14.11.16

Diário de Bordos - Riviera Beach Marina, Flórida, EUA, 13-11-2016

Um gajo sabe que as coisas estão mal quando prefere as Carmina Burana do Orff  (preferir não é o verbo adequado. Precisar é) e sabe que tudo está no lugar quando acha aquela merda perfeitamente enjoativa e volta às do Clemencic.

Tive de fechar as portas do salão porque há um concerto na marina e a música é indescritível de má e alta. Má música nas marinas devia ser proibida. Por má música entendo, nos dias como o de hoje, tudo o que tenha sido composto depois do Séc. XII.

Excepto se acompanhado pelas porções correctas de rum, mas isso é coisa que só daqui a bocado se verá. Tal como: quanto tempo aguentarei o calor?

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Passeios de bicicleta, finalmente. Muitos, de dia e de noite. Não é bem que isto seja feio. É mais ser entediante. Aborrecido. Chato como a potassa.

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Estou-me nas tintas para o Trump, Fiz um amigo aqui que tanto se me dá ser americano (do Utah) como chinês ou mexicano. É um gajo porreiro, ponto. Tenho comido muito mal quase sempre e por vezes muito bem. Hoje paguei oito dólares por uma cerveja medíocre. Estou há cinco semanas em West Palm Beach e qualquer dia sou daqui.

Não sou. Nunca serei. Sou europeu. A Europa é o meu planeta, Portugal o meu satélite. O resto nem paisagem é sequer.