20.12.17

Dias, contas

Escrevo como cago: sai merda mas não consigo viver sem o fazer. Algumas pessoas discordam e acham que não, não sai merda quando escrevo. São poucas as opiniões discordantes às quais dou mais peso do que à minha, neste assunto.

Hoje tive o indescritível  (ia dizer injusto...) prazer de ouvir duas dessas vozes, duas pessoas que amo de amizade e respeito de admiração, duas pessoas cuja opinião tem peso, tanto como o da Senhora (caixa alta) que durante tanto tempo me encorajou. Há dias bons, inexcedivelmente bons. Se acreditasse num deus qualquer em vez de pensar que aquilo a que chamamos deus não passa de uma mistura de acaso, impotência e medo pensaria que dias assim são merecidos. Paguei-os adiantado, é tudo, ao contrário de outros que pagam a beatitude na outra vida.

Nunca deixarei de dar dar prioridade ao acaso, na grande desordem das coisas. Mas lá que às vezes acredito que paguei adiantado acredito. E dou por mim a desejar que haja mais dias assim, apesar de saber perfeitamente que se fôssemos a contas, a vida e eu estaríamos quites.

(Para a F. V. e o M. M., com um beijo e um abraço).