7.3.18

Ditirambos sentidos

Fui ao (ou à?) Bela ouvir o André Gago ler poesia. O tema da noite era a Lua; para um selenita no exílio difícil resistir. Ademais havia a perspectiva de boa companhia. Três em um: o André, a Lua e companhia bonita.

Tudo se confirmou. A companhia era bela, a poesia avassaladora e o André mais tudo do que sempre; ele é por vezes cabotino (não necessariamente um defeito: vejam-se Fabrice Lucchini e Daniel Day-Lewis, actores com estilos de representação opostos mas que hoje me vieram à mente); por vezes demasiado histriónico; por vezes falha o tom do poema. Mas é sempre bom, genial, como uma enxurrada que leva tudo pela frente e deixa a paisagem mais limpa uma vez limpos os escombros.

Amanhã vou para Palma buscar um bote lindo, irmão do Smeralda Prima (para quem conhece). Estou em modo largada e voei até à Lua a cavalo na poesia, na companhia, no Bela e na voz tridimensional do André.

Não exagero: ele transforma poemas em esculturas, coisas sólidas que se podem agarrar e sentir entre as mãos, ávidas mas serenas.