17.12.17

Louvor e simplificação da escrita

Não é que eu queira ou sequer pretenda escrever bem, longe de mim tão estapafúrdia ideia. Não escrever mal já me deixaria contente. É por isso que hesitei tanto tempo antes de decidir publicar um livro e mesmo agora, com a decisão tomada, não me apresso: olha se sai tão mau como alguns que por vezes vejo por aí? Isto é, até aceito que vai ser pior, mas não tão mau como. Há que ser inteiro, mesmo no horror. Tudo menos a mediocridade.

Aceito mais facilmente que um gajo se apaixone por uma mulher feia, gorda, vingativa e estúpida do que por si próprio. Por muito maus que sejam os outros nunca são tão maus como nós, não é?

Às vezes acontece-me gostar de alguma coisa que escrevi. É raro, mas acontece. Quando isso se passa ponho a tal coisa no frigorífico outros dez anos, ver se a distância lhe fez bem. Devíamos todos escrever com uma caneta de cinco metros, como aqueles artistas que andam em cima de andas muito altas e parecem um bocado desajeitados [se alguém me puder dizer o nome agradeço]. Na verdade não são, apenas parecem. Escrever devia ser a mesma coisa, mas com uma caneta longa ou um teclado muito distante.

Enfim, já passou. Daqui a pouco mergulho de novo na Alexandra Alpha, bebo outro copo de vinho e vou para o "meu" bote, o que se saracoteia mal me vê chegar (se calhar fá-lo para todos, mas eu não me importo. Não sou ciumento, graças a Deus. Sou um teso, mas ciumento não).