5.6.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 05-06-2018

Antigamente respondia "sou português" e a "mulher a dias portuguesa" seguia imediata e inevitavelmente. Hoje, a "beleza de Lisboa", a "simpatia do povo português", a "beleza de Portugal", "já estive em Portugal e quero voltar" substituíram-na.

Só por isto apetece-me urrar, espernear e dar gritos cada vez que vejo alguém queixar-se do "excesso de turismo".

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Os alemães de Peguera e Puerto de Andratx são velhos, gordos, feios, vestem-se mal e são um óptimo antídoto para os dias de cio descontrolado. Em Palma as alemãs são jovens, bonitas, bem vestidas, magras e mais vale não vir cá se as hormonas andarem à solta.

Infelizmente são em muito menor número.

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Sou contra o aborto e a favor da legalização; a favor da eutanásia e penso que não deve ser legalizada. Há uma esfera na qual nem a Lei nem ninguém deve entrar, uma área na qual estamos ao abrigo do Outro, seja esse outro quem for.

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"Já não tens idade para isso", diz-me C. A expressão não é tão negativa como parece: "isso" é o esforço deseperado que faço para gastar menos dinheiro em alojamento num sítio onde pura e simplesmente não há alojamento.

("La escasez de pisos provoca que locales y garajes de Palma se reconviertan en viviendas", titula o Diário de Mallorca na Primeira).

Faz eco a uma senhora que recentemente me disse "mantenha essa "adolescência" e essas dúvidas."

Nem tudo é mau na adolescência, por aterradora que possa ser. A minha foi.

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Passo parte da tarde em Palma e apercebo-me de que se pode dizer: "Mallorca é Palma. O resto é paisagem".