29.11.17

Quase - II

Quase pele, quase visível no horizonte. Estendo o braço. Volta com uma fruta, talvez uma maçã, uma pera, um dióspiro. "Meu fruto de morder, todas as horas" é o título mais bonito que conheço, categoria livros de poesia nos quais se pensa tarde na noite. "O sumo do fruto coagula nas mãos". Não tenho os meus livros, faltam-me tanto como a metade de dia que não vivi, a metade da vida que me espera pela metade, o quase que falta para completar o quase.

"Todos os meus livros tiveram um carácter de urgência", disse Al Berto pouco antes de morrer.

Vou dormir, descansado nesta urgência que partilho inteira.

Quase inteira.