22.5.18

Marqueses

Por muito respeito que tenha pelos monárquicos - e tenho - não consigo deixar de ver naquela preocupação com as ascendências e descendências um certo patetismo.

Parece tudo a brincar, como miúdos a fingir que criam cavalos ou cachorros. "O meu quadrisavô era primo-irmāo do cocheiro do Conde de Serpa, do qual herdou o nome e a prima"; "a minha bisavó era a amante favorita do Rei Eduardo Nono, que lhe fez quatorze filhos antes de conseguirem uma menina, que era o que ele queria (para casar com o filho, como veio a acontecer)"

Além de que ignoram a entropia, princípio básico da física. Não é por acaso que se descende e não se ascende: os genes não melhoram com o tempo. Pioram.

Basta contar as pessoas no nosso país que descendem (sublinhado) de familias ricas, aristocratas, chiques: um bando de tesos na pior das hipóteses, marinheiros ou vadios na melhor.

Pior do que tesos: marqueses.