24.3.17

Lixarada

Lixarada. É isso: estou cheio de lixo. O meu corpo parece um campo de lixeiras que se batem entre elas com a sanha de gaivotas esfomeadas.

Refugio-me na cama, no bendito sono, na alternância benéfica do frio e do calor, no silêncio.

Com um pouco de sorte os lixos matar-se-ão a si próprios. Para variar sobreviverei.

A imprensa regional vai publicar uma notícia sobre a guerra de trincheiras nas lixeiras locais. Estranhamente não há maus cheiros, dirá a concluir.