1.1.17

Fim do ano - continuação e fim

Minha querida M.,

Acabo de chegar a casa. Não vim decerto pelo caminho mais curto, mas - isso de certeza - pelo que me fez ver menos gente: Rua do Ferragial, pouco depois a das Taipas, Praça da Alegria - menciono-a porque estava deserta, uma verdadeira alegria - Rua das Pretas, Rua do Passadiço. Daí à Estefânia é um salto e a "casa" outro. Ao todo uma hora agradabilíssima, por muitas aspas que casa leve. Salvo pequenos troços do percurso não vi nem ouvi ninguém. Não percebo porque é a agorafobia considerada patológica. Eu acho-a simples questão de bom senso. Turbas ululantes não são a minha visão favorita da humanidade.

Quero agradecer-te a noite de passagem de ano. Regra geral não lhe sou muito sensível. Devem ter sido tantas as que passei a dormir como aquelas em que celebrei esse acidente de calendário, acaso ou pretexto. Mas a de hoje foi-me particularmente agradável. Estou a ficar lamechas, é certo. "Já era tempo" dir-me-ias, se em vez disso não dissesses "estás nada".

Talvez esteja; não sei. Pouco me importa. Obrigado.

O resto é conversa de encher chouriços.

(Para a M. B., com uma gratidão que vai de um a trezentos e sessenta e cinco e de A a Z).