18.7.17

Diário de Bordos - Pollensa, Mallorca, Baleares, Espanha, 18-07-2017

O mínimo que se pode dizer é que o dia foi difícil; o máximo, que demos a volta por cima. O ar condicionado não está bom mas está melhor; o Paolo, depois do dia horrível que passou arranjou energia para cantar e tocar guitarra - faz bem as duas coisas - e temos os clientes todos no cockpit a cantar e a bater palmas e à espera de estarem todos prontos - um deles faz anos e vão jantar a terra -; a senhora por assim dizer freudiana dorme perdida no cockpit. O gerador, se misturado com música e com uma falta de paciência geral não é impedimento.

Eu escrevo e anseio pelo momento em que o bote fique vazio e possa ir à tasca beber um rum tranquilo, longe de músicas, clientes e tripulantes  (por excepcionais que estes sejam, e são).

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Se o vento cair esta noite começo a ter visões semelhantes às de Santa Hildegarda. Se não cair também.

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Para quem não sabe: o ar condicionado, para as pessoas do continente americano tem o mesmo estatuto que a religião ou a política: são coisas que não se discutem.

Ninguém vai dizer a um imbecil que a sua imbecilidade tem mais a ver com a necessidade de reconhecimento social  (vulgo status) do que com uma hipotética e o mais da vezes inexistente deficiência intelectual.