, montado numa vassoura ele também. Foram-se os dois, o dia e ela cada um na sua. Eu fico. Fico sempre. Não há vassoura que me carregue.

Mas há noites como a de hoje, quentes e ventosas. O vento é um afago, uma festa, uma carícia, uma promessa. O calor também. Juntam-se os dois e vão-se as bruxas e os dias ao som da música.

Sentei-me no canto da varanda que diz "No wake zone". Zona sem esteiras, sem vagas, sem perturbações.

Com bruxas e dias e vassouras, mas sem merdas. Só com amanhãs.