4.5.18

Diário de Bordos - Puerto de Andratx, Mallorca, Baleares, Espanha, 04-05-2018

Um gajo decide consagrar o dia a trabalho de escritório, que isto de refits não consiste só em acartar material e limpar fundos. O escritório habitual não tem a net funcional, o seguinte é óptimo mas o patrão maluco; acaba numa coisa chamada Sailor que tem pelo menos cinco televisões ligadas com o som altíssimo. Peço para porem mais baixo (ao fim de uma hora e meia) e o homem responde-me que "isto é um bar, não é um café ou um escritório". Digo-lhe que sim e acrescento em silêncio "E se fosses para a puta que te pariu mai-lo escritório?" O bar está vazio. Para além de mim há duas alemãs que ou não se vêem há muito tempo ou qualquer coisa no género e não param de falar. Ninguém vê televisão, excepto - claro! Como não pensei nisso? - o barman.

Se me apanho longe de Puerto de Andratx não acredito. Até Paguera será melhor.

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 Ultimamente sonho enquanto durmo como raramente: não páram. A minha cabeça está transformada numa pequena Holywood, produtora de filmes da corrente Realismo Fantástico Super-Pormenorizado. Uma espécie de Spielberg e Lynch revistos por Virginia Woolf e Duras. Os sonhos descem a pormenores absolutamente inacreditáveis, têm aventura e substância.

Não admira que comece finalmente a gostar tanto de dormir.

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Praticamente vazio, sem o motor e sem o chumbo o P. baila ligeiro na água. Coisa mais linda!

A ver se lhe arranjamos um futuro digno.

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Chove e está frio de novo. Esta Primavera hesita.

Decide-te, porra. Uma má decisão vale mais do que qualquer indecisão.