20.2.17

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 20-02-2017

Três dias seguidos de sol em Genève a meio de Fevereiro. Não tarda é Verão. Quem o disse deliciosamente bem foi a apresentadora da meteorologia na TV: "temperaturas doces", começou. "On a frôlé les treize degres". Não digo que roçámos os treze graus para não parecer mal, mas a ideia é essa. Depois continuou "E amanhã de manhã as boas notícias continuam: temperaturas positivas ao sair de casa".

Estamos, diz a senhora - uma morenaça com quem qualquer homem gostaria de roçar os treze graus e acordar positivo de manhã - que estamos três a quatro graus acima da média da época. Acho bem. Aprovo e agradeço ao anticiclone dos Açores, a quem devemos tanta e tão rara simpatia.

Claro que média significa isso mesmo: média. Às vezes está por baixo outras por cima. Compensa o por baixo que esteve em Lisboa em Dezembro, que bastante frio rapei.

Enfim, toujours est-il que aproveitei e fui turistar por essa cidade fora, cadela pela trela.

O bicho é simpático, calmo e bem-educado. Não chateia. E aqui deixam entrar os cães nos cafés, de maneira pude parar na Livresse (pausa voluntária) e na Ferblanterie (forçada).

Nunca pensei que um mês custasse tanto. Deve ser por causa da média.
Custar não é o termo. É: fosse tão difícil.

Ou então é incapacidade minha. Deve ser isso. A minha ansiedade sofre com o anticiclone dos Açores: espalha-se ele e ela com ele, coitado, não fosse ficar para ali sozinho a desviar as depressões.